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Entrevista a Tiago e Diana: Velocidade amorosa

Conheceram-se no mundo dos automóveis e a vida transformou-se numa corrida... a dois. Saiba o que une um piloto e uma modelo, para além de dois filhos e espírito aventureiro.

Texto Catarina Fonseca Fotos Miguel Ângelo

Encontramo-nos não no mundo dos automóveis, mas dos barcos: o lindíssimo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões entra pelo mar dentro numa onda de luz, e à nossa frente espera um gigantesco navio de cruzeiro. As viagens são uma das paixões dos nossos ‘convidados’: o piloto Tiago Monteiro e a modelo Diana Pereira, embora sejam mais de terra que de mar. “Gostamos muito de viajar”, conta Tiago Monteiro. “Às vezes aproveitamos as viagens para namorar. Quando estou fora 2 ou 3 dias, levo a Diana comigo. Uma vez, a Diana fez-me a surpresa de alugar uma autocaravana e fizemos a Costa Alentejana. Claro que nessa altura ainda não tínhamos filhos, mas mesmo assim as crianças são superflexíveis, sempre prontas a sair para aqui ou para ali.”


Não são apenas as viagens que une este eterno casal de namorados. Hoje, mantém a cumplicidade de sempre, e desde que se viram que tudo corre sobre rodas. “Conheci o Tiago porque tínhamos o mesmo agente”, recorda Diana. “Eu também fazia corridas, no todo-o-terreno. E foi amor à primeira vista. Atraiu-me imediatamente o sorriso dele e a personalidade forte.” Hoje, dois filhos depois, esse amor ainda não desapareceu.

O SEGREDO DE UM CASAMENTO

Mas afinal qual é o segredo de um casamento feliz? Ambos respondem a mesma coisa: terem muito em comum. “Gostamos das mesmas coisas, até da mesma comida: adoramos pratos tailandeses”, diz Diana. “E gostamos de automóveis, embora eu seja mais terra e ele de pista. Acho que a palavra-chave é admiração. Eu admiro imenso o trabalho e empenho do Tiago, e sinto o mesmo da parte dele em relação a tudo o que faço.”
“Sei a sorte que é ter a Diana comigo, porque conhece e compreende o tipo de vida que levo”, confirma Tiago. “Sou romântico, sim: acho que é bonito, e é importante que quem trabalha e tem filhos não se esqueça da pessoa que tem ao lado.”

A admiração mútua é óbvia: ele diz dela que é a pessoa mais carinhosa que conhece, e que o ensinou a pensar mais nos outros. Ela diz dele que a ajuda em tudo, até na parte prática dos negócios.

OS DOIS CAMPEÕES


Em comum têm ainda o facto de serem bem conhecidos. Partilharam triunfos inéditos: Diana foi a única portuguesa a ganhar o concurso Supermodel of the World, em 97, Tiago, o primeiro português a subir ao pódio de uma corrida de Fórmula 1, em 2005.


Hoje, Tiago Monteiro corre no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, que se desenrola em 12 etapas, de março a novembro. Já teve duas vitórias e está a lutar por um lugar no pódio.


“Sou um caso de vocação tardia”, conta. “Os miúdos começam todos nos karts, mas quando és criança precisas de alguém que te leve, e eu não tinha. Por isso comecei nas motas, que era mais fácil.” Com 17 anos surgiu a paixão pelos carros, e a partir daí nunca mais parou. A vida de piloto não é fácil: “Muitas pessoas não entendem os sacrifícios que tens de fazer, teres de te ir embora de um jantar porque às 9 da noite tens de estar na cama, por exemplo.”
Uma corrida é duríssima em termos físicos. “As minhas corridas duram dois sprints de meia hora, e essa meia hora é como se fosse uma maratona: estou com a pulsação a 170 durante meia hora, com 70 graus de temperatura dentro do carro. Quando travo, são 150 quilos de pressão, que torce todo o corpo desde a lombar, e tens 2 ou 3 vezes o peso do teu corpo todo em tensão. Tudo aquilo vai contra as leis da física, e tens de estar preparado para aguentar isso.”

A EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL

Toda a gente se lembra da menina com olhos gigantes que ganhou o concurso da Ford Models. Hoje, com 33 anos, Diana valoriza tudo o que ser modelo lhe trouxe. “Deu-me uma enorme experiência de vida. Ganhei o Supermodel of the World com 14 anos e a partir daí vivi sempre lá fora. Vinha a Portugal todos os meses para fazer exames. De resto, estudava sozinha, e os meus colegas mandavam-me os apontamentos.”


Passou 3 anos em Nova Iorque, depois esteve 4 anos em Milão. E depois andava por onde fosse preciso. “Foi maravilhoso, nunca tive medo de estar sozinha. Na Europa, a minha mãe estava comigo, mas em Nova Iorque vivia em casa da dona da agência. Havia muitos holofotes em cima de mim, e por causa disso a agência tinha muito cuidado comigo. Mas eu sempre tive uma ligação muito forte com os meus pais, estávamos sempre em contacto. De certeza que tiveram dúvidas, mas acharam que a experiência seria inesquecível, e também tinham confiança em mim.”
Quando veio, não sentiu o país pequenino? “Não. Eu gosto desse lado ‘pequenino’ e da sensação de aconchego em Portugal, e cada vez sinto que somos mais do mundo. Hoje já não faço desfiles lá fora, mas continuo a viajar muito. A moda, agora, é um pouco mais secundária, embora continue atenta ao que se faz e seja um gosto que nunca se perde.”
Estreou-se como apresentadora do programa Pit Stop da RTP Internacional e criou uma linha de fitness para a Botton, inspirada na sua paixão pelo desporto: “Fiz natação de competição até aos 15, fiz basquete, e depois apaixonei-me pelos jipes e pelo todo-o-terreno.”

O que muda na vida depois dos filhos

Diana e Tiago têm dois filhos, Mel, de 8 anos, e Noah, de 6. A chegada dos filhos mudou alguma coisa na sintonia entre os dois? “Mudou, mas pelo lado positivo”, responde Tiago. “Nós sempre fomos unidos e os filhos trouxeram-nos força e responsabilidade.”

Houve, no entanto, algumas angústias iniciais: “Há uma teoria no mundo das corridas que diz que os pilotos perdem meio segundo por volta quando são pais”, conta Tiago. “E cheguei a pensar em adiar a paternidade por causa disso. Estranhamente, logo a seguir a ser pai ganhei uma corrida. Portanto, concluí que isso é mito. Ou então depende da pessoa. Só abrandas o ritmo de competição quando alguma coisa mexe com a tua cabeça. E se calhar, alguns homens são afetados pelo nascimento dos filhos. Se calhar no meu caso é inconsciência, mas quando ponho o capacete tudo o resto desaparece, inclusive os filhos.”


Assume-se como um pai ‘ausente mas presente’: “Quando estou presente sou muito próximo. Dou banho, visto, deito, estou na cama a contar histórias e a ver filmes, faço os TPC com eles: que é difícil! Porque eles já não aprendem como nós, e há coisas em que não consigo ajudá-los.”

Lembra que tinha a mesma relação com o pai: “O meu pai também era muito ausente. Quando eu tinha 5 anos, emigrámos, vivi 10 anos em França. O meu pai vendia casas e trabalhava muito. Chegava muitas vezes tarde, mas quando voltava, às vezes 1 ou 2 da manhã, vinha-nos sempre dar um beijo à cama. Às vezes ficávamos a brincar pela noite dentro e no outro dia não íamos à escola. Portanto, era muito ausente mas eu sentia-o sempre presente. E inconscientemente, é o que acontece com os meus filhos.”


E para a Diana, o que mudou depois de ter sido mãe? “Na realidade, nada. Acho que as pessoas complicam muito. A única coisa que muda é a preocupação constante com outra pessoa. De resto, temos a mesma vida. Também temos a sorte de ter pais que nos ajudam em tudo. E depois, acho que as crianças também se devem adaptar à nossa vida.” É uma mãe descontraída, mas gosta de regras. “Horas de deitar, educação, alimentação. Sou muito liberal, mas não admito faltas de educação.”

‘VAI MAIS DEVAGAR’
Então, e já apanharam alguma multa por excesso de velocidade? Riem-se. “Só uma vez”, recorda Tiago. “Há muito tempo. Foi uma coisa ridícula, tipo ir a mais de 50km. Na estrada , não gosto de velocidade e tenho medo porque conheço os riscos, sei a violência que é bater a 40 à hora, tenho medo que passe uma criança, etc.” No dia a dia, é a Diana quem guia. “Ela conduz muito bem e para mim é uma forma de relaxar. Se já lhe disse ‘Vai mais devagarinho?’ Já, já.” (risos)
E a Diana, dá conselhos de moda ao marido? “Dou imensos. Ele não compra nada sem que eu aprove, e eu faço o mesmo.”


Tiago: “É verdade, ela pede-me sempre opinião, mas depois acaba sempre por comprar o oposto.” (risos)

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