Mas , afinal, que crise?
Em "crise" sempre temos andado, de uma forma ou de outra, até porque ninguém aqui joga na bolsa ou está atento às conjunturas económicas para investir ou não em aplicações de alto risco. Nenhum dos leitores aqui se dedica a estratégias empresariais nem é CEO ou top executive de nenhum conglomerado ou grupo empresarial. :) Certo?
Portanto, repito, em crise, temos nós, a generalidade dos seres humanos, andado desde sempre. Sobretudo quando o não sabemos e sucumbimos às facilidades aqui e ali, aos créditos, aos incentivos e apoios à compra de em tempos de vacas gordas.
Mas sim, é sempre mais fácil culpar essa entidade abstracta e tão a jeito que é A Crise.
(cont.)
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E do que padecemos afinal é de FALTA DE INICIATIVA. Somos apáticos e desde sempre achámos que as coisas haviam de se compôr para nós, que um emprego é para a vida, que o máximo da ambição é o ordenadinho e os subsídios para quando der jeito, que um carro, um telemóvel para cada um e um plasma ou dois por casa é o cúmulo da felicidade.
Temos mentalidade de carneiros e nunca fomos ensinados a fazer diferente.
Não há, se quiserem dizer de outra maneira, uma cultura da responsabilização. E não, não estou a falar de fazer queixinhas...
Somos burocratas e somos pequeninos. E se hoje já não contamos com a providência divina continuamos ao menos a contar com a providência, venha ela de onde vier.
Não acreditamos no empreendedorismo, não queremos ser donos do nosso destino.
Claro, a sociedade encontra formas de condenar as pessoas à simples subsistência: - Trabalha oito ou quatorze horas por dia, ganha uma miséria, compra lá umas coisas no centro comercial, queixa-te um bocadinho, volta a casa, dá uma fodazinha mal dada no marido/mulher, vai dormir, volta ao trabalho de oito/ quatorze horas, ganha uma miséria.... Sim, é difícil quebrar o ciclo. Sim, a maior parte das vezes achamos mesmo que é impossível.
Mas não conseguimos parar para pensar e FAZER ESCOLHAS. Para, depois, ter a coragem de lutar por elas. E é aqui que fazemos a diferença. Podemos até achar que preferimos aquele emprego mal pago e até preferimos aturar o chefe a atirarmo-nos de cabeça naquele projecto que não assegura nada à partida. Temos esse direito. Mas, então, Pelo amor da Santa!!!, não vamos passar o resto dos nossos dias a queixarmo-nos que o sistema não dá oportunidades, que o emprego é uma merda e que o chefe é um corno (pelo menos não vamos fazer disso o nosso mote de vida)...
Em suma:
Assumir as nossas escolhas, já que não arriscamos. Mas fazer a nossa parte, CONTRIBUIR, EXIGIR de quem elegemos para nos governar, não nos demitirmos, PARTICIPAR na vida em sociedade, seja uma reunião de condóminos, seja a reunião de pais, a associação lá do bairro, ou até o jardim do nosso prédio que precisa de mais vida e alegria.
Não temos iniciativa. E então queixamo-nos, queixamo-nos muito, disto e daquilo, fazemos da queixa um modo de vida.
E uma coisa é certa, meus amigos: o momento em que desistimos de pensar que temos direito a melhor e que não vamos ficar à espera que os outros o reconheçam para podermos agir é um momento perdido.
E a nossa vida perdida, essa ninguém a traz de volta.
