Problemas de coluna nas crianças

A saúde das costas do seu filho depende muito de uma má postura, de excesso de peso e de falta de exercício físico. Esteja atenta aos sinais que revelem uma situação de risco.

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28 Janeiro 2011, 13:16

Começamos muito cedo a maltratar o alinhamento das nossas costas, e quando crescemos juntamos às tropelias que fizemos à nossa pobre coluna desde crianças o excesso de peso corporal e a falta de exercício. Mas é na infância que se irá definir a saúde das nossas costas. Para a ortopedista infantil Antónia Fonseca, do Hospital Ortopédico Dr. José d'Almeida, a criança, no seu desenvolvimento normal, geralmente não tem problemas de coluna, 'mas quando tem queixas devemos investigar. Por vezes até pode ser psicológico, mas temos de fazer o despiste para ver se não há qualquer coisa por trás dessas queixas, porque há doenças que são localizadas na coluna', alerta a especialista.

OS MAIS COMUNS

Uma coluna sem problemas tem curvaturas normais: vista de costas, deve ser completamente direita, mas de lado deve fazer um ligeiro S. Para identificar alguns dos problemas da coluna são utilizados os termos 'cifose' (a deformação mais frequente e que pode ter origem congénita ou ser causada por más posturas) e 'lordose' (uma situação pouco significativa na infância). Assim, uma criança tem hipercifose quando as suas costas fazem uma espécie de corcunda; hiperlordose lombar quando tem o rabinho de prateleira (inclinado) ou cervical se tem a cabeça inclinada para a frente. Também muito frequente é a escoliose, que provoca o chamado desvio na coluna para o lado; se olharmos, olhamos para ela de costas.

O MEU FILHO TEM UMA CORCUNDA?!

Nem sempre o facto de uma criança ou um adolescente ter as costas curvadas quer dizer que tenha um problema na coluna.

Causas: O dorso curvo é provocado pelo desequilíbrio muscular devido ao crescimento rápido do esqueleto e pode ter a ver com uma atitude corporal adoptada pela criança, mas principalmente por jovens na puberdade e adolescência. Chama-se 'atitude cifótica' a este tipo de porte, que pode ser corrigido apenas se mudar voluntariamente a postura. Não existe deformação óssea nem alterações radiológicas, por isso não entre em pânico e não comece a pensar que o seu filho irá mesmo ficar corcunda. Esta postura atinge um número ligeiramente mais elevado de rapazes e deve-se quase sempre ao facto de eles não andarem com as costas direitas. É o vulgar meter o peito para dentro, típico não só dos jovens com atitudes corporais inadequadas mas sobretudo de jovens muito altos, que não querem destacar-se perante os colegas de menor estatura.

As meninas adquirem este tipo de postura por altura da puberdade, devido a uma vergonha excessiva pelo desenvolvimento mamário. Prevenção e tratamento: Para a ortopedista Antónia Fonseca, é importante verificar se a cifose se resolve apenas com exercício: 'Se for redutível, procuro que façam uma actividade física que obrigue a uma boa postura. No caso das meninas, peço o balê ou as danças que actualmente puxam muito pelas miúdas. tudo o que seja uma actividade normal em grupo que obrigue a determinada postura e onde não poderá ter erros, senão arrisca-se a ser chamada à atenção.' O importante é fazer os despistes necessários junto de um ortopedista, por forma a evitar que exista evolução de situações funcionais para estruturais.

PEQUENOS DESVIOS

Escoliose é o termo usado para a curvatura lateral da coluna, ou seja, quando vista de costas a coluna faz um S quando deveria estar direita e a criança parece ter um ombro mais elevado que o outro.

Causas: Há desvios que têm origem numa deformação na estrutura da coluna e há outros que são uma compensação por perturbações, quando, por exemplo, uma pessoa tem uma perna maior que a outra. A ortopedista Antónia Fonseca indica que as escolioses causadas por más posturas não têm problema algum e que, de facto, muitas vezes as diferenças de tamanho das pernas (chamadas dismetrias) se resolvem no fim do crescimento. 'O membro que é mais curto dá um esticãozinho, um encerra mais cedo, o outro acaba mais lento, e às vezes a dismetria diminui', explica, salientando que 'as que são superiores a 4 cm são resolvidas com cirurgia'. Mas, atenção!, cerca de 70% das escolioses não têm causa bem definida, iniciam-se entre os 10 e os 12 anos e podem progredir ou piorar até ao fim do crescimento, o que normalmente acontece por volta dos 15-16 anos.

Durante a infância a escoliose afecta meninos e meninas, mas na adolescência as raparigas são cinco a oito vezes mais afectadas. Prevenção e tratamento: Não é possível prevenir a escoliose, mas a sua detecção e tratamento na fase de crescimento da criança irá evitar a sua evolução. A escoliose sem causa definida pode passar despercebida porque raramente se apresenta com dor na criança. Os maus hábitos adoptados ao sentar, andar e permanecer em pé podem ser facilmente observados pelos pais e educadores. Para evitar a progressão do desvio devem ser tomadas medidas de fortalecimento da musculatura da coluna através de actividades físicas, como a natação.

A IMPORTÂNCIA DE SE SENTAR BEM

As cadeiras e as mesas das salas de aula são tão importantes para a coluna como o peso das mochilas que carregam. É importante a maneira como as crianças se sentam e onde se sentam. As nossas escolas não têm dado a atenção devida a este assunto: o equipamento padronizado não responde às necessidades das diferentes idades, sendo que as mesas de trabalho destinadas aos alunos de 9-10 anos são as mesmas usadas pelos miúdos de 6-7 anos, sem atender às diferentes fases do crescimento.

PREVENIR

É muito importante que as crianças mantenham actividades físicas que promovam e estimulem o equilíbrio do seu corpo. Aqui ficam alguns conselhos para que os mais novos cresçam sem problemas de coluna.

ACTIVIDADES DIVERSIFICADAS Não praticar apenas um desporto até aos 12 anos. 'As crianças não devem fazer desportos que trabalhem só uma parte do corpo para se desenvolverem harmoniosamente - e é importante referir isto como prevenção', salienta Antónia Fonseca.

ALONGAMENTOS É natural que uma criança de 5 anos tenha certa flexibilidade, por exemplo que consiga tocar com as palmas das mãos no chão sem dobrar os joelhos. Mas isso nem sempre acontece, porque tem excesso de peso ou uma vida sedentária.

PESOS E CARGAS Uma criança não deve transportar carga que ultrapasse 10% do seu peso, ou seja, se pesar 30 kg, só deve carregar na mochila 3 kg de material. Acima destes valores aumenta-se o esforço da musculatura em fase de crescimento e de adaptação.

BOA VISÃO E AUDIÇÃO Uma criança que tenha dificuldades de visão ou audição irá adoptar posturas de compensação que lhe permitam melhorar a acuidade visual e auditiva e isso reflecte-se na coluna. Uma das maneiras de detectar este problema é pelo aproveitamento escolar do seu filho. Uma consulta médica é quanto basta para despistar estas situações.

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