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Odete Patrício

Optimista, capaz de equilibrar as exigências da arte e o rigor das contas, é uma das gestoras de maior longevidade: é directora-geral da Fundação Serralves há 14 anos.

Cristina Correia/ACTIVA

Licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia do Porto, em 1977, foi professora universitária assistente e aos 24 anos já era assessora dos Laboratórios Bial para questões económico-financeiras.
Uma carreira invejável, que começou bem cedo. Em 1983 entrava no mundo da alta finança, primeiro como técnica de análise económica e financeira do BPA, depois como analista de investimentos internacionais do mesmo banco. De 1990 a 1991 ainda dirigiu a Companhia Portuguesa de Gestão de Fundos de Investimento Imobiliária.
É então que é recrutada para dirigir Serralves. Em 1988, já com muita bagagem profissional, decidiu-se por uma pós-graduação em Análise Financeira na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. 'Uma pós-graduação ou um MBA (Master Business Administration) não fazem mal a ninguém. Mas acho um erro terrível fazê-los sem ter trabalhado durante uns quatro ou cinco anos. O mais importante é fazer reciclagem de conhecimentos ao longo da carreira: pode ser através de um MBA, uma pós-graduação, estudar muito por nossa conta, ler um guru da gestão e revistas especilizadas.'

ARRUMAR A CASA
Quando chegou a Serralves, encontrou 'uma casa com pessoas muito motivadas, mas muito desarrumada'.
Começou a pô-la em ordem: definiu funções e procedimentos de compra de obras de arte, estabeleceu um organograma, correu atrás de mecenas, eliminou gastos supérfluos, reestruturou a carteira de aplicações financeiras da Fundação.
E como se consegue fazer o malabarismo entre o rigor das contas e as exigências de qualidade da arte?
'É uma questão de negociação e diálogo: se gastarmos mais numa exposição, podemos convencer o artista a doar uma obra; podem existir custos que a partilhar com outra instituição. O segredo do nosso sucesso é não sermos mesquinhos ao ponto de dizer 'não fazemos isto porque não há dinheiro'. Se não dinheiro aqui, arranja-se noutra coisa!'

A MARCA FEMININA
Entre o dinheiro e os egos, a gestora não tem dúvidas: 'Custa mais gerir pessoas. Mas dá mais satisfação motivar e conquistá-las para o projecto, não deixar que se instalem climas de maldizer.' É uma chefe muito exigente, admite. 'Tenho alguns ataques de mau humor', ri. 'Mas sabem que sou leal a eles e que podem contar com o meu apoio para resolver os problemas.'
Quando recruta colaboradores, procura mais do que um bom currículo. 'Claro que as boas qualificações são importantes.Mas valorizo muito a perseverança, entusiasmo, boa disposição. Gosto de pessoas com alguma emotividade, de bem consigo. Tento imaginar aquela pessoa a trabalhar aqui.'
Não acha que o facto de Serralves ter uma mulher aos comandos tenha feito a diferença. 'No entanto, as mulheres podem ser mais perseverantes e boas executantes', opina.
O que é preciso é ser um bom gestor: 'Rigoroso mas flexível, sensível para a realidade, ter capacidade de decisão, porque as coisas não podem parar, ser dinamizador, dar feedback positivo e negativo. Um gestor é um maestro: imprime o ritmo, motiva as pessoas, dá-lhes segurança.'

O DESCANSO DA GUERREIRA
Mas nem tudo foram contas e arrumar a casa. Para descomprimir do stresse não dispensa duas sessões semanais de natação, muita leitura é fã incondicional dos escritores Ian McEwan e de Paul Auster e cinema.
Durante estes 14 anos, conseguiu conciliar uma carreira exigente com a educação de um filho adolescente, que hoje é um homem de 27 anos. 'Tivemos muito apoio familiar e tentei que o tempo que passámos juntos fosse de grande qualidade e proximidade. Acho que resultou muito bem', exclama com orgulho.
E ainda houve tempo para viver uma grande paixão que resultou em casamento. 'Para nos sairmos bem profissionalmente temos de carregar baterias numa boa vida afectiva. Isso é o meu combustível: um casamento feliz e uma relação fantástica com o meu filho.'

FAÇA COMO ELA
Se planeia uma carreira na área da Economia e Gestão, eis algumas sugestões: Universidade Católica Portuguesa, licenciatura em Administração e Gestão de Empresas. Universidade do Algarve -Faculdade de Economia Licenciatura em Gestão de Empresas. Universidade Nova de Lisboa -Faculdade de Economia Licenciatura em Economia.

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