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Conceição Pinhão

Gerente da fábrica de confecções Afonso

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Conceição Pinhão

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A luta de Conceição, 43 anos, começou no dia 29 de Novembro de 2004, quando impediu os donos da Afonso Confecções, na vila minhota de Arcos de Valdevez, de retirar, às escondidas de todos, máquinas e materiais da fábrica, deixando sem trabalho as 88 mulheres e 3 homens ali empregados.

A intenção era, afinal, construir nova fábrica na República Checa e fechar a de Arcos. Conceição, como gerente com plenos poderes, conseguiu, juntamente com os funcionários e suas famílias, impedir a retirada dos meios de produção. "São 270 bocas a depender da fábrica", observa Conceição. "Num concelho onde quase não há emprego para as mulheres, a solução seria voltarem para os campos. Muitas acabaram de ganhar alguma independência." Impedidos de levar a sua avante, os sócios alemães boicotaram-lhes encomendas junto de clientes habituais.

Metade da produção desta empresa especializada em camisas destina-se à Alemanha. Os outros 50% dividem-se entre os mercados holandês, norte-americano e português. "Tenho tentado serenar clientes antigos e captar novos. Por enquanto temos encomendas para os próximos tempos. Precisamos mesmo é de trabalho." O pagamento do 13.º mês de 2004, a modernização de máquinas e cursos de reciclagem de conhecimentos para as trabalhadoras são as grandes necessidades da Afonso.

Não contam com subsídios do Estado ou da União Europeia e apenas a Câmara Municipal de Arcos ajuda no que pode. Conceição, que não aceitou as várias ofertas de emprego que lhe foram feitas, salienta "a onda de solidariedade que se gerou." Casada e com um filho, continua a aguentar o 'forte' e espera que os donos da fábrica lhe cedam as quotas da Afonso, para que encontre uma solução em Portugal.

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