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A escravatura do número

"Não sou a coitadinha da gorda"

Ana Lúcia Martins, Jornalista SIC

Quando começou a aprender a contar na escola primária, Ana Catarina Carvalho nunca pensou vir a descobrir que os números pudessem ser uma fórmula para definir pessoas. Seja no peso, nas medidas ou nos tamanhos da roupa, os números tornaram-na refém de um ideal do corpo perfeito. Entrou numa luta para se encaixar num tamanho imposto pela sociedade mas por pouco tempo. Autora do Blogue "Vestígios de um batom" e modelo "pluz size", Ana Catarina aceita o corpo e não tem por ambição baixar o número que aparece na balança.

"Neste momento, sou uma pessoa segura e posso dizer que não sou a coitadinha da gorda mas a gorda feliz e acho que há uma grande diferença nisso".

Numa viagem à infância, lembra-se de ter sido sempre a mais gordinha da turma. Uma diferença que na altura lhe era indiferente. Até ao dia em que se apercebeu de que o número da roupa para ela estava longe do número das amigas do secundário.

Vídeo: "eu é que não era normal"

Os comentários de quem lhe era próximo marcaram-na sempre muito mais do que qualquer ofensa vinda de fora. A blogger é uma das entrevistadas do novo programa da SIC "E Se Fosse Consigo?", que nesta segunda-feira aborda o tema da discriminação em relação ao peso e à imagem. Numa praia, um ginásio anuncia uma aula grátis com várias modalidades para quem quiser inscrever-se. Uma jovem aproxima-se do funcionário mas a mãe não a deixa fazer a inscrição e humilha a filha em público por ser gorda.

E se fosse consigo - veja o vídeo

A imagem. Tantas vezes se traduz em números. Se o tamanho da roupa for abaixo do 44 é considerado regular, se for acima disso entramos no mundo do "plus size". Para Ana Carvalho, a expressão é mais um sublinhar da diferença que não deveria existir. Mas no blogue há sugestões de tamanhos grandes além de tutoriais de maquilhagem e vários "looks" que servem de inspiração às seguidoras para tirarem o melhor partido do seu corpo.

O retorno tem sigo grande e vem de todos, porque é para todos. Pessoas mais gordas e pessoas mais magras procuram uma única coisa: auto-estima. E alguém que usa um 36 não tem obrigatoriamente a auto-estima mais elevada do que alguém que vista o tamanho 56.

"São apenas números e antes de sermos um algarismo somos pessoas.", diz a blogger.

Vídeo: "a expressão plus size devia ser abolida"

O programa de Conceição Lino E Se Fosse Consigo, vai para o ar segunda-feira, às 20h50, logo a seguir ao Jornal da Noite, na SIC.

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