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Suicídio: a importância da prevenção

No dia 10 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. E, de acordo com os dados (2015) da Organização Mundial de Saúde, em média, mais de 800 mil pessoas cometem suicídio, por ano, em todo mundo. Em Portugal, 14.1 em 100 mil pessoas puseram termo à sua própria vida.

Daniel Martins, Psicólogo/Neuropsicólogo

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A prevenção do suicídio e a compreensão da experiência de quem perde alguém que tirou a sua própria vida é um tema muito importante e que requer cada vez mais destaque porque afeta a qualidade de vida das pessoas que a rodeiam e da família e é tanto um problema de saúde quanto um problema social.

Não existe uma única causa para o suicídio. O comportamento suicidário ocorre quando fatores stressores excedem as estratégias de coping do individuo que sofre de uma condição de saúde mental. A depressão é a condição mais comumente associada ao suicídio e muitas vezes não é diagnosticada e tratada. Perturbações como a depressão, ansiedade e consumo de substâncias, especialmente as não resolvidas, aumentam o risco de suicídio. Mas antes da pessoa cometer o suicídio vai dando sinais de 'alarme' como, mudança de comportamentos (aumento de consumo de álcool ou drogas, pesquisas de como por termo à vida, agir de forma imprudente, desistir de atividades, isolar-se de familiares e de amigos, dormir pouco ou muito, visitar ou telefonar a amigos para despedir-se, oferecer bens pessoais, tornar-se agressivo), de humor (depressão, perda de interesse, raiva, irritabilidade, sentir-se humilhado, ansiedade) ou através de expressões verbais (“sou um fardo para vocês”, “sento-me sem saída”, ”tenho uma grande dor”, “não tenho razões para viver”, “quero desaparecer”).

Todavia, os fatores de risco que aumentam a probabilidade de a pessoa pôr termo à vida estão relacionados com características pessoais (sofrer de alguma perturbação mental: depressão, ansiedade, bipolar, esquizofrenia, personalidade borderline ou antissocial, comportamento disruptivo; doença crónica; consumidor de substâncias), contexto social (eventos stressantes da vida como o divórcio, perda de emprego ou a morte de um ente querido; fatores de stress prolongado, que podem incluir assédio, bullying, problemas de relacionamento e desemprego) e história de vida (tentativas de suicídio anteriores, história familiar de tentativas de suicídio).

As reações que se tem ao risco de suicídio ou ao suicídio provocam emoções muito fortes: o medo, a culpa, a raiva, a tristeza, a ansiedade, a vergonha, a saudade. E é neste sentido que, para melhorar a expetativa, qualidade de vida e a saúde geral da população, é necessário investir na compreensão e na prevenção de problemas associados a questões de ordem comportamental, emocional e psicológica que atuam como factores de risco no contexto familiar e da sociedade.

Daniel Martins

Psicólogo/Neuropsicólogo

964042005

gabinete.neuropsicologia@gmail.com