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Top 10 das brigas de Natal e como resolvê-las

Quantas vezes não se zanga a família inteira porque ninguém se entende sobre a consoada? Pedimos à psicóloga Teresa Paula Marques para nos ajudar a manter a paz.

Catarina Fonseca

MilosStankovic

1.ONDE É A CONSOADA?

Os pais dela acham que deve ser na casa deles porque é maior e cabem as crianças todas, os pais dele acham que deve ser em casa deles porque o Natal a 25 é o de segunda categoria, e é difícil que não continuem a tratar os filhos como crianças e a fazer chantagem emocional, e pode piorar, quando ele e ela se separam quando ela o apanhou com a Luisinha da contabilidade, e muitos episódios da telenovela depois tornou a casar-se, de maneira que agora além de dois pares de avós há três, e as crianças, para onde é que vão, não é justo que vão para os pais do Rui, mas também não é justo que o Rui festeje com os pais do Manel, era o que faltava, aHHHHHHHHH!

COMO RESOLVER:

“Anuncie que vai ser democrática: num ano passa o dia 25 e no outro a véspera, e eles terão de se contentar. Pode sempre apelar para um plano B – não passa o Natal com ninguém. Aproveite os programas de consoada que alguns hotéis anunciam, e diga que ganhou o prémio numa promoção irrecusável.”

2 QUEM TEM PRESENTE

Ela quer dar presentes só às crianças, ele acha que o Natal é uma festa universal e que os adultos estão mais precisados de um presentinho (quer dizer, já se está a ver sem o ecrã plasma que estava a pensar sacar aos sogros, com um bocadinho de boa vontade e algumas indiretas a ver a Final da Taça). Ainda por cima a família cresceu, e só de crianças há mais do que em toda a Kidzania, mesmo que se desse presentes só às crianças já era a ruína! Ah, como percebe o rei Herodes!

Ainda por cima, por que raio é que são sempre as mulheres que compram todos os presentes? E quando se decidiu que a contenção era a ordem do dia, ele aparece no dia 26 com um BMW X5 porque estava a ressacar um presentinho?

COMO RESOLVER:

“Estabeleça um plafond para as prendas: X para as crianças, Y para os adultos, que também merecem, mais que não seja umas meias da loja do chinês. Depois sorteie quem fica encarregue de comprar para as crianças e para os adultos. Quanto ao BMW, não stresse, e dê umas voltinhas nele!”

3 ATURAR UM CHATO

Há famílias encantadoras, em que a avó passou a tarde a fazer bolos, os netos não falam alto, gostam de todos os presentes e agradecem delicadamente, o avô veste-se de Pai Natal e os tios e tias ajudam a pôr a mesa e nunca se pegam uns com os outros. Infelizmente, a sua família não viu esse filme. O avô já não se lembra do nome de todos os netos, metade dos netos preferiu ir para outras casas e a outra metade tenta assassinar com setinhas o Pai Natal de plástico da varanda, a avó passa o tempo a resmungar que se soubesse tinha ido com as amigas para Jerusalém fazer a Via Dolorosa, que sempre devia ser mais divertido, o primo Roberto pega-se sempre com o tio Acácio porque um acha que o TGV deve ser aprovado e o outro acha que andamos todos a reboque da máfia madrilena, o Simão pega-se com a Violeta porque ela diz que Simão é nome de macaco e ele diz que Violeta é nome de vaca, e em resumo, o documentário sobre a família ideal nunca pediria permissão para vos filmar. É possível sobreviver-lhes?

COMO RESOLVER:

“Encare isso com descontração: afinal, são só umas horas. Torne-se uma espécie de observadora, que olha de fora, sem interferir. Vai ver que até lhe vai parecer divertido, e vai ter histórias para partilhar com os seus colegas de trabalho...”

5 DAHHH….

Os malditos miúdos são os reis do Natal, e sabem-no. Aliás, são os reis da vida toda, por isso não é de estranhar que no Natal a situação se repita. As crianças estão no meio da sala a desembrulhar presentes e a família ao lado olha… Passam de um embrulho para outro à velocidade da luz, e parece que nada daquilo os faz verdadeiramente felizes… Os adolescentes passam o serão debruçados sobre o gameboy sem trocar palavra com ninguém. Às vezes são os únicos a ter presentes, e nem se dignam a agradecer…

COMO RESOLVER:

“É um problema que tem de ser combatido ao longo do ano todo, e não apenas no Natal. As crianças têm demasiados presentes... porque os adultos lhos dão! Estabeleça um plafond e seja rigorosa. Pode até pedir que façam uma lista, mas que eles próprios indiquem os preços, para terem noção do valor das coisas. Quanto aos adolescentes, não há volta a dar: eles acham uma seca porque realmente... é uma seca! Os adultos têm de manter cara alegre, mas eles não estão para isso.”

6 MAS EU ODEIO ISTO!

Ela passou o ano inteiro a apontar para a montra da ourivesaria e a dizer ‘eu quero aquilo’. Nada. Ele estava de auriculares (verdadeiros ou metafóricos) e no dia 24 de dezembro à tarde leva as mãos à cabeça e lembra-se que ainda não comprou a única prenda que tem mesmo de comprar. Entra numa loja qualquer e estende a mão e compra qualquer coisa tipo um livro sobre vinhos (para ele próprio), uma caixa de chocolates (que ela não pode comer), uma camisola (que não é o número dela e além disso é às bolas), um saco de água quente com o Noddy, um despertador com um porco que grunhe, uma caneca a dizer ‘Parabéns Vera’ quando o nome dela é Marta. Ela protesta que não era nada daquilo que queria, ele diz que não tem telepatia, ela diz que para o ano escreve uma carta ao Pai Natal, ele diz ‘escreve escreve, e vê lá se ele te entende’, ela diz que os homens são todos uns egoístas, ele vai jogar Playstation, ela vai para o Yahoo Dating Service ou para o www.cotasmaduras.com, onde também não encontra ninguém a não ser trolhas americanos com mais de 345 quilos que deviam ir ao ‘Biggest Looser’. E pronto.

COMO RESOLVER:

“Lembra-se das cartas ao Pai Natal que escrevia em criança? É altura de as retomar, com um upgrade – escreva um e-mail ao Pai Natal onde coloca, claramente, o que gostava de receber e onde se pode comprar. Se o Natal é sinónimo de consumismo, entre na onda e peça o que quer, para não ter surpresas.”

7 QUANDO O NATAL É UMA SECA

O Mini-Natais nem sempre dão briga, mas quem sobreviveu relembra-os sempre como os Natais mais tristes da sua vida. São aqueles típicos do pai-mãe-filho adolescente. Os avós morreram, irmãos não há, e os tios andam nas suas vidinhas, e há três (ou duas…) pessoas à mesa. Se pensarmos bem, é uma cópia (enfim…) da Sagrada Família, mas para a nossa cultura, viciada em clãs quilométricos de irmãos sorridentes e avós de avental aos folhos carregando perus e bacalhaus como nos anúncios, parece-nos pouco. Passam o serão a ver a Júlia Pinheiro ou a Catarina Furtado naquelas emissões que foram filmadas com três semanas de antecedência com toda a gente a fingir que era Natal, tudo a comer em silêncio ou a fingir que se estão a divertir imenso quando ninguém sequer gosta de bacalhau. Ter um Natal de três pessoas (ou duas…) parece que falhámos na vida, que ninguém nos ama, que a nossa família é mesmo pequenininha, e que a culpa é nossa… Quando a criança diz que vai ter com os amigos, ou que vai para o quarto ver quem anda a plantar bacalhaus no Farmville, quem pode culpá-lo?

COMO RESOLVER:

“Cabe a cada um, especialmente aos adultos, esforçarem-se para transformar o Natal num momento diferente. Façam bacalhau com natas. Inovem na ementa. Arranjem jogos onde possam divertir-se os três. A tradição já não é o que era, e há que adaptar este dia à realidade... mesmo com pouca gente.”

8. QUEM ÉS TU?

Passámos um mês a comprar tralha, a decidir onde é que se vai, e o que é que se come, e o que é que se dá à Mimi que tem tudo e ao pobre do sem-abrigo da esquina que não tem nada (podiam casar-se os dois e seriam felizes), e também há mais trabalho porque o chefe é contra o Natal, diz que é uma armadilha capitalista para nos sacar carcanhol e ele é um espírito livre, e como é um espírito livre, mantém-nos algemados ao computador a mourejar noite fora. Quando se consegue escapar, há filas quilométricas na estrada porque toda a gente vai para o Corte Inglés todas as noites, devem andar a ter casos com as garrafas de marrasquino do Club del Gourmet, e depois há a festa de Natal da criança a que, como de costume, só vai a mãe, aliás é a mãe que vai a tudo e compra tudo, o pai limita-se a receber o presente a dizer ‘mas tu sabes que o tweed me pica no pescoço’. Em resumo, já não vê a sua cara-metade há 55 dias, e quando o vê está tão furiosa que explode “para o ano, passo o Natal em Belém!” ao que ele responde: “Caxias é mais bonito nesta época do ano.” Muito engraçadinho. Há de ver os termos do divórcio.

COMO RESOLVER:

“Divida tarefas: explique à sua cara-metade que resolveu inovar, e isso significa implicá-lo nos compromissos do Natal. Ele não tem criatividade para comprar prendas? Então vai para o supermercado munido de uma lista, para adquirir os mantimentos para o repasto. Entretanto, você trata dos presentes.”

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