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Diz quem sabe: conheça melhor a vacinação internacional para estar prevenido numa próxima viagem

Existem destinos com particularidades em relação a vacinação como protecção extra para doenças que no ambiente tropical podem ser fatais ou de difícil controlo.

Céline Machado/enfermeira

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A vacinação faz parte das nossas rotinas de saúde, promove a nossa protecção e dos que nos rodeiam, em todas as idades com esquemas próprios, e de forma precoce desde a primeira infância.

Cumprindo o Programa Nacional de Vacinação essa protecção fica assegurada de forma eficaz e eficiente, seja em casa ou em viagem. O Programa Nacional de Vacinação é um programa universal gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal. Tem como objetivo a proteção de indivíduos e a população em geral contra as doenças com maior potencial para constituírem ameaças à saúde pública e individual e para as quais há proteção eficaz por vacinação. Com este programa de vacinação, tem sido eliminadas ou controladas doenças evitáveis pelas vacinas, incluindo vacinas internacionalmente consideradas mais adequadas para a proteção da população.

No entanto existem destinos com particularidades em relação a vacinação como protecção extra para doenças que no ambiente tropical podem ser fatais ou de difícil controlo. A vacinação internacional garante protecção eficaz desde que cumpridos todos os requisitos.

Assim, ao recorrer a consulta de saúde do viajante, deve levar consigo o seu Boletim de Vacinas e caso já tenha feito vacinação internacional, o Certificado Internacional de Vacinação. Podem existir contra indicações como alergias, idade inferior a 6 meses, imunossupressão ou imunodeficiência e neoplasias malignas, daí a necessidade de fazer a consulta de saúde viajante devidamente creditada.

Existem centros de vacinação internacional espalhados por todo o país, em cada uma das Administrações Regionais de Saúde nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, como já abordei anteriormente aqui.

O tempo até se atingir a proteção contra a doença depende de cada vacina. Para algumas vacinas, como da difteria, tétano e tosse convulsa, são necessárias 3 doses em intervalos recomendados para se considerar que existe proteção completa contra essas doenças, compreendidas no Programa Nacional de Vacinação. São também necessários reforços regulares para a manutenção da proteção ao longo do tempo. Mesmo nas vacinas que necessitam de várias doses, após cada administração já poderá haver alguma proteção (incompleta), que surge geralmente 2 semanas ou mais após cada dose. O que reforça mais uma vez a marcação de consulta do viajante de forma atempada para conseguir assegurar a eficácia da vacinação, quando é necessária.

Normalmente são recomendadas as vacinas contra o Tétano, Difteria, Hepatite B, Sarampo, Papeira e Rubéola, Poliomielite, sazonalmente a vacina da Gripe, isto são as vacinas básicas que compõe o Programa Nacional de Vacinação, o que vem reforçar a necessidade de manter o seu boletim de vacinas actualizado, para qualquer viagem. Dependendo do destino de viagem escolhido e dos seus acontecimentos epidemiológicos podem ser incluídas as vacinas contra:

- Febre-amarela: é segura, eficaz e da qual uma única dose confere imunidade durante toda a vida contra esta doença. A Organização Mundial de Saúde recomenda a vacinação dos viajantes com destino aos países onde a doença ocorre em humanos (América do Sul e África Subsaariana).Existe um conjunto de países em que é obrigatório o comprovativo de vacinação da febre-amarela a todos os indivíduos, como Angola ou São Tomé e Príncipe. Em Portugal a vacina contra a Febre-amarela (STAMARIL®) é uma vacina viva atenuada, para administração em indivíduos com idade ≥ a 9 meses. Uma dose confere protecção entre 7 a 10 dias após sua administração. Tem uma eficácia de protecção que se aproxima dos 100%. Tem obrigatoriedade de vacinação ao viajante tendo em conta o destino de viagem.

- Febre tifóide (em Portugal TYPHIM Vi®) para administração em indivíduos com idade ≥ a 2 anos. Uma dose da protecção 7 dias após sua administração. É necessário revacinar após 3 anos se a exposição se mantiver.

- Doença Meningocócica Invasiva a eficácia da vacina para a doença é maior que 90% e é a forma mais segura de proteção contra a doença. Conforme o serogrupo varia a idade de administração entre idade ≥ a 2 anos ou ≥ a 1 ano. Uma dose confere imunidade apos as duas semanas após sua administração. A necessidade de doses de reforço ainda não foi estabelecida. Tem obrigatoriedade de vacinação ao viajante tendo em conta o destino de viagem. Apenas exigida aos peregrinos que se dirigem a Meca.

-Raiva (em Portugal Rabipur®) é uma vacina inativada, para administração em indivíduos com qualquer idade. Pode ser utilizada em profilaxia pré exposição utilizando um esquema vacinal de 3 doses administradas nos dias 0, 7e 21 ou 28. Se se mantiver o risco de exposição as doses de reforço são geralmente necessárias a cada 2 a 5 anos.

- Encefalite Provocada por Picada de Carraça (em Portugal FSME-IMMUN®) é uma vacina inativada de vírus inteiro, para administração em indivíduos com idade ≥ a 1 ano, que se desloquem para zonas endémicas/epidémicas da doença. O esquema vacinal é de três doses. A primeira dose deve ser administrada na data escolhida, a segunda 1-3 meses depois e a terceira 5 - 12 meses após a segunda dose. O intervalo entre a primeira e a segunda dose pode ser encurtado para 14 dias, mantendo-se o intervalo de 5 - 12 meses entre a segunda e a terceira doses. Se se mantiver o risco de exposição um primeiro reforço deve ser administrado até 3 anos após a terceira dose.

- Cólera (em Portugal DUKORAL®) é uma vacina inativada, para administração oral, em indivíduos com idade ≥ a 2 anos e está indicada para viajantes para zonas endémicas/epidémicas da doença. O esquema vacinal para crianças entre os 2 e os 6 anos de idade é de três doses com intervalo de uma semana entre cada toma. Os indivíduos maiores de 6 anos devem tomar duas doses com intervalo de uma semana. A protecção fica assegurada uma semana após a conclusão do esquema vacinal.

- Encefalite Japonesa (em Portugal IXIARO®) é uma vacina inativada de vírus inteiro, para administração em indivíduos com idade ≥ a 2 meses, que se desloquem para zonas endémicas/epidémicas da doença. O esquema vacinal é de duas doses com 28 dias de intervalo. Uma dose de reforço deve ser administrada 12 a 24 meses depois da vacinação primária. Uma dose confere imunidade a partir das duas semanas após a sua administração.

- Hepatite A (em Portugal Havrix®) é uma vacina inactiva, têm recomendação de vacinação, os viajantes com destino a países endémicos para hepatite A, após consulta de saúde do viajante, de forma gratuita pelo programa nacional de vacinação. A prevenção é feita através de vacina (2 doses, sendo a segunda dose 6 meses depois da primeira dose). Normalmente é necessário um período de 2 a 4 semanas após a administração da vacina para ficar protegido. A proteção a longo prazo requer a administração de uma segunda dose (dose de reforço) da vacina. Os adultos saudáveis que receberam duas doses têm níveis de anticorpos durante, pelo menos, 6 anos. Prevê-se que os anticorpos contra a hepatite A se mantenham, pelo menos, 25 anos após a vacinação.

Os preços associados à vacinação internacional têm uma taxa sanitária no âmbito do Serviço Nacional de Saúde associada a vacinação da febre-amarela e febre tifóide com o valor de 20€ por cada vacina. A vacina da Encefalite japonesa e da raiva tem o preço de 15€ por inoculação. Os preços praticados a nível privado podem divergir destes valores. Acresce também ao pagamento da administração da vacina, sendo um acto de enfermagem.

Todas as vacinas recomendadas aos viajantes, fora do Programa Nacional de Vacinação, são comercializadas nas farmácias locais, mediante prescrição clínica, podem ser administradas em qualquer serviço de vacinação internacional. Não dispense a ida a consulta de saúde do viajante, faz parte da viagem como o seu bilhete electrónico de voo. Viagem com saúde, sempre.

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