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Educação Financeira dos 3 aos 20

A ideia não é ter um minieconomista em casa nem transformar a vida num MBA de economia doméstica, mas dar-lhes as ferramentas para que eles saibam usar o dinheiro melhor do que nós... O que é que podemos ensinar-lhes a cada idade?

Catarina Fonseca

Getty Images/iStockphoto

3 -5 anos:

•  A primeira coisa a saber: é preciso dinheiro para comprar coisas.

•  O dinheiro não ‘vem’ do Multibanco como os ovos vêm da galinha. O dinheiro ganha-se trabalhando em várias profissões. Explique-lhe que tipo de trabalho faz.

•   Às vezes é preciso esperar e poupar para comprar qualquer coisa que se quer.

Como treinar:
Ensiná-lo a distinguir o valor das moedas. Dar-lhe pequenas quantias para ele pagar alguma coisa, como um jornal ou um chocolate. Ensinar que há muitas atividades que não custam dinheiro e dão prazer, como brincar com os amigos, passear ao ar livre ou jogar à bola. E comece desde pequenino a discutir abertamente assuntos de dinheiro: não faça dele um tabu.

6 -10 anos:

•  É altura de aprenderem que cada pessoa escolhe como gastar o seu dinheiro. Se comprarmos algumas coisas, não podemos comprar outras.

•  Antes de comprar, convém comparar preços em diferentes sítios.

•  Pôr o dinheiro no banco ajuda a protegê-lo.

Como treinar:
Ensine a diferença entre precisar e querer. Leve-o ao supermercado e fale com ele enquanto faz as compras. Mostre-lhe a importância de fazer uma lista, para não comprar por impulso. Explique a diferença entre coisas caras e baratas, e encarregue-o de comprar alguma coisa. Não recompense com dinheiro as boas notas nem as tarefas caseiras e também não retire a mesada quando ele tiver uma negativa.

11 - 13 anos:

•  Ensine-lhe que se deve poupar sempre uma parte daquilo que se recebe.

•  Nunca se deve partilhar informação financeira online, por uma questão de segurança.

•  Deve-se desconfiar das maneiras fáceis de ganhar dinheiro.

Como treinar:
Encoraje-o a poupar, para comprar alguma coisa que queira muito. Duas ou três vezes por ano, vá com ele ao banco depositar o que poupou. Explique como funciona um cartão de crédito: se não conseguir repor tudo o que falta nesse mês, vai ter de pagar mais do que aquilo que gastou. Abra uma conta para o seu filho e explique-lhe como funciona. Convide-o a participar no orçamento familiar e ouça as suas sugestões.

14 - 18 anos:

•  Habitue-o a fazer uma lista daquilo que gasta e daquilo que poupa. Se for pedir muito, pelo menos habitue-o a guardar os recibos daquilo que comprou, para não perder o pé aos gastos.

•  Antes de ele tomar uma decisão sobre o curso que vai seguir, convém comparar os custos das universidades que quer frequentar. Discutam os gastos e como podem pagar.

Como treinar:
Explique para que servem e como funcionam os impostos, e que as pessoas pagam consoante aquilo que ganham. Ensine-lhe que existem alternativas em tudo – como gastar, como poupar, onde investir – e como pode jogar com todas elas.

Mais de 18:

•  Mostre-lhe que é vantajoso escolher uma conta que poupe automaticamente todos os meses uma parte do dinheiro.

•  Poupar leva tempo e é um investimento no futuro. Ajude-o a começar um Plano de Poupança e Reforma.

•  Os pais não são a galinha dos ovos de ouro: mais cedo ou mais tarde ele vai ter de se desenvencilhar sem eles. Saberá sobreviver sozinho?

Como treinar:
Definam quais são os objetivos dele para os próximos anos: comprar casa? Alugar? Comprar carro? Qual será a maneira mais prática e segura de começar uma vida independente?

 

Dar ou não dar semanada?
Esta é uma questão que os pais têm de decidir, é uma opção deles, mas continua um instrumento útil na aprendizagem dos mini-gestores. A mesada não deve ser demasiada (caso em que a ‘lição de poupança’ se perde) nem irrealista (caso em que o ‘assalariado’ desiste logo de poupar).

Portanto, faça um cálculo dos gastos que a criança terá durante a semana e acrescente mais algum. “Não se sinta desanimado se a criança gastar todo o dinheiro da mesada”, adverte o site www.asfac.pt, da Associação de Instituições de Crédito especializado.

“Cometer erros é normal e vai ensiná-lo a evitar erros maiores. O importante é não lhe dar mais dinheiro, para que da próxima vez ele espere antes de gastar tudo o que tem.” De qualquer maneira, lembre-se de uma regra de ouro: o dinheiro dele é para gastar da forma que ele bem entender... Ou seja, respeite o dinheiro dele. Afinal, decidir onde gastar é uma das principais lições de economia... O que não quer dizer que não imponha certos limites...

“Quando não concordar com as compras do seu filho, tente apenas estabelecer algumas restrições a gastos com os quais não concorda.” Lá por ser mãe dele, não está obrigada a dar-lhe tudo o que ele pede. O conselho clássico permanece válido: não se atormente por não dar ao seu filho tudo o que ele pede. Não deixe que ele perca, como dizem os psiquiatras, esse precioso dom que é a capacidade de desejar...

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