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Educar à medida da personalidade do seu filho

Descubra a personalidade do seu filho e nós dir-lhe-emos a melhor forma de lidar com ele. Birras incluídas.  

Catarina Fonseca

Foto: Chicco

Foto: Chicco

Eduquei-os da mesma maneira e no entanto o que funciona com um não funciona com outro…  Já se ouviu a si própria dizer isto? As crianças não são todas iguais e reagem de forma diferente aos ‘métodos’ educativos das mães. O melhor a fazer? Adaptar cada reacção à criança que tem. Há muitos tipos de personalidade, mas aqui ficam quatro tipos básicos. Descubra qual deles se adequa melhor à sua criança.

A sua criança é… 
Alegre. É radiosa como o sol. Gosta de comunicar, de conversar, de fazer amigos, de estar com outras pessoas, de se divertir. Precisa de pais otimistas e confiantes, que a deixem voar. Lado mau: pode precisar de uma ajudinha para se organizar, porque tem dificuldade em concentrar-se. 

Sensível. Rege-se acima de tudo pela emoção. É subtil e pensativa, precisa de pais que a ouçam, que respeitem o seu ritmo, que não lhe falem em voz alta e que lhe deem confiança. É respeitosa, mas pode ter medo de arriscar. É muitas vezes acusada de ser tímida, medrosa e demasiado sensível.

Determinada. Gosta de experimentar coisas novas. É curiosa, ativa, persistente e enérgica. Precisa de pais que apoiem a sua sede de novas experiências e que não estejam sempre a travá-la. Na sua busca, pode ser julgada como hiperativa e inconstante. 

Séria. O seu barómetro é a razão e a lógica. Esta pensa antes de agir. É ‘perguntadora’ e interessada, sabe o que quer, sabe como consegui-lo. Pode ser ambiciosa, eficiente e trabalhadora, ou mais sossegada, aquela criança que quer é estar na dela. Tal como a criança determinada, precisa de pais que apoiem as suas ambições e que lhe mostrem, ao mesmo tempo, o lado doce e carinhoso dos afetos. O lado mau: é muitas vezes julgada como a sabe--tudo, e tem um longo caminho de invejas a suportar… 

Ocasiões de stresse: como reagir?

Ocasiões de stresse: como reagir?

Pede-lhe para arrumar o quarto dele ou que  a ajude a tratar da casa. 
Alegre: Não sabe por onde começar e stressa imenso até que alguém se lembra de transformar a coisa num jogo. 
Sensível: Adora ser valorizado: faça uma tabela e dê-lhe uma estrela de cada vez que fizer qualquer tarefa bem feita.
Determinado: Arruma… quê? É daqueles que desaparece quando é preciso arrumar alguma coisa e reaparece milagrosamente quando alguém já fez todo o trabalho. Recorra à estratégia do jogo ou da estrela.
Sério: Adora saber que cada coisa tem o seu lugar, o que nem sempre significa que seja arrumadinho. Não imponha a sua ordem, ajude: dê-lhe caixas para ele próprio se organizar. 

Ele está mesmo zangado. É a situação clássica de gritos e pontapés. Qual é a melhor maneira de reagir?
Alegre: Não é de birras, mas pode descontrolar-se ligeiramente. Neste caso, pode ter a ver com falta de atenção ou excesso de controlo ou excesso de… monotonia. Leve-o a divertir-se com qualquer coisa descontraída, como uma ida ao cinema ou às compras. 
Sensível: Geralmente, as birras têm a ver com situações de stresse, que ele sente que não domina.
O que é novo na vida dele? O que lhe anda a escapar? Ou precisa de mais tempo a sós com a mãe? Também pode ser qualquer coisa mais básica, como sono, fome ou calor (os sensíveis costumam ser mais, pronto, sensíveis às necessidades básicas). Passe uma tarde sossegada só com ele, leve-o a uma livraria ou a comer um gelado. 
Determinado: Tem estado a dizer-lhe ‘não’ demasiadas vezes? Ele sente-se demasiado controlado? Não terá falta de ar livre, bola e correrias? Leve-o ao parque a dar uns chutos ou experimente uma atividade nova com ele. 
Sério: O seu filho precisa de ser mais respeitado e ouvido? Precisa de ser mais acompanhado para desenvolver os seus interesses? Ou precisa de mais… mimo? Às vezes, as crianças sérias dão aquela impressão de que se bastam a elas próprias, e os beijinhos ficam para trás… Peça ajuda para uma tarefa e puxe conversa sobre qualquer coisa filosófica.

Há mudança de planos. Como reage a sua criança?
Alegre: Vai pacificamente com a onda, desde que lhe expliquem o que vai acontecer, e até é capaz de encontrar vantagens nos novos planos
(puxe por esses pontos fortes).
Sensível: Fica transtornado e até a acusa de mentir (é o famoso “mas tu disseste!”). Não se defenda, que é inútil: explique-lhe calmamente o que vai acontecer. Para um sensível, o importante é sentir que controla a situação. Mantenha a calma, dê-lhe tempo para se habituar e não faça uma birra em espelho.
Determinado: Zanga-se imenso, mas passa-lhe depressa. Ajude-o a fazer novos planos e a entusiasmar-se com o que aí vem.
Sério: Detesta perder o controlo do que quer que seja mas também não gosta de dar parte de fraco. Fica a remoer sozinho os prós e contras até perceber como retomar o controlo da situação, o que consegue fazer com relativa facilidade.


As notas desceram? A razão pode ter a ver com a aprendizagem... 
Alegre: Aprende depressa: se vê o irmão queimar-se no fogão, não lhe toca. Notas baixas? Pode ter arranjado mais com que se entreter...
Sensível: Aprende afetivamente: a mãe diz-lhe que o fogão queima e ele nem chega perto. Se está com dificuldades, o mais provável é que a vida familiar esteja a afetar a vida escolar, ou ter  ‘encalhado’ com um professor ou um colega.
Determinado: Aprende por curiosidade: a mãe diz-lhe que o fogão queima e ele vai lá de propósito meter o dedo para confirmar. As notas podem baixar quando o conhecimento se torna mais abstrato e a vida mais real... A motivação é preciosa. 
Sério: A mãe diz que o fogão queima e não é preciso dizer-lhe mais. Se as notas baixam, pode estar aborrecido, ou sabe demais para o nível em que está. 

Ele embirra com um professor porque…
Alegre: É porque se passa qualquer coisa fora do comum, porque um Alegre geralmente não embirra com ninguém. Investigue.
Sensível: O professor pode não estar a ajudá-lo em alguma dificuldade, pode ter ofendido a sensibilidade do Sensível, ou houve algum mal-entendido. 
Tente perceber melhor.
Determinado: O professor pode ter imposto limites que este não aceita se os vir como injustos.
Sério: Ou o professor pôs em evidência alguma da suas fragilidades (coisa que um Sério não perdoa) ou é incompetente (que perdoa ainda menos).