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Crianças: dê-lhes vitamina S(ujidade)

Sabia que a imunidade dos seus filhos seria reforçada se eles brincassem mais na terra e rebolassem na relva? A nossa obsessão com a limpeza está a torná-los mais vulneráveis às doenças.

Gisela Henriques

É oficial: a mania de nos livrarmos a todo o custo de germes está a ser prejudicial à nossa saúde. Brett Finlay e Marie-Claire Arrieta, especialistas em microbiologia e autores do livro ‘Deixe-os comer terra’, são claros: um estilo de vida assético faz com que as crianças tenham uma flora microbiana pobre em diversidade, mais suscetível a distúrbios não infeciosos crónicos como alergias, asma, doenças inflamatórias do intestino e obesidade. Como evitar que isso aconteça? Passar mais tempo ao ar livre, menos obsessão pela limpeza, menos stresse e uma alimentação saudável vai fazer com que os 40 biliões de bactérias vivam no nosso corpo em equilíbrio. É verdade que há bactérias perigosas, mas estas são apenas uma minoria entre as milhares de espécies que fazem bem à saúde. Dez maneiras de aumentar a imunidade das crianças.

Não Esterilize biberões
Fale com o seu pediatra, mas a Academia de Pediatria Americana aconselha a lavá-los em água a ferver quando são utilizados pela 1.ª vez ou quando a água de casa não é boa para beber. De resto, defendem que sejam lavados com sabão e água, embora com cuidado para não deixar resíduos de leite presos nas ranhuras de biberões e tetinas já que isso pode ser fonte de proliferação de bactérias nocivas.

Esqueça os sabonetes antibacterianos
Não precisa deles, isto porque se constatou que não oferecem benefícios em relação aos sabonetes normais a não ser em ambiente hospitalar.

Toque no recém- -nascido
Desde que as pessoas que peguem no bebé não estejam doentes com alguma infeção e lavem as mãos antes de lhe pegarem não há inconveniente nenhum, o contacto humano é benéfico.

Dê-lhes alimentos mais saudáveis
Aos 4-6 meses costuma ser a altura em que o pediatra dá luz verde para os bebés começarem a comer sólidos: um alimento novo a cada 2-3 dias. Assim, não só vê se há intolerância ou alergia ao alimento como dá tempo ao sistema digestivo do bebé se habituar à nova comida. Sempre com o ok do pediatra, experimente várias proteínas (peixe, carne, ovos, tofu), leguminosas (grão, feijão, lentilhas, ervilhas), cereais (trigo, cevada, centeio, arroz, aveia, quinoa), vegetais (além dos comuns, a batata-doce e a pastinaca). Não dê alimentos açucarados, nem mesmo sumos. As crianças têm tempo de os comer mais tarde

Se a chucha caiu ao chão...
O importante é saber em que superfície caiu. Se for no chão de transportes públicos ou centros comerciais, é melhor passar com água e sabão (chucha ou brinquedos). Se for em sua casa, ou na de um amigo, ou num espaço verde, se calhar basta passar por água ou, se for o caso da chucha, passar 5 segundos na boca do pai ou da mãe e já está.

Lave a fruta e legumes
Na maioria dos casos, deve lavá-los sempre. “Estes alimentos são muitas vezes consumidos crus, o que significa que qualquer contaminação que tenha ocorrido pode entrar em contacto com quem os comer.” Deve lavá-los também para eliminar os vestígios de pesticidas e mesmo que os alimentos sejam bio é melhor passar por água. Só se tiver uma horta e os alimentos não levarem qualquer tratamento e forem regados pela água da chuva ou através da sua torneira é que pode comer sem lavar.

As mãos lavadas sim, mas não a toda a hora
Lavar as mãos continua a ser a melhor forma de não contrairmos doenças infeciosas, mas é escusado obrigar as crianças a fazê-lo constantemente. Dizem os autores do livro que a lavagem das mãos deve acontecer antes das refeições, depois de irem à casa de banho, depois de estarem em contacto com alguém doente, se tocarem em lixo, ou depois de estarem em lugares frequentados por muita gente (centros comerciais e transportes públicos). Se estiverem a brincar em espaços verdes, “o perigo de ficarem infetadas com micróbios que transmitam doenças humanas desce drasticamente. Deixe-os tocar em tudo, relva, terra, árvores, insetos, flores (exceto dejetos de animais). E deixe-os ficar sujos até durar a brincadeira ou chegar a altura de comer”.

os brinquedos
não têm de estar a brilhar
Basta lavá-los com água e sabão quando estiverem visivelmente sujos ou então depois
de uma criança doente ter brincado com eles.

Doseie o antibiótico
Estes são apenas eficazes se a infeção for de origem bacteriana, contra os vírus e outros micróbios não têm qualquer impacto. O problema é que quando usamos os antibióticos – que são uma criação extraordinária e melhoraram a nossa qualidade de vida exponencialmente – matam as bactérias más e as boas, daí que um dos efeitos secundários mais frequentes após sua a toma seja diarreia, porque desequilibram a nossa flora intestinal.
Há também vários estudos que relacionam a toma de antibióticos durante a gravidez e no primeiro ano de vida do bebé a um risco maior de asma, alergias e obesidade. O seu uso excessivo e indiscriminado também está a fazer com que estes seres minúsculos desenvolvam mecanismos de resistência mais depressa do que nós conseguimos descobrir novas fórmulas mais eficazes contra bactérias. As infeções nos ouvidos, por exemplo, são das mais comuns nos primeiros meses de vida e das mais difíceis de perceber se são de origem viral ou bacteriana. Muitas vezes os médicos, pelo sim pelo não, receitam antibiótico. Fale com o pediatra para verem o que será melhor: avançar logo para antibiótico ou esperar mais um tempo, até ter a certeza de que a infeção é bacteriana.

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