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Regras para criar filhos saudáveis (e felizes)

Regras que são quase senso comum mas que ficam esquecidas no nosso disco rígido. Ajudamos a recuperar do baú da memória e tornar mais claro aquilo que realmente é importante para que os nossos filhos cresçam para serem adultos saudáveis e felizes.

Gisela Henriques

Evtstratenko Yuliya

1. Ir para a cama cedo

Se o seu filho leva mais de 30 minutos a adormecer, a raiz do problema pode estar no facto de ele estar cansado demais para dormir. Com certeza isso já lhe aconteceu. Pois às crianças isso também sucede. Ponha-os
na cama meia hora mais cedo, conte uma história e apague a luz. A Academia Americana do Sono recomenda:

• 10 a 13 horas de sono para crianças dos 3 aos 5 anos

• 9 a 11 horas para crianças dos 6 aos 13 anos

A fórmula mágica para que os miúdos durmam o suficiente todas as noites sem problemas resume-se a uma palavra: rotina. Devem deitar-se todos os dias à mesma hora (ao fim de semana não deixe passar mais de meia hora depois).

2. Cumprir as regras de segurança

Quer seja no carro (usando o cinto de segurança), a andar de patins ou de bicicleta (com o capacete na cabeça). Já ouviu “Eu e os meus irmãos andávamos todos sem cinto no carro aos trambolhões e estamos todos cá.” Esqueça, há sempre quem minimize os procedimentos de segurança e se esqueça que há 30 anos os carros eram muito menos e andavam a menor velocidade. Voltando ao século XXI e à realidade, o cinto de segurança salva vidas e deve ser posto mesmo que a viagem seja de 100m. Quatro das 15 crianças com menos de 12 anos que morreram em acidentes de viação em 2015 no nosso país não traziam cinto de segurança. Este diminui em 50% o risco de lesão grave e morte em caso de acidente, dá conta a Administração de Segurança de Tráfego nas Autoestradas Americanas.

3.Beber água com frequência

Para nós, adultos, há o número mágico do 1,5l de água por dia (que ainda assim não é para todos) mas para as crianças não há nenhuma quantidade aconselhada. Tudo depende do peso, altura e da atividade física. Como eles desidratam facilmente, leve sempre um biberão/termo com água para lhes ir oferecendo, mesmo que não peçam (quando pedem é porque já estão um pouco desidratados). Se não gostam de água, resista aos sumos porque esses têm muito açúcar adicionado. Adicione uma rodela de limão, de laranja ou triture um pouco de fruta congelada só para dar um pouco de sabor. Esteja atenta à cor do chichi, quanto mais transparente e sem cheiro melhor.

4. Não estar na praia nas horas de maior calor

• As crianças com menos de 6 meses não devem ser expostas à luz solar porque a sua pele tem muito pouca melanina, o pigmento que dá cor à pele e que também a protege um pouco da luz solar. Dê passeios com o bebé até às 10h da manhã e depois das 16h, protegendo-o da luz solar direta (com roupa fresca, leve e que lhe tape braços e pernas). Na cabeça deve usar um chapéu que faça sombra também sobre o rosto, orelhas e pescoço.

• Dos 6 meses aos 2 anos: já pode pôr protetor solar próprio para bebés desta idade, de barreira física (mineral). Aplique 30 minutos antes de sair de casa e reaplique a cada 2 horas. Fator de proteção 30 ou 40 para os mais branquinhos.

• Dos 2 os 5 anos: mantenha-os à sombra entre as 11h e as 16h, compre roupa com fator de proteção UV. Não se esqueça do chapéu com abas e de óculos de sol.

5. A importância de vacinar

É das conquistas mais importantes em matéria de saúde pública e permitiu salvar milhões de pessoas. Em Portugal, temos elevadas coberturas vacinais (95%) e podemos orgulharmo-nos de ter:

• Erradicado a varíola;

• Eliminado 5 doenças: poliomielite, difteria, sarampo, rubéola e tétano neonatal;

• Controlado 7: tétano, meningitidis C, hepatite B, parotidite epidémica (papeira), H. influenzae B, tosse convulsa e tuberculose.
Para continuarmos a ser um caso de sucesso, vacine o seu filho na altura certa. A calendarização das vacinas foi pensada para ser o mais eficaz possível. Em 2017 houve alterações ao PNV, entre elas:

• Nova vacina hexavalente (dos 2 aos 6 meses), só uma toma.

• Antecipação da vacina pré-escolar passa dos 5-6 anos para os 5 anos.

• Vacinação contra o cancro do colo do útero, dos 13 para os 10 anos.

6. Aprender a lidar com a frustração

A resposta de uma criança pequena a uma contrariedade é o choro e a birra. E como nós sabemos, crescer é realmente maravilhoso mas também muito difícil por vezes, daí ser imperioso darmos aos nossos filhos ferramentas para lidar com as mais diversas situações. Como é que eles aprendem melhor? Ora bem, pela imitação.

Os filhos são uma espécie de mini-pai ou mãe e mimetizam as atitudes e comportamentos dos adultos lá de casa, para o melhor ou para o pior. Se a maneira de lidar com alguma contrariedade lá em casa for gritos e pratos no chão, o que acha que ele vai fazer da próxima vez que se chatear? Sentar à mesa das negociações? Hummm, não parece. Tente perceber o que o acalma antes da crise de mau génio se instalar: Respirar fundo?
Tocar um instrumento? Dar toques na bola? Pintar? Rir? É também importante eles perceberem que se perdermos a calma a situação não se resolve, só mantendo a cabeça fria e procurando uma solução.

7. Lavar os dentes antes de dormir

Há 40 anos era raro a criança neste país que não sabia o que era uma dor de dentes. Muitos anos e campanhas educativas depois, o cenário melhorou, mas ainda há muito a fazer. Em 2013, um estudo realizado pelo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral revelava que 54% das crianças portuguesas até aos 6 anos estava livre de cáries (em 2000 eram apenas 33%). Para caminharmos para os 100% temos de insistir com os mais pequenos para lavarem os dentes. O que aconselham os dentistas:

• Os pais de crianças até aos 3 anos devem lavar-lhes os dentes pelo menos antes de deitar, com uma gaze, dedeira ou escova macia.

• Dos 3 aos 6 anos a escovagem deve ser feita pela criança, mas com supervisão de um adulto. O dentífrico fluoretado (1000-1500ppm) usado deve ser do tamanho da unha do dedo mindinho da criança.

8. Fazer uma alimentação saudável

Com elementos de todos os grupos alimentares, ou seja, vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais. E quanto mais cedo melhor (e mais fácil).

• Se lhe põe um brócolo no prato e ele já acabou a refeição e ainda lá está inteiro, não o obrigue a comer senão ele vai encarar aquilo como um castigo. Mas pergunte-lhe por que não comeu e continue a fazê-lo. Água mole...

• Seja um modelo a seguir. Se só a ele cabe comer brócolos e sopa de espinafres, não vai ganhar a batalha. Os miúdos seguem mais os exemplos das atitudes e comportamentos do que as regras que lhes apregoamos. À mesa todos devem comer o mesmo.

• Não dê doces quando se portar bem ou tem boas notas porque senão vai crescer a querer doces como recompensa.

• Não jantem à frente da TV. Perdem uma boa oportunidade para conversar e comem sem saborear o que têm no prato. (Exceções para ver o Benfica devem ser negociadas).

• Não seja fundamentalista com comida processada. Ele vai a festas de aniversário, dormir a casa de um amigo… e nessas ocasiões não há controlo. Um dia não são dias.

9. Brincar na rua

A Associação Americana do Coração aconselha as crianças a ter uma atividade física diária ao seu gosto que dure pelo menos uma hora, porque o exercício físico contribui para o fortalecimento ósseo das crianças. Basta correr à vontade no parque infantil. Segundo um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge, em Inglaterra, por cada hora a mais semanal que os miúdos passam na rua a brincar o risco de miopia diminui cerca de 2%.

10. Relaxar é preciso

E tanto pode ser a fazer construções Lego como pintar a paisagem da janela do quarto, inventar músicas no piano, fazer pulseiras... São muitas as pesquisas que asseguram que as crianças expostas a várias formas de arte são mais autónomas na sua forma de raciocinar e pensam mais ‘fora da caixa’, porque trabalhar com as mãos ajuda-as a serem criativas na resolução de problemas. E não são só as crianças que precisam de relaxar, os pais também. Tomem conta das crianças à vez para que cada um possa descansar. Nada de ir às compras ou aproveitar para fazer alguma coisa em casa. Vá passear, arranjar as unhas, ver vários episódios da sua série favorita, ou ler a ACTIVA no sofá com a manta e o gato ou o cão enroscados aos pés. Relaxar é subestimado, mas é fundamental e pais felizes têm filhos felizes!

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