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Entrevista a Mário Cordeiro: "devemos aproveitar a enormíssima curiosidade científica que as crianças têm"

O pediatra conversou com a ACTIVA a propósito do tema da exposição 'Sistemas de Vida'.

Erica Quaresma

Alberto Frias

Mário Cordeiro, um nome de referência na área da pediatra, foi convidado para guiar os mais pequenos na exposição interactiva “Sistemas de Vida”, no qual as crianças aprendem como funciona o corpo humano e onde se debate a importância das rotinas. A ACTIVA falou com o pediatra com o intuito de compreender a sua opinião sobre a relação das crianças com a anatomia e o ensino desta, tanto na escola, como em casa.

  1. Como foi receber o convite para ser embaixador da exposição interativa sobre o corpo humano, “Sistemas de Vida”?

Foi uma experiência muito positiva! No fundo, com alguma simplicidade, organização e sentido do que pode ser interessante para as crianças: contribuir para um aproximar da criança ao seu corpo, ao entendimento do que se passa consigo e como “funciona” - um grande primeiro passo para a promoção de medidas que defendam o corpo e, no fundo, promovam e preservem a saúde, numa atitude preventiva que pode levar a enormes ganhos em saúde, individual e coletivamente.

  1. A anatomia faz parte do programa curricular do 1º ciclo. Acha que o conteúdo da disciplina é a suficiente para que as crianças consigam perceber como funciona o corpo humano e quais os hábitos e cuidados a ter para estarem saudáveis?

Creio que sim. A maneira como a informação e o conhecimento são transmitidos pode variar de professor para professor – acho que as crianças gostam de curiosidades, de factos, de se entenderem, e se, para lá da mera descrição da anatomia e fisiologia, forem dados conhecimentos sobre alguns aspetos mais “engraçados”, as coisas ficarão melhor sedimentadas.

  1. Na sua opinião, quais são os pontos fortes e fracos na educação do corpo humano, lecionado através da disciplina de Estudo do Meio?

A disciplina está bem estruturada, mas claro que tudo depende do professor, de como interessa os alunos com exemplos práticos, para lá do ensino teórico e se as aulas são dinâmicas e entrecruzadas com a prática e o nível de compreensão das crianças, nesta idade ainda muito voltadas para o concreto e não para o abstrato.

  1. Partindo do pressuposto que acredita haver pontos negativos, pergunto-lhe: do ponto de vista didático, como poderão esses pontos fracos ser trabalhados e ultrapassados?

Temos de ligar a teoria à prática, usando a sabedoria e a experiência dos próprios alunos, com exemplos relacionados com coisas de que eles gostam. Posso falar de vetores, forças, velocidades e pontos A e B, ou dizer o mesmo falando de um livre que o Cristiano Ronaldo vai marcar a “x” metros da baliza e à velocidade “y”…

  1. Como vê o papel e o desempenho dos pais na construção de hábitos de vida saudáveis?

Fundamental. Infelizmente, muitos pais têm estilos de vida e hábitos que deixam muito a desejar, em termos de promoção da saúde e prevenção da doença. E muitos pais não sabem, eles próprios, como o corpo humano – físico e mental – funciona.

  1. O que falta ainda fazer para que as famílias e crianças percebam o impacto que a criação de hábitos e rotinas pode ter na sua vida futura?

Mais coisas deste tipo: os meios de comunicação falarem do assunto (sem ser apenas para contar desgraças) e interligar os conhecimentos teóricos à prática. Não interessa saber por saber, mas sim saber para agir. É este grande salto que, em muitos casos, ainda temos de dar no sistema de ensino/aprendizagem, mas envolvendo as crianças e, também, aproveitando os saberes e práticas que já têm.

  1. Até que ponto a escola tem também um papel a desempenhar a este nível?

Parece-me evidente que, estando as crianças tantas horas na escola e tendo professores titulares que são quase tutores, a escola seja um dos locais privilegiados para este ensino e aprendizagem, mas a família e o próprio ecossistema social são fundamentais.

  1. Que conselhos deixa aos pais sobre este tema?

Não pretendo ser conselheiro, até porque há muitas realidades e modos de fazer as coisas. Apenas sugiro que pais e filhos falem, conversem, estejam tempo útil juntos e aprendam uns com os outros. E relembro aos pais a enormíssima curiosidade científica que as crianças têm – é aproveitá-la, para, parafraseando António Gedeão, “o mundo poder pular e avançar, como bola colorida entre as mãos de uma criança”.

A exposição pode ser vista no LoureShopping de 29 de abril a 28 de maio; no RioSul Shopping, de 1 a 30 de julho e no MadeiraShopping, de 1 a 30 de setembro

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