activa

Perfil

Filhos

'Odeio-te!' e outras frases horríveis que todas as mães ouvem

Mais cedo ou mais tarde, lá vem o golpe fatal: de um ‘és má!’ berrado a plenos pulmões por uma migalha de gente até ao mantra adolescente ‘não pedi para nascer’, uma mãe ouve de tudo. O que responder?

Catarina Fonseca

‘És má!’
O que não responder | ‘Não digas essas coisas que a mãe fica triste’: o que é que isso interessa? ‘Pois sou, mas é para teu bem’: com 3 anos, isto há de animá-lo imenso.
O que responder | Não responda ao insulto, responda à situação: ‘Estás zangada porque não te deixo comer mais bolo de chocolate? Sabes perfeitamente que não podemos comer muito açúcar, faz-nos mal. Mas quando acabarmos de jantar vamos ler uma história só nós as duas e tu escolhes, queres?’.

‘Odeio-te!’
O que não responder | ‘Não odeias nada’. Claro que odeia. E há de ter as suas razões. ‘Mas eu amo-te’: pode parecer muito abnegado, mas não só não resolve nada como o culpabiliza.
O que responder | ‘Estás zangado porque não te deixo ir hoje a casa do Manel? Mas hoje já não temos tempo, já te expliquei. Achas que pode ficar para a semana? Hoje vemos um filme na televisão, pode ser?’ Não tome o ‘ataque’ pelo lado pessoal, que não resolve nada. Não leve a coisa literalmente, e globalmente: ele não a odeia como pessoa, odeia-a neste preciso momento e odeia o que se está a passar, e sabe que a palavra é pesada e põe as mães fora de si. Todas as crianças sabem usar o poder mágico das palavras…

Chichi, cocó, (e coisas piores)
O que não responder | Não faça dos palavrões um grande drama. Explique apenas que são palavras feias e não devem ser usadas.
O que responder | Se a criança está entretida com uns cubos, eles desabam e ela reage com um palavrão sentido, nem vale a pena dizer nada. O mais importante – tente não se rir. Muitas crianças usam palavrões porque sabem que lhes garante audiência e atenção imediatas. Aliás, passam todos pela idade do ‘chichi, cocó, pilinha’. O melhor é nem reagir. Se o palavrão for usado mesmo com o intuito de ofender e agredir, explique imediatamente que não deve fazê-lo. Se continuar, perceba o que está a acontecer e o que ele está a querer dizer com todas essas asneiras. Ah: e se não gosta que ele diga palavrões, não dê o exemplo…

‘Tu não mandas em mim!’
O que não responder | Castigar e ralhar, porque não quer um filho malcriado. Pode parecer que funciona a curto prazo, mas tem como consequência ele começar a fechar-se e a não ter liberdade para lhe dizer o que quer que seja. Aí fica com um filho ‘educadinho’, ou seja, calado, ou seja, que você aos poucos apagou da sua existência.
O que responder | Mais uma vez, é sábio não responder à letra. Não entre por aí. Tente pôr-se no lugar dele: não estará a dar-lhe poucas responsabilidades? Ele não estará a queixar-se de rédea curta demais? Pode dizer: ‘Vamos então discutir o assunto e ver se chegamos a um acordo’. E pense que esta frase é um bom sinal: a sua criança quer pensar por si própria, ter independência e lutar pelo que merece. Dê-lhe o que puder.

‘Detesto a escola’
O que não responder | ‘Não detestas nada’. Se ele diz que detesta, é porque detesta. ‘Eu na tua idade também detestava’: e em que é que isso vai ajudá-lo?
O que responder | Esta frase não é pessoalmente dirigida às mães, mas elas ficam sempre muito incomodadas com a perspetiva de um filho delinquente a faltar às aulas e a dar em drogado como o tio Armando. Bem, o que dizer: ‘A sério? Porquê?’ Perceba as razões e ajude-o a resolvê-las. Claro que é mais fácil e dá muito menos trabalho a opção ‘não detestas nada’, o problema é que também não resolve coisa nenhuma, e ele pode começar a não desabafar mais nada.

‘Quem me dera não ter nascido’
O que não responder | Esbugalhar-se em lágrimas e dizer ‘Não digas uma coisa dessas que é pecado!’ ou ‘Mas se não tivesses nascido também não apreciavas a beleza de um pôr do sol!’ Ou: ‘E como é que querias que te perguntasse antes?’. Tentar não pensar no ingrato que ele é. Tentar não lhe contar outra vez as 17 horas de trabalho de parto por que passou para o pôr cá fora. Ingrato.
O que responder | ‘Pois, eu percebo que não tenhas ficado lá muito bem disposto quando não te deixei ir ao concerto. Sei que ficaste mesmo chateado. Sei que nesta altura nem te apetece falar comigo. Quando estiveres menos chateado, pode ser que consigamos pensar em qualquer coisa que te anime.’ Prepare-se para esperar sentada. Mas pronto. É a vida.

    newsletter

    Receba GRÁTIS no seu email as notícias que selecionamos para si!