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À procura de uma top model.

A directora da Elite Models Portugal, explica-nos tudo sobre o concurso que já revelou Sofia Aparício e Bárbara Elias.

Catarina Fonseca/ACTIVA

O conceito de beleza mudou desde o primeiro Elite Model, em 1994?
Mudou radicalmente. Há pessoas que fa-ziam sentido naquela época e hoje não. O que esperamos hoje em dia de um can-didato? Personalidade. O mercado é tão competitivo que não basta só ser bonito. É importante a garra e acima de tudo o querer vencer, nos rapazes e raparigas. Não há mais dificuldade em encontrar rapazes? Curiosamente, é o inverso. Os rapazes aderem tanto quanto as raparigas, mas em Portugal temos muito mais facilidade em encontrar rapazes interessantes do que raparigas. Porquê? Não sei. Talvez seja mesmo uma questão genética.

Os rapazes têm mais facilidade em termos familiares, não sofrem tanto a pressão das mães.
Não, exactamente o contrário! Com os rapazes é muito pior. No ano passado, depois da gala final, todas as mães dos rapazes me ligaram e todos os pais quiseram saber como era o contrato. Claro que nós apresentamos isto como um hobby, mas não deixa de ser o início de uma carreira profissional, com um vínculo: eles devem perceber que têm de cumprir horários, de manter uma relação regular com a agência, não podem fazer mudanças de visual radicais sem con-sultar a agência. Estas questões estão previstas contratualmente, e o primeiro passo é assumir essas responsabilidades. Ora, os pais dos rapazes são muito mais preocupados do que os pais das raparigas. Porquê? Não faço ideia. Como funciona o scouting nas escolas? As escolas são escolhidas, sem nenhu-ma razão especial, em várias zonas do País. Os carros dos nossos scouters (representantes da agência que andam à procura de potenciais candidatos), acompanhados pela SIC, vão a escolas, a esplanadas, a ginásios, aos sítios que os jovens frequentam. Os seleccionados que chegarem à fase final irão ter formação de uma equipa e receber conselhos que qualquer jovem deveria ter. Por exemplo, conselhos em termos de alimentação. Não calcula a quantidade de borbulhas que eles têm! Os conselhos são tão simples como incentivar a beber água e cortar nas batatas fritas! Não aconselhamos ninguém a parar de comer, mas a fazer outro tipo de escolhas, sopa em vez de batatas, por exemplo.

Os vossos scouters já 'apanharam' alguém na rua? Muitas vezes. E também assistimos muito a uma situação engraçada que é esta: quando alguém nos contacta, geralmente vem acompanhado de um amigo ou amiga, e é precisamente ao amigo ou amiga que achamos graça. Nas escolas, por exemplo, os miúdos geral-mente ficam muito entusiasmados e os mais seguros aproximam-se. Ora, onde os nossos scouters encontram mais gente interessante é na segunda linha, atrás dos mais confiantes, onde estão aquelas pessoas que são bonitas sem o saberem. São essas que nós procuramos.

As pessoas têm muitas vezes uma ideia errada da beleza, não é?
Exactamente. Olhe, por exemplo, talvez a pergunta mais frequente que faço aos miúdos seja: 'Porque é que ainda não pôs um aparelho nos dentes?' É incrível como um dente torto altera um sorriso! É uma coisa a que as pessoas geralmente não dão importância mas que é tão evidente! E uma pessoa não tem de pôr os dentes no sítio para ser modelo, tem de pôr os dentes no sítio para ser gente! O que é que lhes acontece se forem escolhidos? Isto é uma experiência muito importante para eles, não é tempo perdido. Quem tem sorte de ser escolhido, é quase como se viesse tirar um curso, e o grupo de finalistas nós apresentamos ao mercado como as novas caras da Elite. Eles con-tinuam a ter a mesma vida, não param de estudar por nossa causa. Os grandes trabalhos não acontecem numa fase inicial, não mandamos ninguém para o Japão com 15 anos, isso é uma ideia cor-de-rosa. As pessoas só começam a ter essas experiências quando já têm outra maturidade e capacidade para gerir a sua própria vida.

Catorze anos não é uma idade muito jovem para começar?
Mas eles não começam aos 14 anos. Aos 14 anos é quando nós começamos a dizer-lhes para não comerem batatas fritas. É o início, é a fase de estufa, que é importante porque se desenvolve a personalidade e os elementos sociais, o habituar-se a vir à agência, o ir aos castings com outra segurança. No fundo estão na recruta [Ri]. É como se estivessem numa escola.

Ainda temos a ideia de que a beleza standard é uma loira de olhos azuis?
O ano passado, na final do Elite Model, todas as finalistas eram louras. Nós revolucionámos o mercado porque desmistificámos a questão do modelo de cor. Quando eu era modelo, as pessoas de cor só faziam anúncios de café. E nós trabalhamos a Nayma, o Jamal, pessoas que tiveram o seu momento de auge no nosso mercado. Mas depois começamos a perceber que, mesmo que nós quiséssemos continuar a investir nesse mercado, não tínhamos saída.

Como é que era ser modelo quando a Ana começou?
Em pequena, não tinha o mínimo interesse em ser modelo. Não ligava nada a roupas, não tinha maquilhagem sequer, nunca tinha posto uns saltos altos, não estava nem aí. Precisamente por isso fui fazer um curso de modelo, com a Iolanda. E depois foi todo um assistir ao mercado organizar-se. Quando comecei, não ha-via agências. A Central foi um trabalho pioneiríssimo, onde se começaram a dar algumas regras ao mercado. Mas claro que aí era impossível dar regras ao mercado todo, portanto optaram por trabalhar o mercado da publicidade, e o mercado da passarela era trabalhado directamente com os modelos. A grande diferença com a Elite foi o apoiar os modelos de passarela. E isso criou muitas fricções, porque obviamente era muito mais prático combinar tudo directamente com as pessoas. Não calcula como nesse tempo as condições de trabalho eram desumanas! Mas isso também me deu bagagem para perceber o que é que era urgente mudar.

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