activa

Perfil

Saúde e Beleza

Guia da higiene íntima

Falámos com a ginecologista e fizemos as perguntas que sempre quis ver respondidas – mas nunca teve coragem de colocar – sobre saúde e higiene da zona genital. Esclareça, as suas dúvidas.

Cristina Tavares Correia/ACTIVA

Podem parecer questões triviais e embaraçosas para fazer ao seu médico mas mesmo assim fomos em frente com a tarefa. Porque, apesar de aprendemos a fazer a nossa higiene íntima ainda na infância, continuam a persistir alguns mitos sobre o assunto.


Que produtos devemos usar para lavar a zona genital?

A parte exterior dos genitais deve ser lavadas com água tépida e o sabonete ou gel duche que usa para o resto do corpo. Se costuma ter infecções com regularidade, pode usar produtos de higiene íntima à base de ácido lácteo, que encontra na farmácia, para reequilibrar o pH dessa zona. Não é aconselhado usar esponja nas lavagens, já que se trata de um 'viveiro' natural de fungos e bactérias. "Seria preciso estar sempre a lavá-las muito bem ou a trocá-las com frequência", observa a ginecologista.


E quantas vezes ao dia?

"Aconselharia duas vezes ao dia, de manhã e à noite, em situações normais", diz a ginecologista Patrícia Pinto Teixeira. Mais do que isso pode ser prejudicial ao pH sensível da pele da vulva, bem como destruir os organismos protectores da vagina.


Durante a menstruação há que ter mais cuidados?

Esta é uma daquelas situações que, obviamente, requer mais frequência nos cuidados de higiene com os genitais. Mas não precisa de o fazer 10 ou 20 vezes ao dia. Antes de introduzir um tampão, por exemplo, é essencial lavar-se.


Mas não se diz que tomar banho ou lavar os genitais é prejudicial à saúde durante a menstruação?

É um mito e, ainda por cima, perigoso para a saúde feminina. A ideia de que, lavar a parte exterior dos genitais ou tomar banho durante os dias da menstruação interrompe o fluxo sanguíneo e faz mal à saúde, não passa de folclore infundado.



É preciso lavar o interior da vagina?

Não. A vagina tem microorganismos protectores necessários ao seu equilíbrio e saúde e desinfectar o seu interior com anti-sépticos, vai eliminá-los, deixando o caminho livre para fungos como a candida albicans, responsável pela candidíase. Além disso, a vagina faz a sua auto-limpeza através de secreções que depois são expelidas. Por isso, a área interior não necessita de ser lavada, os ginecologistas desaconselham-no mesmo. O que necessita de ser lavado é a área exterior onde essas secreções se acumulam, para retirar o seu excesso.


E produtos desodorizantes, podem usar-se?

"Esses produtos podem causar reacções alérgicas ao fim de algum tempo de uso permanente. O uso excessivo de produtos químicos nessa zona não é muito recomendado", afirma a ginecologista. Em casos normais, o odor da zona genital não é percebido, desde que se faça uma higiene diária regular. Se for mais intenso ou diferente do normal, pode ser sinal de uma infecção. Nesses casos, deve falar com o seu médico.


Antes e depois do sexo, que cuidados de higiene devemos ter?

O principal cuidado de higiene e saúde, que pode poupá-la de uma doença, é o uso do preservativo. Mas à parte deste, é bom fazer a higiene normal para retirar o excesso de secreções produzidas durante a cópula. Mas não há razão para não esperar pela manhã seguinte e fazer isso durante um belo e revigorante duche. Já o capítulo do 'antes' do sexo é uma questão de ética sexual. Pode facto ser mais agradável tomar um duche antes, se prevê que se aproxima uma tórrida noite amorosa. Mas não há razão para interromper um momento de paixão só para o fazer.


É normal ter mais corrimento em certas alturas do ciclo menstrual?

Sim. O corrimento é constituído pelas secreções produzidas no útero e na vagina mas não é igual em espessura e cor ao longo do ciclo menstrual. Antes da ovulação é, geralmente, transparente e elástico. Na altura da ovulação, que costuma coincidir com o meio do ciclo, pode tornar-se abundante e aquoso, uma estratégia inteligente que a biologia arranjou para facilitar a penetração e a concepção. Do meio do ciclo para a frente, e antes da menstruação, pode apresentar-se muito espesso, opaco e amarelado. Se notar uma mudança de cor, se o cheiro for desagradável, se sentir comichão ou ardor e se o corrimento muito diferente do habitual, pode ser sinal de que tem uma infecção. Procure rapidamente o seu ginecologista.



Que cuidados devo ter no uso de tampão?

Deve certificar-se que estão em boas condições e que os muda, no mínimo, duas a três ao dia. É preferível colocá-los depois do duche ou a seguir à sua rotina de higiene íntima. Devem ser bem introduzidos dentro da vagina (e não apenas à entrada) ou causarão desconforto. Não devem ser usados em caso de uma infecção genital, no pós-parto ou depois um aborto espontâneo. As mulheres virgens podem usá-los, de preferência de tamanho mais pequeno, "representando pouco risco de romper o hímen", confirma Patrícia Teixeira. "Não acho que seja boa ideia dormir com o tampão. São mais úteis para usar durante o dia, pois durante a noite está várias horas sem o mudar."

Podemos usar pensos diários com frequência?

São bastante úteis quando a menstruação está no fim, por exemplo, ou em dias de corrimento mais abundante. Mas usá-los todos os dias, ininterruptamente, pode "causar irritação ou alergias", adverte a ginecologista. "Agora, eles são de melhor qualidade porque deixam a transpiração sair. Calor e humidade são dois factores são um ponto de partida para criar inflamações da pele. Mas não devem ser usados por hábito."


O que são irrigações ou duches vaginais?

Como próprio nome já sugere, é a lavagem do canal vaginal com água ou com uma solução de água com um anti séptico. Podem ser receitados pelo médico para aliviar uma infecção, em casos pontuais, mas tirando essa aplicação nem é desejável que se façam com regularidade. A vagina já possui um mecanismo de auto-limpeza, o corrimento, para eliminar os germes.

São também usados como método contraceptivo a seguir a uma relação sexual, mas não oferecem segurança nenhuma. Os duches vaginais frequentes só servem para deixar a vagina exposta a infecções.

Consultora para este artigo: Dr.ª Patrícia Pinto Teixeira, ginecologista e obstetra