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Saúde e Beleza

Gastroenterite: como prevenir e tratar

Com o verão chegam os piqueniques e refeições ao ar livre... e um risco maior de contrair esta infeção do estômago e intestinos, que pode levar à desidratação. Conheça os sintomas e saiba como prevenir e tratar.

O que é uma gastroenterite

Trata-se de uma inflamação do estômago e intestinos causada por vírus (rotavírus, norovírus, enterovírus, adenovírus e astrovírus), bactérias (salmonella, E.coli, shigella, campylobacter jejuni, yersinia ou estafilococo), ou até parasitas como a giardia (mais raras). E como entramos em contacto com eles? A falta de higiene na preparação e manuseamento dos alimentos, bem como a sua refrigeração, reaquecimento ou confeção inadequadas são os principais meios de transmissão. Propaga-se através de comida e água contaminadas ou pelo contacto de pessoa para pessoa.

Diarreia muito aquosa, náuseas e vómitos, dor ou cólicas abdominais são sintomas comuns a todas as formas. A gastroenterite pode provocar desidratação e a perda de eletrólitos importantes, como o sódio ou potássio, que poderão ter de ser repostos por via intravenosa nos casos mais severos de diarreia e cólicas.

Quais os sintomas?

Como são muito semelhantes, as gastroenterites causadas por diferentes tipos de microrganismos são fáceis de confundir, alertam os especialistas da Mayo Clinic, nos EUA. Diarreia, vómitos e náuseas, cólicas abdominais, dores de barriga, perda de apetite, fezes com sangue e febre são os sintomas mais comuns. Ocasionalmente, podem surgir também dores de cabeça ou musculares.

Na gastroenterite viral, os sintomas podem aparecer entre um e três dias depois de a pessoa ter sido infetada. A maioria dos casos costuma melhorar ao fim de dois dias, mas ocasionalmente podem existir casos em que o vírus persiste até 10 dias. Para as crianças pequenas, idosos e pessoas com sistemas imunitários enfraquecidos, algumas gastroenterites virais podem ser fatais. A maior parte dos casos bacterianos, nomeadamente no caso da salmonela, resolvem-se por si próprias ao fim de cinco a sete dias. A gastroenterite causada pela bactéria shigella pode necessitar de antibiótico. No entanto, os intestinos podem demorar mais uma ou duas semanas até recuperarem totalmente.

Cuide de si

Tirando os casos mais agudos, que a devem levar de imediato a uma urgência médica, pode tratar-se em casa com uma ou duas semanas de dieta e alguns cuidados caseiros, aconselham os especialistas dos National Intitutes for Health e da Mayo Clinic.

Deixe o estômago acalmar: evite os alimentos sólidos pelo menos durante umas horas após um episódio de vómitos e diarreia.

Hidrate-se bem: a perda de líquidos pelas fezes e vómitos é muito grande e, para evitar a desidratação, é muito importante que beba bastantes líquidos, 8 a 10 copos de água por dia – tente beber um copo de água por cada ida à casa de banho para compensar a perda de líquidos na diarreia. Sumos de fruta  (diluídos em água), chás e caldos também ajudam a hidratar. No caso das crianças dê-lhes, pelo menos, o equivalente a duas colheres de sopa cheias de água a cada 30 minutos. Se os vómitos forem intensos e impedirem que beba a quantidade mínima de água pode ter de ir a uma emergência hospitalar, para receber os fluidos e sais minerais em falta por via intravenosa.

Fracione mais as refeições: não vai ter muito apetite, mas é importante que coma, ainda que muito pouco de cada vez, várias vezes ao dia.

Prefira alimentos fáceis de digerir: frango ou galinha (de preferência cozida), arroz cozido, caldos, torradas ou tostas com pouca ou nenhuma manteiga, e bananas, ricas em potássio, um mineral que atua em conjunto com o sódio para regular o equilíbrio de água no organismo.

Evite comer laticínios, alimentos com gordura, muito condimentados ou ricos em fibra, bem como cafeína, álcool e tabaco.

Não tome medicamentos para parar a diarreia sem falar com um médico e não os dê a crianças.

Descanse bastante: a gastroenterite e a perda de fluidos deixam-na mais cansada que o habitual.

Fale com o médico, se possível, logo no início dos sintomas, sobretudo no caso de crianças pequenas, idosos e grávidas. Se os vómitos não pararem ao fim de 48 horas, se tiver febre acima dos 40ºC (38,9ºC no caso das crianças), sinais de desidratação, sangue nas fezes ou vómitos, procure o médico de imediato. Os casos mais graves podem necessitar de assistência hospitalar, para que a perda de líquidos e eletrólitos possa ser compensada por via intravenosa.

Como prevenir a contaminação

Conselhos dos especialistas norte-americanos dos National Institutes of Health, para evitar a contaminação da comida por bactérias e vírus que possam desencadear uma gastroenterite:

• Lave as mãos várias vezes ao dia, minuciosamente, em especial antes de cozinhar e preparar refeições. Lave-as de novo logo após tocar em carne crua.

• Os utensílios de cozinha, sobretudo aqueles que estiverem em contacto com carne, peixe e ovos devem ser muito bem limpos e lavados.

• Lave a roupa suja de diarreia com lixívia com cloro, bem como as superfícies da casa de banho.

• Use termómetros, para cozinhar os alimentos à temperatura adequada. Existem uns especialmente concebidos para espetar na carne e saber a temperatura no seu interior. A carne de vaca deve cozer acima dos 71ºC, as aves acima dos 82ºC e o peixe a 60ºC, pelo menos.

• Não use a mesma caixa onde colocou carne ou peixe crus para armazenar alimentos cozinhados, a menos que a tenha convenientemente lavado.

• Regule o seu frigorífico para os 4ºC e o congelador deve estar, pelo menos, nos -17/-18ºC.

• A carne ou peixe crus só devem ser conservados no frigorífico por um ou dois dias; depois estarão impróprios para consumo.

•  Cozinhe sempre as refeições pré-preparadas à temperatura e durante o tempo recomendado nas embalagens.

• Não use alimentos fora do prazo, com cheiro ou sabor estranho, cujas embalagens apresentem o topo abaulado (parecem ‘inchadas’) ou estejam amolgadas.

• Não consuma alimentos com molhos, maionese ou natas que estejam fora do frigorífico há algum tempo. Evite-os em festas e banquetes e sempre que não souber como foram preparados.

• Não beba água de fontes ou cursos de água não tratada, por mais cristalina que lhe pareça.

• Não tome banho em praias com o aviso “Zona Temporariamente Inapta para a Prática Balnear” ou “Agua Imprópria para Banhos”. Águas de praia contaminadas podem levar a gastroenterites e outros problemas, avisa a Direção-Geral de Saúde.

• Se cuida de bebés, desinfete ou lave criteriosamente as mãos depois de mudar fraldas. Mantenha as fraldas usadas num contentor bem fechado, de modo que não entrem em contacto com outras superfícies ou pessoas.

• Quando viajar para locais onde as condições sanitárias não são as melhores, coma apenas alimentos frescos e cozinhados na hora. Nada de vegetais crus (saladas, por exemplo); fruta, só depois de bem lavada e descascada; água, só engarrafada ou fervida. Não se esqueça de observar esta regra quando consumir bebidas com gelo ou lavar os dentes.

• Se tiver sintomas de gastroenterite, avise as pessoas que tiverem comido da mesma refeição.

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