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Saúde e Beleza

Os produtos lácteos na nossa dieta: sim ou não?

"O nosso organismo não foi selecionado para a ingestão de soja ao longo de milénios, porque a cultura deste vegetal não faz parte das tradições da região europeia."

Isabel do Carmo*

Sukharevskyy Dmytro

Nos regimes para emagrecer tem sido hábito ao longo de anos introduzir produtos lácteos, sobretudo nas refeições intercalares, naquilo a que se vulgarizou chamar snacks.

Quando falamos de produtos lácteos estamos a falar de leite, de iogurtes e de queijo. Um copo de leite de 2 dl (uma embalagem pequena) varia entre 70 e 110 kcalorias conforme é magro, meio gordo ou gordo. A embalagem de 2 dl de leite meio-gordo, que é prática para levar no saco ou na mochila tem 95 kcalorias. O mesmo que algumas barritas. E é rico em nutrientes, particularmente proteínas e cálcio.

Infelizmente a moda da intolerância ao leite, que só é verdade para algumas pessoas, levou ao comércio de bebidas vegetais que substituem o leite, como é o caso da soja, e que não têm o mesmo valor nutricional e não fazem parte da nossa cultura ancestral. O nosso organismo não foi selecionado para a ingestão de soja ao longo de milénios, porque a cultura deste vegetal não faz parte das tradições da região europeia.

O abandono do leite, dos iogurtes e dos queijos para os snacks pode ser uma perda para os regimes alimentares. E também os intolerantes poderão comer iogurtes e queijo, nos quais ou não há lactose de todo ou existe em quantidades insignificantes.

Para investigar os efeitos dos produtos lácteos sobre a evolução do peso, um grupo de investigadores (Susanne Routiainen e colaboradores) levaram a cabo um grande trabalho de avaliação dos seus efeitos, que publicaram em Fevereiro passado (2016) no American Journal of Clinical Nutrition. A ideia foi avaliar o efeito de consumo de produtos lácteos num longo período em mulheres de peso normal.

Estudaram o que é que se passou com o peso de 18.439 mulheres com idade igual ou superior a 45 anos, sem doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes, com peso normal. Seguiram-nas ao longo de uma média de 11 anos, sendo que alguns seguimentos foram até 18 anos, com questionários de frequência alimentar e registo dos pesos. No final, deste conjunto de mulheres 8238 tinham-se tornado pessoas com excesso de peso ou obesidade. Curiosamente aquelas que tinham ingerido produtos lácteos totais ganharam menos peso que as que ingeriram produtos magros e portanto tinham menos risco de ganharem excesso de peso. Concluíram que um maior consumo de produtos lácteos totais tem importância na prevenção de ganho de peso em mulheres de meia idade ou mais velhas que tenham um peso normal.

Embora inicialmente todas tivessem um peso normal, poderemos pôr a hipótese que aquelas que notavam maior tendência para engordar tenham começado a usar produtos lácteos magros. Mas não há dúvida é que não foi o consumo de produtos lácteos que constituiu um risco de ganhar peso, pelo contrário.

*Médica endocrinologista

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