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Saúde e Beleza

Filipa Fonseca Silva: O lado menos cor-de-rosa da maternidade

É publicitária, mãe de Tiago e Carlota, blogger (Crónicas de uma Fashion Victim) e publicou um livro, ‘Coisas que uma mãe descobre (e ninguém fala)’, no qual desabafa, na primeira pessoa e com muito humor, sobre o mundo da gravidez e a da maternidade, nas partes menos ‘cor-de-rosa’ que descobriu à sua custa.

Gisela Henriques

Foto: Vera Marmelo

Foto: Vera Marmelo

Grávida sexy? Difícil
Foi há 3 anos, quando nasceu Tiago, que Filipa começou a escrever sobre as suas aventuras e desventuras no ‘estranho’ mundo da maternidade. A sua gravidez passou a ser um tema recorrente no seu blog, ‘Crónicas de uma Fashion Victim’, e a resposta dos seus leitores muito positiva. “Escrevi, por exemplo, do terrível que foi encontrar roupa que gostasse. Era tudo pavoroso e a lingerie deprimente, só havia cuecões à avozinha e sutiãs gigantes. Só encontrei UM sutiã de grávida em padrão leopardo, foi a loucura.” (risos)

De chorona a brávida
Um dos temas mais divertidos do livro é a descoberta dos tipos de grávidas. “Tive duas gravidezes diferentes: da primeira fui a chorona e na segunda a brávida. Na primeira, estava sempre a chorar, a ver séries, filmes, fotos, até no supermercado dei por mim a chorar com uma música. Com a gravidez da minha filha, fui muito diferente, fui a ‘brávida’, sempre
a refilar com toda a gente.”

Nenuco de carne e osso
Quando o seu primeiro filho nasceu, Filipa não ficou em pânico sem saber como tratar dele. Já tinha tratado de um bebé antes, a sua irmã mais nova que nasceu quando ela tinha 12 anos. “Ela era o meu Nenuco de verdade! Não a largava nem um bocadinho. Lembro-me dos meus avós me dizerem para deixar as outras pessoas pegarem nela. Queria dar o banho, tratar do umbigo, mudar a fralda... Até sabia das birras, das doenças, das noites em branco, mas... como irmã, “quando o peso da responsabilidade está nas nossas costas é muito diferente. Só no dia a dia, como mãe, é que me apercebi do impacto que um bebé pode ter na nossa vida”.

Caiu o Carmo e a Trindade
Mal sabia Filipa quando escreveu o seu livro de crónicas, com experiências pessoais, sublinha, que haveria um assunto que iria gerar polémica e comentários inflamados no Facebook: a amamentação. Tudo começou porque foi à televisão falar sobre o livro e um dos temas abordados foi o excerto em que Filipa confessa que não gostava de amamentar e que retirar leite materno com a bomba fazia-a sentir uma vaca. “Não o disse num tom depreciativo, até porque adoro animais, mas é normal que se use a comparação com as vaquinhas na ordenha. Extrapolaram de tal modo as minhas palavras que foram à minha página pessoal no Facebook insultar-me e chegaram a querer que a Bertrand retirasse o meu livro das bancas. Fiquei em estado de choque porque o livro não é um manual científico sobre amamentação e esta crónica é apenas uma das 35 que entram no livro. Achei que foi completamente despropositado. Não se pode falar de tudo, diziam algumas… Há meses éramos todos Charlie, mas agora não podemos falar de tudo? Não sou contra a amamentação, não é isso a minha crónica, é a minha experiência. O que vale é que por cada crítica tive 20 pessoas a dizer que sentiram o mesmo.”

O tabu
Filipa também não estava à espera deste lado intocável de certos temas relacionados com a maternidade. “Parece que quando somos mães temos de ser mais recatadas e fazer tudo o que se diz nos livros. Há um endeusamento da maternidade e não se pode dizer que às vezes as criancinhas são umas grandes melgas... As pessoas não gostam de falar dos aspetos menos bons de ser mãe. Outro choque foi criticarem tudo (sobretudo nas redes sociais) o que sai da norma, parece que só há uma maneira certa de fazer as coisas. Criticam quem faz cesariana, quem faz um parto na água, quem não quer amamentar, quem amamenta até aos 3 anos... tudo serve para deitar abaixo quando não segue a norma. Ao princípio incomodava-me, mas depois …é: vive e deixa viver.”

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