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Saúde e Beleza

Os 'segredos' que nunca deve deve esconder do seu médico

É verdade que o médico não precisa de saber o seu código de multibanco ou quanto dinheiro tem na conta, mas quando o assunto é saúde o melhor é mesmo deixar a vergonha em casa e ser 100% honesta, sem filtros. Esses são giros no Instagram, não dentro do consultório

Gisela Henriques

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Fazer perguntas sobre a nossa saúde é um dos deveres dos médicos, só assim conseguem perceber a origem das nossas queixas. E o nosso dever como pacientes é responder a verdade, por mais embaraçosa que seja (ou pensamos nós que ela seja). Mas nem sempre isso acontece, sobretudo quando as perguntas tocam em assuntos como necessidades fisiológicas (sim, o chichi e o cocó), sexo e drogas.

DIGA SEMPRE AO MÉDICO SE:

Consome substâncias ilícitas

Não tem de o gritar aos 4 ventos, mas o seu médico precisa de saber que o faz, mesmo que seja ocasionalmente, porque há o perigo de mascarar sintomas ou interferir com o efeito de algum medicamento que tome ou venha a tomar.

Há 4 meses, Rui recebeu uma chamada de um colega de trabalho do pai a dizer-lhe que ele não se tinha sentido bem e que tinha ido para o hospital. A caminho, tudo lhe passou pela cabeça, ataque cardíaco, AVC… sabia que o pai andava um bocado deprimido, mas esperava que não fosse nada de grave porque só tinha 58 anos. Quando chegou ao hospital, foi logo ter com ele e percebeu que estava consciente e a responder às perguntas do médico. Chegou mesmo na altura em que lhe perguntavam se tinha tomado alguma substância ilícita, e percebe que o pai hesita em responder. Lá confessou que tinha fumado marijuana com outro colega, só para relaxar. O pior é que o pai de Rui tomava antidepressivos e estas duas drogas, a lícita e a ilícita, misturadas fizeram com que perdesse os sentidos.

As suas fezes têm sangue

Raquel tem 39 anos. A mãe morreu há 5, de vergonha. Vergonha de dizer ao médico, à filha, ao marido, que fazia cocó com sangue. Foram 6 meses de um silêncio só quebrado porque a filha estranhou a perda de peso e a falta de energia. Depois de muito insistir, a mãe lá contou meias-verdades e Raquel marcou logo uma consulta com um especialista. Fez exames e quando chegou o resultado Raquel nem quis acreditar: estadio mais avançado de cancro do cólon. Foi-lhes dito que se aos primeiros sinais tivesse procurado ajuda médica, a recuperação tinha sido possível, naquela altura já não havia nada a fazer. Viveu apenas mais dois meses.

Ao primeiro sinal de sangue nas fezes, fale com o seu médico, sem qualquer vergonha, receio ou embaraço. Sim, mais vale prevenir.

Fuma

Há quem minta e diga que não fuma porque não quer ouvir o sermão do ‘fumar faz mal’ e quem tem vergonha de ainda não ter deixado o hábito ou de ter deixado e voltado ao vício. Seja qual for a razão, deve ser honesta com o seu médico, porque assim ele pode mandar fazer testes que detetem as doenças relacionadas com o tabaco (cardiovasculares, cancro, doença pulmonar crónica obstrutiva…), além de poder ajudá-la a deixar o vício.

Tem perdas urinárias quando se ri ou tosse

Segundo um estudo americano, as mulheres que sofrem de pequenas perdas urinárias só recorrem à ajuda médica em média 7 anos depois dos primeiros sintomas, quando, geralmente, o problema pode ser corrigido facilmente nos primeiros tempos. Não tenha vergonha de o mencionar ao seu médico, até porque é uma patologia muito comum, os profissionais de saúde não ficam chocados com conversas de chichi e cocó, garantimos-lhe.

Não faz exercício físico nem uma alimentação saudável

Mas quando lhe perguntam, costuma pintar um quadro bem mais bonito do que a realidade? Está a enganar o médico porque tem receio que ele descubra como é gulosa, ou a chame preguiçosa porque prefere estar no sofá do que ir correr, quando o trail até está na moda? Esqueça lá isso, ao mentir só se prejudica a si mesma. Se for honesta, não só o médico estará mais alerta para problemas de saúde que tenham origem num estilo de vida sedentário como pode ajudá-la a ficar mais saudável.

Bebe álcool

Omitir a (verdadeira) quantidade de álcool que bebe pode levar a um diagnóstico e tratamento tardios. Mais de 2 copos de vinho por dia pode causar problemas digestivos, hipertensão e adulterar análises ao sangue. Além do álcool diminuir a eficácia dos medicamentos, o médico vai perder tempo a procurar a origem do problema.

Tem dores durante as relações sexuais

Se teve um bebé há pouco tempo ou se está a entrar na pré-menopausa é normal que haja alguma secura vaginal devido a alterações hormonais que acontecem nessa altura da vida da mulher. Se não foi mãe há pouco tempo, se não está a amamentar, nem perto da menopausa, nem a fazer quimioterapia ou a tomar antidepressivos (alguns têm esse efeito secundário), a razão (e solução) tem de ser encontrada porque não é normal.

Toma suplementos, produtos naturais, outros medicamentos

Que mal há em tomar umas vitaminas, ou um produto natural para dormir, dar energia ou melhorar a memória? Pode haver, sim, a revista da Sociedade Americana de Cardiologia identificou mais de 20 suplementos naturais que podem ser prejudiciais a pessoas com problemas de coração. Podem ser inofensivos para algumas pessoas mas também podem mascarar ou provocar sintomas e interferir com alguns medicamentos. Por exemplo, o cálcio, que muitas mulheres tomam para a osteoporose, reduz a eficácia dos antibióticos.

Há também quem tenha vergonha de revelar que toma medicamentos para uma doença do foro mental, e no caso dos homens o embaraço impede-os de confessar que tomam medicamentos para a ereção, o que pode provocar alguns sintomas e ainda interferir com outras prescrições. A verdade, acima de tudo.

Preto no branco

• Não tenha medo de fazer perguntas parvas, porque simplesmente não há perguntas parvas.

• Quantas vezes chegou a sair do consultório e 5 minutos depois já não consegue reproduzir o nome do seu problema de saúde ou as horas da medicação, ou a duração do tratamento? Não tenha vergonha de tomar nota ou pedir ao médico para o fazer.

• Se o que o médico está a dizer parece sueco (sem legendas), peça-lhe para simplificar.
É natural que às vezes os profissionais de saúde metam a ‘cassete’ e se esqueçam que têm explicar os termos técnicos.