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Preservativo feminino: tudo o que precisa de saber

Esclareça as suas dúvidas sobre este método contraceptivo, agora distribuído gratuitamente, que dá mais poder à mulher no que toca a protecção sexual.

Cristina Tavares Correia

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Um casal apaixonado entra em casa aos beijos quando, de repente, ele percebe que não tem preservativos e sai a correr, em busca da máquina mais próxima. Enquanto isso, a mulher espera pacientemente, depois de ter resolvido a questão da sua protecção sexual: ela tem um preservativo feminino.

Este spot publicitário – da responsabilidade da Coordenação Nacional para a Infecção do HIV/Sida e da Comissão Nacional para a Cidadania e Igualdade de Género – esteve no ar até ao passado dia 3 de Maio, chamando a atenção para o (re)lançamento deste método anticoncepcional no nosso país. Tal como o preservativo masculino, é o único método contraceptivo de barreira que protege de gravidezes indesejadas e da maioria das infecções sexualmente transmissíveis (IST). “A grande vantagem é a mulher poder decidir a própria prevenção sem ter que a negociar com o parceiro”, avança Beatriz Casais, da Coordenação Nacional para o HIV/Sida. “Há coisas que não é possível negociar. O risco de ficar infectada com uma doença é uma delas”, lembra Paula Pinto, psicóloga da Associação para o Planeamento da Família.

Existe há cerca de 15 anos e até já esteve à venda em Portugal, mas foi retirado de circulação por falta de procura. “O preço era bastante elevado e, provavelmente, não havia informação suficiente para que houvesse procura”, diz Beatriz Casais. Paula Pinto acrescenta: “Tradicionalmente, os métodos que implicam a introdução na vagina não têm grande adesão entre nós, apesar de sermos das europeias que melhor aderem à toma da pílula.” Conheça melhor o preservativo feminino.

Onde o encontro?

Em hospitais e centros de saúde e em algumas Organizações Não-Governamentais (ONG), nomeadamente ligadas à juventude ou que trabalham na área da infecção VIH/sida. Por enquanto, não vai encontrá-lo em farmácias ou supermercados. Cada instituição terá uma política própria no que toca ao número de preservativos a distribuir. A embalagem traz informação sobre como o utilizar.

Como se usa?

O preservativo feminino tem dois anéis flexíveis, um mais estreito que outro. Segure o preservativo pela extremidade fechada – a aberta voltada para baixo. O anel mais estreito é apertado com o indicador e o polegar e, afastando os lábios vaginais com a outra mão, introduz-se esse anel no interior da vagina e empurra-se, à semelhança de um tampão. Depois liberta-se e ele vai abrir lá dentro. O anel maior fica no exterior, cobrindo os lábios vaginais. Tal como o preservativo masculino, não guarde em local quente, não abra a embalagem com objectos cortantes e use um por relação sexual. Não conjugue com o preservativo masculino.

De que material é feito?

Em látex ou em poliuretano. “É um pouco mais espesso que o masculino, por isso mais resistente e difícil de romper”, diz a psicóloga Paula Pinto.

Há desvantagens?

“Não é complicado para usar, mas requer alguma prática, tal como a colocação de um tampão”, observa a psicóloga. “Reconhece-se um pouco mais de perda de sensibilidade durante as relações sexuais, comparativamente ao preservativo masculino, possivelmente mais da parte da mulher. Mas não é algo que se possa afirmar categoricamente, já que todas as mulheres são diferentes. Partir do princípio que o preservativo vai diminuir o prazer durante a relação pode ser um pouco redutor.”

Qual o nível de eficácia?

Segundo a Direcção-Geral de Saúde, anda entre os 85% e os 95%, se usado de forma continuada e colocado correctamente.

Protege contra

todas as IST?

“Protege contra a grande parte das infecções sexualmente transmissíveis, mas há algumas, nomeadamente o papiloma vírus (HPV) [que pode provocar cancro do cólo do útero], em que a protecção não é tão linear”, refere Paula Pinto. “O HPV pode transmitir-se através do contacto de pele com pele e contacto directo exterior entre os genitais. Mas o preservativo feminino consegue, mais até do que o masculino, proteger o contacto com a zona genital feminina da vulva e dos grandes lábios.”

Posso colocá-lo antes

das relações sexuais?

Sim, pode ser inserido até oito horas antes. Essa, aliás, é uma das suas grandes vantagens em relação ao seu homólogo masculino. Permite uma maior liberdade e mais calma na colocação.

Há contra-indicações?

Não se conhecem. Como estão disponíveis em látex e poliuretano, quem fizer alergia ao látex, tem sempre uma alternativa. Para mais informações, contacte a Sexualidade em Linha: 808 222 003.

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