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Problemas de tiróide: o que são, como diagnosticar e tratar

Regula o humor, o peso, a memória. Mas se produzir hormonas em excesso ou por defeito – hiper e hipotiroidismo – desregula o metabolismo. As mulheres são o alvo preferido destas doenças.

Cristina Tavares Correia

BakiBG

Quando funciona com a precisão de uma máquina, nem nos lembramos que existe. Só quando as coisas começam a correr mal é que nos apercebemos da importância desta glândula em forma de borboleta que, do seu posto de comando, no pescoço, frente à laringe, regula funções vitais humanas, como a temperatura corporal, os batimentos cardíacos, os níveis de colesterol, o peso, o humor, a força muscular ou memória. É ali que são produzidas as hormonas triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Para que a sua produção se mantenha nos limites normais, é preciso que a actividade da tiróide seja ‘policiada’ por outra hormona, fabricada na hipófise (cérebro), a TSH. Mulheres são mais afectadas

Quando a produção destas hormonas é insuficiente ou mesmo nula, falamos de hipotiroidismo. O metabolismo desacelera e parece que nos faltam a força e o alento. Quando essa produção é excessiva, e tanto o corpo como o mundo parecem correr a um ritmo alucinante, aparece o hipertiroidismo. “Ambas são oito vezes mais frequentes nas mulheres”, observa Luís Sobrinho, endocrinologista do I.P.O. Mas muita gente nem chega a saber que sofre de um problema de tiróide. “Sobretudo no caso do hipotiroidismo, que evolui muito lentamente.”

As causas para o aparecimento das duas doenças também não são totalmente conhecidas. “A maior parte dos casos são provocados por doenças auto-imunes, em que o sistema imunitário produz anticorpos contra a própria tiróide como se fosse um transplante ou um órgão estranho.” As tiroidites (inflamação da tiróide) e certos medicamentos, nomeadamente os usados para tratar a arritmia cardíaca e a doença bipolar, também podem desencadeá-los.

Em geral, o hipertiroidismo é transitório; já o hipotiroidismo tende a ser permanente.

A tiróide a oito e a oitenta

“O hipotiroidismo é uma doença que aparece mais em idosos”, explica Luís Sobrinho. E, geralmente, é uma condição para toda a vida – embora também apareça em algumas grávidas ou com mulheres que deram à luz recentemente, mas apenas de forma transitória. Um dos sintomas que lhe são mais apontados é um grande aumento de peso sem razão aparente. “Fala-se muito disso, mas vê-se pouco”, confirma Luís Sobrinho. “Esta doença provoca uma condição chamada mixedema, que se caracteriza por uma retenção de líquidos mais acentuada. As pessoas podem ganhar peso, mas não mais de 3kg, em geral.”

Também pode nascer-se com hipotiroidismo, herdado dos pais. “Acontece com um em cada quatro mil recém-nascidos”, explica Luís Sobrinho. “No início da vida, as hormonas tiroideias são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso central. Se não forem imediatamente tratadas, as crianças com hipotiroidismo congénito ficam com defeitos graves que persistem para toda a vida, como atraso mental, deficiências na fala, problemas de aprendizagem. Há uma janela de oportunidade que se fecha muito rapidamente, mas hoje, o teste do pezinho cobre 98% dos recém-nascidos e o tratamento é logo iniciado.”

Ao contrário da condição anterior, o hipertiroidismo é, por regra, transitório e mais comum entre mulheres dos 20 aos 40 anos. “O hipertiroidismo pode provocar doenças cardíacas, como arritmias fortes e taquicardias. E pode perder-se muito peso, sem perceber porquê”, diz Luís Sobrinho. “Há uma maior instabilidade emocional, que pode deixar as pessoas mais trémulas, ‘eléctricas’ e ansiosas.”

Setenta por cento dos casos de hipertiroidismo são causados por um desequilíbrio do sistema imunitário, que começa a produzir anticorpos que estimulam a tiróide a produzir cada vez mais hormonas. “Um choque emocional grave, como um divórcio ou luto, também pode contribuir para o seu aparecimento”, confirma o clínico.

Diagnosticar e tratar

O médico de família ou de clínica geral pode diagnosticar ambas as doenças a partir de um conjunto de sintomas, corroborados por análises ao sangue.

“São as duas relativamente fáceis de tratar, embora o hipotiroidismo tenha uma estratégia mais fácil. É um pouco como usar óculos: definimos qual o defeito, a quantidade de hormona que o doente precisa e depois a dose é fixada. O hipertiroidismo é mais flutuante e requer um pouco mais de experiência por parte de quem trata”, explica Luís Sobrinho. Nos casos mais graves desta última, pode ser necessário remover cirurgicamente a tiróide.

O tratamento de ambas as doenças também é barato, mas esse facto, por estranho que pareça, até pode ser uma desvantagem. “Os fármacos para tratar o hipertiroidismo são muito eficazes e têm uma toxicidade (efeitos secundários) muito pequena. São tão baratos que o doente já nem paga o custo das embalagens. Como a lei não permite a actualização do preço, por vezes há rupturas de stock porque os fabricantes se desinteressam deste produto. Mas qualquer das duas doenças, mesmo quando permanentes, tratam-se bem e não requerem alarmes.”

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