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Saúde e Beleza

Tudo o que deve saber sobre a sua língua

É feio mostrar a língua (exceto no Tibete, onde é um cumprimento aceitável), mas vamos revelar-lhe tudo sobre a sua. Trata-se de um órgão fascinante, que lhe salva a vida todos os dias e revela muito sobre o estado de saúde.

Isabel Vidal

Branchegevara

O SABOR DA VIDA
A língua está coberta de papilas gustativas (os altinhos que vemos à superfície se olharmos com uma lupa), mas não são propriamente elas que nos permitem perceber o sabor do que comemos ou bebemos: esse trabalho é feito pelas microscópicas células gustativas situadas à superfície das papilas e invisíveis a olho nu. São elas que registam o sabor dos alimentos através de recetores (e de complexas reações químicas) e enviam essa informação para o cérebro. As células gustativas conseguem identificar cerca de 10 mil sabores diferentes.
Há recetores diferentes para cada categoria de sabor (doce, salgado, amargo, ácido e umami, um sabor próximo do glutamato monossódico usado na comida dos restaurantes chineses), distribuídos por todas as zonas da língua. E têm uma particularidade: só conseguem analisar o sabor de um alimento que tenha sido humedecido pela saliva. Se a língua estiver seca ou o alimento não for solúvel, não conseguimos perceber o seu sabor. As células gustativas renovam-se semanalmente.
Todo este sistema não se destina apenas a dar-nos prazer quando comemos ou bebemos: ao longo da nossa evolução como espécie foi ele que nos salvou de consumirmos alimentos venenosos ou estragados (geralmente amargos) e nos encaminhou para os alimentos mais doces, geralmente mais ricos em nutrientes e calorias.

SABIA QUE...
A língua de cada pessoa é tão única como a sua impressão digital e por isso já há investigadores a estudar maneiras de a usar como identificador biométrico para verificar a identidade. Daí a passarmos pelo controlo do aeroporto de língua de fora pode ir apenas um pequeno passo…
De um modo geral, as mulheres têm uma língua mais pequena que os homens.
A língua tem de ser limpa regularmente, após as refeições. Na nossa boca vivem cerca de 600 tipos diferentes de bactérias e há um milhão delas numa simples gota de saliva. Se pensarmos que toda a língua está coberta de saliva... Por isso é importante esfregar a língua delicadamente com a escova de dentes quando os lavamos, para prevenir o desenvolvimento de mau hálito.
Só dois terços da língua são visíveis: o terço restante, perto da garganta, não se vê quando a deitamos de fora.
A língua não serve só para saborearmos os alimentos: também nos ajuda a falar, comer, engolir, cuspir, limpar os dentes depois de comer, respirar… e beijar (mesmo que não seja um french kiss).
A língua é muito importante para o processo digestivo, já que é ela que molda os alimentos mastigados e ajuda a envolvê-los na saliva, cujas enzimas fazem uma pré-digestão.

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É o número de células gustativas com que nascemos, mas vão diminuindo com a idade, sendo cerca de 2 mil a 4 mil num adulto e ainda menos nas pessoas idosas. Estão maioritariamente situadas na língua propriamente dita mas há também algumas distribuídas pelo interior das bochechas, lábios e céu da boca.

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São os músculos que se interligam para formar a língua. Ela é a estrutura muscular mais flexível e sensível do corpo humano e a única que funciona sem um suporte ósseo.

SAÚDE NA PONTA DA LÍNGUA
Sendo o único órgão interno que se pode ver diretamente sem ser necessário fazer uma operação ou exames de imagiologia, ela é usada há milénios como meio de diagnóstico nas medicinas tradicionais chinesa e indiana. Para um médico treinado nestas medicinas, a língua pode revelar problemas não só nela própria mas também noutros órgãos

Deite a língua de fora ao seu médico… para ele a examinar, se tiver:
dificuldade em engolir ou mastigar
dor persistente na língua
manchas esbranquiçadas ou vermelhas
• língua demasiado vermelha, amarelada, escura, ou coberta por uma ‘película’ esbranquiçada
aftas recorrentes ou que não desaparecem
• dificuldade em mover a língua.
As pessoas que fumam devem estar especialmente atentas a eventuais alterações nesta área (sendo a mais comum uma diminuição do gosto dos alimentos e a mais grave cancro da língua).

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