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Saúde e Beleza

Guia para engravidar mais depressa

Quem quer formar família pode aumentar as suas hipóteses mudando alguns hábitos de vida. Fomos saber quais – e tivemos algumas surpresas.

Catarina Fonseca

Tassii

Quero engravidar. Acho que é a altura certa. Mas há alguma forma de facilitar o processo? E é mesmo verdade que o nosso estilo de vida nos anda a impedir de cumprir esse sonho? A resposta é: sim. Hoje em dia, é mesmo mais difícil engravidar. E o que é que podemos mudar na nossa vida de todos os dias? “Não sabemos tanto quanto gostaríamos, mas sabemos alguma coisa”, explica a obstetra Catarina Godinho, da clínica IVI. “Sabemos, por exemplo, o que não fazer. Em termos de estilo de vida, o tabaco é o factor mais importante: tem impacto muito negativo na qualidade dos óvulos, na qualidade do útero, no desenvolvimento do embrião. No homem, o tabaco também pode comprometer a qualidade do sémen, devido à acumulação de produtos oxidativos e o aumento de anomalias cromossómicas nos espermatozóides.”
Portanto, primeiro mandamento para engravidar: deixar de fumar. Segundo mandamento: evitar o excesso de álcool. “Este excesso considera-se a partir de 25g por dia. Isto é o equivalente a sensivelmente 2 copos médios de vinho por dia. O consumo crónico é importante até mais no homem, que tem um efeito negativo por alteração dos níveis hormonais. O álcool pode levar mesmo a que o homem deixe de ter produção de espermatozóides.” A cafeína é outro ‘inimigo’: evite mais de 2 cafés por dia, refrigerantes, bebidas energéticas. “A cafeí- na pode alterar os recetores a nível do sistema nervoso, que condiciona o equilíbrio hormonal.”

Sexo: quantas vezes?
Pergunta para queijinho: quantas vezes deve um casal ter relações se quer engravidar? A maior quantidade de vezes que conseguir? Errado: “O casal deve ter relações a cada 36 horas”, explica Catarina Godinho. “Por um lado, permite não deixar escapar uma ovulação, no caso da mulher. Por outro, permite ao homem uma regeneração de espermatozóides.”
Problema: a vida não está fácil para quem quer ter sexo. Segundo uma pesquisa recente em Inglaterra, quase 40% das mulheres preferiam ver televisão a ter relações. Enfim, ninguém perguntou às portuguesas, mas é verdade que uma das causas da dificuldade em engravidar é mesmo… o cansaço. “Por exemplo, por isso é que as mulheres engravidam mais nas férias: simplesmente têm mais disponibilidade para ter relações”, nota Catarina Godinho.
Outro factor a ter em conta : tente não deixar para muito tarde a primeira gravidez. Há coisas que não podem esperar, e esta é uma delas. Uma vida saudável ajuda, mas não vai fazer tudo por si.

Stresse e pílula
São as duas palavras que podem estar a sabotar as suas hipóteses de engravidar. “Os altíssimos níveis de stresse em que vivemos estão a comprometer a capacidade de engravidar de muitas mulheres, mesmo mulheres mais novas”, nota a fisiologista Teresa Branco. “O stresse leva a alterações hormonais que podem comprometer a capacidade reprodutora.”
Outra questão é a da pílula. “As raparigas começam a tomar a pílula muito cedo, fazendo com que os seus órgãos não estejam a trabalhar como estariam se não a tomassem. A pílula impede a ovulação, e supostamente quando a mulher a deixa voltaria a ovular. Mas as coisas nem sempre acontecem com essa facilidade.”
Mais um factor de risco consensual, o excesso de peso: “A mulher que tem peso excessivo tem geralmente menos capacidade de engravidar porque pode ter mais probabilidade de não ovular”, explica Teresa Branco. O processo é complexo mas simples de entender: no nosso corpo, tudo está interligado. “Muitas vez, por trás desta acumulação de gordura existem alterações hormonais que levam a que a mulher não ovule. Dizemos que a mulher gordinha não ovula porque é gorda, mas a mulher pode ter predisposições genéticas para formar quistos no ovário ou picos de insulina que podem ter o mesmo efeito, portanto a condição que a faz não ovular é a mesma que a faz aumentar de peso. Dizer que a mulher não ovula porque está gorda promove um grande complexo de culpa.”

Que tipo de exercício?
“Fazer exercício é muitíssimo importante”, lembra a médica Catarina Godinho. “As mulheres têm muitas vezes a ideia de que se ficarem imóveis, com os pés para cima e em repouso absoluto aumentam as suas hipóteses de engravidar, mas isto não é verdade. O exercício moderado tem mais benefícios que o sedentarismo.”
Como em tudo, é preciso moderação, porque se exagerar, também pode ter dificuldade em engravidar. “A mulher pode ficar magra demais e não ter estrogénios para ovular, ou ter as supra-renais muito cansadas, o que compromete o ciclo menstrual”, explica Teresa Branco. “Mas não chega andar todos os dias: o exercício tem de ter intensidade. Deve-se fazer exercício todos os dias, e três vezes por semana deve-se fazer um tipo de exercício que faça suar, que nos obrigue a regular o nível do açúcar e de insulina no sangue.”
Ah, e depois de se exercitarem, se querem bebés… descansem. “Têm de dormir. Um organismo cansado apenas luta pela sobrevivência, não tem energia nem vontade para fazer sexo, por exemplo.” Pois...

A hormona que está a dominar o mundo
Atenção, que agora se aproxima uma história que se calhar ninguém lhe contou: de como a hormona feminina está a dominar o mundo. “Para engravidar, eu devo ter uma boa concentração de hormonas sexuais femininas, adequada e saudável: ou seja, o meu organismo deve ter os estrogénios que ele próprio produz, não os que recebe de fora”, explica Teresa Branco. “Se receber estrogénios disruptivos, estes vão impossibilitar o meu organismo de produzir os meus.”
Os estrogénios disruptivos estão por todo o lado: nos produtos lácteos, na carne com hormonas, em alguns peixes de viveiro, que também são alimentados com hormonas. Como lutar contra eles? Se possível, consumir produtos biológicos. Escolher peixes de mar, que é relativamente fácil em Portugal. Não deixar as garrafas de plástico ao sol (passam estrogénios para a água) e não aquecer plásticos em micro-ondas.”
Quais são os alimentos nossos aliados? “Produtos como as couves, os vegetais, os legumes, vão purificar o fígado, órgão onde se vão fazer as eliminações dos estrogénios disruptivos para que os nossos, os que são produzidos pelo corpo, lá fiquem”, explica.

Homens com excesso de… hormonas femininas
Para os homens é exactamente o mesmo: também não devem receber estrogénios disruptivos, porque lhes faz baixar o nível de testosterona, a hormona masculina. “Por isso se assiste tanto também a uma infertilidade masculina: porque esta sociedade estrogénica os destrói também a eles”, explica Teresa Branco. “À partida, um homem com excesso de peso tem mais estrogénios, que são produzidos na massa gorda, e portanto eles tornam-se menos férteis. Mas há homens magros com níveis de testosterona baixos: têm demasiados estrogénios, têm vidas cheias de stresse, dormem pouco, e o organismo está num esforço tremendo.”
Portanto, para além de uma testosterona baixa, encontramos níveis de estrogénio elevados, porque os homens também vivem num ambiente sobrecarregado com esta hormona. “Depois, como geralmente comem pior do que as mulheres – comem menos vegetais, mais carne e mais gordura animal – aí vêm mais estrogénios. A mulher tem a agravante da pílula.”
Então que deveriam os homens comer para ‘engravidarem’? “Carnes magras – vaca e frango – e carnes mais jovens. Deviam comer alimentos com zinco e vitamina C, como quivis e citrinos.”
Em resumo: o casal tem de lembrar-se de que não deve sobrecarregar o fígado, comer mais vegetais e frutas, fazer exercício, ter sexo dia sim dia não, evitar excesso de álcool, cortar totalmente o tabaco: e relaxar. Quer engravide quer não, o stresse é um dos nossos piores inimigos.

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