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Não é só TPM: a enxaqueca menstrual existe

As piores enxaquecas atingem mais as mulheres devido à variação hormonal. Mas existem métodos para reduzir e prevenir as dores.

Sâmia Fiates

ljubaphoto

Uma dor de cabeça latejante e localizada, que causa náuseas , intolerância à luz e ao barulho, pode durar horas e surgir todas as semanas. Esta é a descrição da enxaqueca, que segundo a Organização Mundial da Saúde afeta duas vezes mais as mulheres do que os homens. Também são as mulheres que vivem as crises mais severas, porque as dores são intensificadas pelas variações hormonais do ciclo menstrual.
Entre as mulheres que têm enxaquecas, 60% sofre de enxaqueca menstrual, de acordo com dados da American Headache Society. São dores que vão além dos sintomas de TPM e, quando acompanhadas de auras, podem causar perturbações na visão, dormências e paralisias temporárias de um lado do corpo.
A enxaqueca menstrual ocorre geralmente entre os dois dias que antecedem o período e os três primeiros dias de fluxo, e é causada pela queda dos níveis de estrogénio. Diferencia-se das dores de cabeça comuns porque é latejante, impede a mulher de realizar outras atividades do dia-a-dia e causa náuseas e sensibilidade à luz.
A má notícia é que não há uma cura. Os médicos tratam cada caso de forma particular, combinando medicação e métodos de prevenção. Um dos pontos importantes para o tratamento é descobrir o que desencadeia a enxaqueca. Por isso, os especialistas recomendam criar um diário das dores, a identificar fatores que podem contribuir para o início da enxaqueca, como mudanças no tempo, alimentação diferente e a proximidade do período menstrual.
No caso das enxaquecas menstruais, os médicos usam tratamentos hormonais. Nas mulheres com um ciclo menstrual regular, é possível equilibrar os níveis de estrogénio na semana da menstruação com suplementação em forma de comprimido, gel vaginal ou adesivos. Para mulheres que precisam de contraceção, tomar a pílula de forma contínua, sem fazer a pausa, é uma forma de estabilizar as concentrações hormonais. Contudo, em alguns casos, as hormonas podem piorar as dores. Quando a mulher sofre de enxaqueca com aura, por exemplo, a pílula pode aumentar o risco de derrame. Por isso, atenção: as hormonas devem ser prescritas por um médico especialista, que vai avaliar o que funciona melhor para cada caso.
A suplementação com magnésio é outro método preventivo que se mostrou eficaz em estudos, além de ser mais versátil e seguro. Muitas pessoas que sofrem de enxaqueca têm deficiência de magnésio, por isso tomar uma dose do mineral ajuda a prevenir as dores. Pode ser uma opção para mulheres que não têm um ciclo menstrual regular, já que a suplementação não precisa ser feita exatamente nos dias do período.

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