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Borbulhas: guia para tratá-las em qualquer idade

Não é só na adolescência que elas nos atacam a pele... e a autoestima. Mas são diferentes aos 15 ou aos 40, e não se tratam da mesma forma.

Isabel Vidal

iStock

*artigo publicado originalmente na revista ACTIVA de outubro de 2018

Há cada vez mais mulheres com queixas de borbulhas e imperfeições na pele. É verdade que, com as redes sociais, a pressão para mostrar uma pele absolutamente perfeita aumentou muito: ter uma borbulha na era do Instagram, mesmo com as apps de retoque, não é a mesma coisa do que antes, quando só davam por ela as pessoas que nos rodeavam. Mas as queixas têm razão de ser: atualmente, 4 em cada 5 adolescentes e 40% das mulheres entre os 25 e os 40 anos têm acne, e este último número tem vindo a crescer desde os anos 80. Nalguns casos, a acne adolescente simplesmente continua e mantém-se na idade adulta, enquanto noutros as mulheres começam a ter borbulhas pela primeira vez aos 25 ou 30 anos, por vezes mesmo após a menopausa.
Apesar de haver fatores desencadeantes comuns a ambas as idades, como os fatores hormonais e ambientais (stresse, tabaco, poluição, estilo de vida, radiação UV, cuidados cosméticos mal adequados), há algumas diferenças. "A acne na mulher adulta tem uma manifestação clínica um pouco distinta da que surge na adolescência, e também tem uma resposta diferente ao tratamento, quer no procedimento tópico quer no sistémico", explica a dermatologista Marisa André. A boa notícia é que, em ambos os casos, é possível tratar as borbulhas e manter a pele bem comportada. "A acne é uma doença, e trata-se", assegura a médica. "Aliás, deve ser tratada. Atualmente já não há aquela velha máxima de que a acne é uma coisa que passa com a idade. Porque até pode passar, mas à custa de cicatrizes que podem ser mais difíceis de tratar depois, e à custa de muito sofrimento, o que não faz sentido."

ADOLESCêNCIA

Não é justo que, numa altura em que há tantas mudanças físicas e psicológicas a acontecer, apareçam também as borbulhas para ajudar à festa. A acne adolescente até pode ser considerada 'normal' e, em princípio, ter um fim à vista, o que a torna socialmente mais aceitável – mas isso não diminui a insegurança que ela pode causar, numa idade em que a autoestima ainda está em fase de construção. Infelizmente não há forma de saber se uma adolescente vai ter acne e, injustamente, há quem cuide bem da pele e tenha borbulhas e há quem não faça nada e atravesse a adolescência com a pele impecável. "Não se consegue propriamente prevenir o aparecimento da acne, mas consegue-se minimizar a gravidade com que esta doença se manifesta", assegura a dermatologista. "Por exemplo, se utilizarmos produtos mais direcionados para uma pele acneica/oleosa, talvez consigamos minimizar a acne retencional comum na adolescência, isto é, os pontos brancos e os pontos pretos, que nós chamamos comedões." Atualmente há boas linhas cosméticas para pele oleosa com tendência acneica e a dermatologia tem todo um arsenal de armas poderosas que ajudam a manter a estabilidade da pele. "Temos tratamentos tópicos, produtos de limpeza, cremes hidratantes e coadjuvantes de tratamento, esfoliantes, antibióticos tópicos, que associamos quase sempre a outros produtos (como sejam os retinoides) para não criar resistências microbianas... Depois se precisarmos de subir um degrau na escada de tratamento, temos a terapêutica sistémica, os antibióticos orais. Num terceiro degrau, um medicamento que é o que cura verdadeiramente a acne, que é a isotretinoína. Claro que todos estes tratamentos têm as suas regras e requerem alguns cuidados. Podemos recorrer a outros procedimentos que nos ajudam imenso, como um aparelho que esvazia mecanicamente os comedões ou a realização de peelings químicos." Embora não seja possível prevenir a acne, convém começar cedo a incutir bons hábitos de cuidado da pele, mesmo antes de entrar na adolescência. "Não existindo manifestação de doença não há necessidade de instituir tratamento, porém, ter alguns cuidados de higiene (por exemplo lavar a cara e hidratar com produtos que já sejam para pele com tendência acneica mas que não sejam de tratamento, só de manutenção) poderá ser uma boa conduta", recomenda a dermatologista.

IDADE ADULTA

A acne tardia, por ser mais inesperada, pode ser muito traumatizante. Uma borbulha que se aceitava aos 15 anos, aos 30 é vivida como uma espécie de traição da pele e pode afetar muito a autoestima. A não ser que se trate de borbulhas causadas por uma situação específica (como o uso de cosméticos demasiado ricos, por exemplo), em que até a própria pessoa percebe qual foi a causa e resolve facilmente o problema, a acne tardia tem características que a distinguem bem da adolescente. "Surge tipicamente nos quadrantes inferiores da cara e no pescoço", explica a dermatologista. "A pessoa entra no consultório e conseguimos perceber que existe um hábito mantido de ‘mexericar’ nas lesões, o que é prejudicial porque contribui para o aparecimento de cicatrizes. Na maioria dos casos, não é condição resolúvel apenas com cremes, requer tratamentos tópicos associados a isotretinoína oral.”
Na acne da mulher adulta, as borbulhas juntam-se a outros fatores que afetam a pele: rugas, flacidez, rídulas, marcas, irregularidades da tez, falta de luminosidade. Até há pouco tempo, era preciso escolher: ou se atacavam as rugas... ou as borbulhas. Felizmente a cosmética percebeu que, para uma mulher de 30, usar produtos para a pele adolescente (excetuando alguns de limpeza e tratamento localizado, que podem ser usados por ambas) não faz muito sentido porque há outras necessidades a que é preciso responder. Com a idade, a pele regenera-se mais lentamente, e as linhas cosméticas para pele adulta com tendência acneica dão também uma ajuda nessa área, para que os resultados sejam mais rápidos: tanto a nível das rugas como das borbulhas.

BOAS PRÁTICAS EM QUALQUER IDADE

Independentemente da origem das borbulhas, há alguns gestos que fazem toda a diferença para ajudar a manter a pele sã.


• Use apenas produtos adequados ao tipo e condição da sua pele, oil free e não comedogénicos, mas não demasiado secantes.


• Limpe o rosto de manhã e à noite, mas não mais do que isso para não eliminar o filme hidrolipídico que protege a pele (senão corre o risco de a deixar fragilizada e ressequida, o que agravaria a situação). Use um produto suave: deve sentir a pele limpa mas não a repuxar.


• Lave as mãos antes de aplicar os seus cremes e maquilhagem.


• Evite usar pincéis e esponjas para aplicar a maquilhagem (a não ser que os lave diariamente), use os dedos limpos.
• Evite tocar no rosto com as mãos: os dedos transportam bactérias de tudo em que tocamos (num telemóvel há 25 mil bactérias por cm2!).


• Não esprema nada com os dedos, para não inflamar ainda mais a lesão, o que poderia deixar cicatriz.


• Não apanhe sol sem um protetor solar oil-free: o sol é um falso amigo da acne, parece que a melhora mas depois a pele fica mais assanhada.


• Não tem de ir ao dermatologista à primeira borbulha. Mas se ela se agravar, ficar muito inflamada e dolorosa, ou surgirem várias, marque uma consulta. Não deixe agravar a situação.

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