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Saúde e Beleza

Conheça o poder da aromaterapia

Eficaz e natural, a aromaterapia usa a essência das plantas para nos tratar da saúde, no melhor dos sentidos. E pode ser remédio santo nas maleitas do dia a dia. Conheça os seus benefícios e saiba como utilizá-la.

Isabel Vidal

MarcoMarchi

*artigo publicado originalmente na revista ACTIVA de setembro de 2018

A aromaterapia tem qualquer coisa de misterioso, talvez pelo facto de a ligarmos ao olfato, o mais intangível dos nossos sentidos... Mas na verdade a sua eficácia não se deve a nenhum mistério ou milagre, como atestam os mais de 17 mil artigos sobre o tema, publicados nas melhores revistas científicas de todo o mundo. Este número, que não cessa de aumentar, demonstra bem o interesse crescente nesta ciência: sobretudo se pensarmos que os primeiros testes que demonstraram cientificamente o efeito antissético de alguns óleos essenciais datam de 1887, e que o termo aromaterapia surgiu pela mão do engenheiro químico francês Gattefossé apenas em 1935.

o que é

"A aromaterapia é a ciência de tratar através de tudo o que seja capaz de produzir um aroma, ou seja, principalmente um óleo essencial", explica Isabelle Pacchioni, cofundadora dos laboratórios Puressentiel (marca francesa de aromaterapia que é uma referência a nível mundial) e autora de vários livros sobre o tema. "Um óleo essencial é um extrato líquido e aromático obtido a partir de uma matéria-prima vegetal. Esse líquido concentra os ativos voláteis da planta, ou do fruto, e é a sua essência. Contém uma grande variedade de substâncias ativas identificadas de forma muito rigorosa através de uma análise cromatográfica." Estas substâncias são fabricadas pelas plantas para se defenderem dos seus predadores e das ameaças ambientais a que estão sujeitas, porque uma planta não pode desatar a fugir do sítio onde está caso surja uma ameaça. São estes ativos que a aromaterapia utiliza e são eles que a tornam tão potente. Os óleos essenciais são, por definição, obtidos sempre por processos naturais e físicos, sem utilização de químicos: destilação com vapor de água (a mais comum para a maioria das plantas), destilação a seco ou expressão mecânica (no caso dos citrinos). "Contrariamente à alopatia, que, embora eficaz, não tem nada de agradável, a aromaterapia permite juntar o útil ao agradável", diz a especialista, num dos seus livros. "Quem a utiliza sabe até que ponto os seus efeitos podem ser rápidos e como é agradável dedicar alguns minutos a fazer uma massagem aromática, ou deixar espalhar-se no ar, no banho ou numa colher de mel a magia dos seus compostos voláteis. É um outro olhar sobre a nossa saúde e o nosso bem estar, tomamos consciência de que o organismo não é uma máquina que convém levar de vez em quando à revisão, mas um mecanismo complexo interdependente do seu ambiente, no qual as condições física e psíquica são indissociáveis."

MOLÉCULAS SOBREDOTADAS E VARIADAS

Uma das características que distingue os óleos essenciais, e lhes dá a sua atividade terapêutica, é a sua riqueza molecular. Enquanto um medicamento clássico contém uma ou duas moléculas ativas, o que lhe permite tratar um sintoma ou patologia de forma muito específica, nos óleos essenciais há uma ou mais moléculas 'principais', que têm várias ações, e muitas outras moléculas 'secundárias' (a lavanda contém mais de mil!), também elas com uma ou mais ações. É por isso que um óleo essencial pode ter uma ação simultaneamente bactericida, antivírus, antiácaros, fungicida e inseticida, aliviar dores de garganta e de estômago, problemas cutâneos e urinários, perturbações do sono e intestinais, por exemplo. Atualmente estão identificados mais de dez mil compostos aromáticos nos óleos essenciais. E como estes óleos se podem associar, as suas potencialidades são ainda mais alargadas.

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como usar os óleos essenciais

Curiosamente, apesar da sua designação, os óleos essenciais não contêm nenhuma gordura. Aliás, com algumas raras exceções, se colocar uma gota de óleo essencial numa folha de papel verá que ele se evapora sem deixar qualquer marca. Outra das suas características é serem mais leves que a água e não se dissolverem nela. Mas dissolvem-se bem em óleos vegetais e estes são um veículo privilegiado para os ajudar a penetrar na pele através de uma massagem.
Há várias vias possíveis para utilizar um óleo essencial: respiratória, oral e cutânea. Alguns óleos podem ser administrados das três formas, outros só devem ser usados numa ou duas (na dúvida, evite a oral). Mas a embalagem de um bom óleo essencial dá-lhe todas as indicações necessárias, tanto em relação à via como à dose a utilizar. Em todo o caso lembre-se que se trata de substâncias altamente concentradas, que funcionam com doses muito pequenas (como os frascos conta gotas sugerem logo à partida).

• Via respiratória
É talvez a forma de administração mais simples e rápida, ideal para tudo o que tem a ver com o aparelho respiratório (faringites, sinusites), mas também para aliviar o stresse, criar um ambiente tranquilo, chamar o sono... Os óleos essenciais podem ser colocados num difusor, vaporizados no ar ou aplicados/vaporizados sobre um tecido (por exemplo o canto da almofada), ou aplicados num lenço húmido ou seco, para inalar. As moléculas são absorvidas pelas mucosas respiratórias mas também estimulam os recetores olfativos ligados ao sistema límbico (que gere as nossas emoções), por isso, quando são administrados desta forma, há um efeito físico e psicológico. Para uma inalação húmida: numa tigela de água a escaldar, deite 3 gotas (2 se as mucosas estiverem inflamadas) e inale durante 10 minutos, 3 vezes por dia no máximo. Para uma inalação seca (num lencinho ou no canto da almofada), deite 2 gotas de óleo essencial puro e inspire. Num difusor elétrico, use 20 gotas de óleo essencial e, se usar uma taça com uma fonte de calor, deite 10 a 20 gotas e tenha o cuidado de evitar a chama se estiver a usar uma vela.

• Via cutânea
Praticamente todos os óleos essenciais podem ser aplicados na pele, a diferença é que alguns podem ser usados puros enquanto outros têm imperativamente de ser diluídos num óleo vegetal (nós gostamos dos de amêndoas doces ou argão, mas pode usar o seu preferido). Como os óleos essenciais têm uma afinidade com a gordura e as estruturas lipídicas cutâneas, conseguem penetrar rapidamente na pele e chegar depois à corrente sanguínea, o que dá a este modo de aplicação uma ação imediata e prolongada. Aplique o óleo (puro ou diluído conforme as indicações da embalagem) em pontos estratégicos, como os pulsos, zonas localizadas (como contraturas) ou em todo o corpo através de massagens ou num banho. Em relação à dose, a regra geral é: para massagens, 6 a 10 gotas (2 a 4 para as crianças) misturadas com 2 colheres de café de óleo vegetal; no banho, 10 gotas para uma banheira grande, previamente diluídas num produto de duche neutro ou numa colher de sopa de leite desnatado, de coco ou de soja.

• Via oral
É o modo de administração ideal para problemas do tubo digestivo, fígado e rins, mas há muitos óleos essenciais que são tóxicos se forem administrados desta forma, por isso aconselhe-se sempre antes com o seu médico ou farmacêutico. Nunca coloque um óleo essencial diretamente na boca ou na língua porque pode irritar ou queimar a mucosa. É sempre indispensável usar um suporte para ele: um comprimido neutro (o ideal), um cubo de açúcar ou uma colher de mel ou de óleo vegetal. Como os óleos essenciais não se dissolvem em água, não caia na tentação de deitar a dose num copo de água porque isso seria o mesmo que ingeri-lo diretamente. Em regra não se deve ultrapassar a dose de 2 gotas por toma, 3 a 4 vezes por dia no máximo, para um adulto, e 1 gota por toma até 3 vezes por dia no máximo, para uma criança com mais de 7 anos.

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OS INDISPENSÁVEIS

A 'farmácia' da aromaterapia é tão completa que é fácil cair na tentação de colecionar o maior número possível de óleos essenciais: para o que der e vier. Mas não precisa de ter dezenas de frasquinhos, sobretudo se está iniciar-se nesta área. "Até 5 é o ideal para começar", diz Isabelle Pacchioni. "Com mais do que isso as pessoas já se baralham e correm o risco de errar na utilização. A partir do momento em que já dominam esses, podem alargar o leque e experimentar outros conforme as suas necessidades pessoais." Os básicos que a especialista recomenda que se tenham em casa, para acudir às pequenas maleitas do dia a dia familiar, são: o óleo essencial de gaultéria (gaultheria fragrantissima ou punctata), indicado para problemas articulares e dores musculares que surgem após um treino intenso no ginásio; o de ravintsara (cinnamomum camphora cineoliferum), pela sua ação antiviral, antibacteriana, antissética, tonificante e de reforço do sistema imunitário; o de tea tree ou árvore do chá (melaleuca alternifolia), para borbulhas, micoses e infeções da boca; o de lavanda verdadeira (lavandula angustifolia), calmante, relaxante e cicatrizante; e o de tangerina verde (citrus reticulata blanco), para ajudar a combater a ansiedade e as insónias, em adultos e crianças. Estes óleos podem ser combinados entre si (nomeadamente para uma aplicação cutânea), para aproveitar as suas sinergias, conforme as necessidades.
Para quem não tem tempo, vocação ou conhecimentos para fazer as suas próprias misturas, Isabelle criou na Puressentiel vários produtos prontos a usar, que combinam diversos óleos essenciais para aliviar problemas específicos: dormir melhor, aliviar dores articulares, lutar contra os piolhos ou purificar o ar na época das gripes e constipações, por exemplo. São uma forma prática e segura de experimentar este tipo de terapia e ver como se dá com ela.

CUIDADOS A TER

Os óleos essenciais não são umas simples essências com cheirinho: apesar da sua origem natural (e, em certa medida, justamente por causa dela), são ativos poderosos que, tal como acontece com os medicamentos, têm regras rigorosas de utilização para evitar problemas de toxicidade:
• Leia atentamente as indicações da embalagem para saber exatamente como cada óleo pode/deve ser utilizado e em que dosagem, e respeite essas indicações.
• Não substitua um óleo essencial por outro de nome parecido: nas lavandas e nos tomilhos, por exemplo, há diversas variedades, cada uma com indicações e modos de utilização bem diferentes.
• Muitos óleos essenciais são totalmente interditos durante a gravidez, sobretudo no primeiro trimestre, e aleitamento. Alguns são desaconselhados a crianças com menos de 7 anos. E pessoas com antecedentes de problemas de fígado ou rins, convulsões, problemas cardiovasculares, epilepsia, asma, alergias ou doenças crónicas/prolongadas devem consultar o seu médico antes de utilizar qualquer óleo essencial.
• Se está a fazer algum tipo de medicação deve também falar com o seu médico ou farmacêutico antes de utilizar óleos essenciais porque eles podem interagir com alguns medicamentos.
• Se tem tendência para alergias e/ou a sua pele é muito sensível, faça um teste prévio: coloque uma gota do óleo essencial no interior do cotovelo, espere 48 horas, repita o teste e observe após 1 hora para ver se há alguma reação.
• Nunca aplique um óleo essencial nos olhos ou nas mucosas, seja puro ou diluído.

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Sabia que...

- O baixo rendimento das plantas explica o preço elevado dos óleos essenciais. Desconfie dos que são muito baratos...

- Pode combinar vários óleos essenciais, aumentando
a sua eficácia graças ao efeito sinergético entre eles.

- Deve verificar sempre o nome em latim da planta de onde é extraído o óleo essencial e a via e modo de utilização.

ALGUMAS RECEITAS ÚTEIS

As receitas infalíveis de Isabelle Pacchioni para algumas das maleitas e pequenos problemas de saúde que afligem o nosso dia a dia.
Para acalmar a pele irritada: misture 4 gotas de óleo essencial de lavanda verdadeira (lavandula angustifolia) ou camomila romana (chamaemelum nobile) com uma colher de café de óleo de amêndoas doces e massaje suavemente.


Para controlar a caspa: junte 2 gotas de óleo essencial de tea tree (melaleuca alternifolia) e 2 gotas de cedro do Atlas (cedrus atlantica) à sua dose habitual de um champô suave.


Para um banho calmante que ajuda a chamar o sono: use os óleos essenciais de lavanda verdadeira (lavandula angustifolia), camomila romana (chamaemelum nobile), laranja doce (citrus sinensis), tangerina verde (citrus reticulata blanco) e/ou lemongrass (cymbopogon citratus). A totalidade da quantidade de óleos essenciais não deve ultrapassar 10 gotas.


Para um banho que ajuda a drenar e a adelgaçar: óleos essenciais de limão (citrus limon), tangerina verde (citrus reticulata blanco), toranja (citrus x paradisi); niaouli (melaleuca viridiflora), rosmaninho canforado (rosmarinus officinalis camphoriferum), ylang-ylang (cananga odorata), cedro do Atlas (cedrus atlantica) e junípero (juniperus communis). A totalidade da quantidade de óleos essenciais não deve ultrapassar 10 gotas.


Para aliviar as dores musculares provocadas pelo exercício físico: massaje profundamente com uma mistura de 6 a 10 gotas de óleo essencial de gaultéria (gaultheria fragrantissima ou gaultheria punctata) com uma colher de sopa de óleo vegetal.


Para desinfetar e cicatrizar uma pequena ferida ou borbulha: aplique diretamente 1 gota de óleo essencial de tea tree (melaleuca alternifolia).
Para reduzir a ansiedade: deite 2 gotas de óleo essencial de laranja doce (citrus sinensis) numa colher de mel ou num comprimido neutro e tome todas as manhãs, repetindo a meio do dia e à noite se necessário (mas não mais de três vezes por dia).

Para afastar os piolhos (em crianças a partir dos 7 anos): aplique com o dedo, todas as manhãs, um pouco de óleo essencial de lavanda verdadeira (lavandula angustifolia) ou lavandin super (lavandula angustifolia x lavandula latifolia) nos cabelos (na nuca e em volta das orelhas), e coloque 1 gota na gola e no gorro.

Para ajudar uma criança (com mais de 7 anos) a dormir: durante uma semana, ao deitar, massaje-lhe a planta dos pés e ao longo da coluna vertebral com 2 ou 3 gotas de óleo essencial de lavanda verdadeira (lavandula angustifolia) diluídas numa colher de café de óleo de amêndoas doces.

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