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Saúde e Beleza

Conheça estas formas de contraceção não hormonais

Diana Patrício, naturopata e homeopata

Savushkin

Depois do meu último artigo “O outro lado da pílula”, em que exponho a forma como a pílula afecta a saúde das mulheres, desde o facto de impedir a produção das nossas próprias hormonas (estrogénio e progesterona) que desempenham um papel tão importante e tão abrangente na nossa saúde, aos efeitos nocivos das hormonas sintéticas contidas na pílula (estrogénios sintéticos e progestagénios), venho agora falar sobre formas de contracepção não hormonais.

Quero primeiro sublinhar que os efeitos secundários da pílula podem manifestar-se mais ou menos, dependendo de outros factores da saúde da mulher e da sua própria hereditariedade, podendo em muitos casos passar despercebidos. Apesar destes efeitos secundários estarem descritos na bula do fármaco, muitas mulheres desconhecem a sua existência, pelo que se faz necessária a discussão sobre contracepção e o diálogo com o/a ginecologista para que a forma de contracepção vá de encontro não só às necessidades da pessoa, de acordo com a sua situação clínica, mas também às suas expectativas relativamente a aspectos gerais da sua saúde.

Portanto, este artigo tem o objectivo de alargar o seu espectro de informação acerca das várias formas de contracepção para que possa ter um diálogo mais informado, proveitoso e esclarecedor com o seu/sua ginecologista. Antes de falar sobre as formas de contracepção não hormonais irei mencionar os dois tipos de pílulas que existem e algumas formas de contracepção que, tal como a pílula, também contêm hormonas, mas que são muitas vezes confundidas com formas de contracepção diferentes da pílula por serem administradas por outras vias que não a via oral.

Pílulas combinadas
Estas pílulas contêm um estrogénio sintético (por exemplo etinilestradiol) e um progestagénio (por exemplo levonorgestrel). O mecanismo de acção destas pílulas é o de suprimir a ovulação. Exemplos de pílulas deste tipo comercializadas em Portugal são a pílula Yasmin® e a pílula Minigeste®. O estrogénio sintético contido nestas pílulas é responsável por efeitos secundários como o risco de coagulação do sangue, que muitas vezes dá origem à formação de trombos sanguíneos que pode levar a tromboses, embolias e AVC’s.

Existem vários factores que aumentam o risco destes eventos para quem toma este tipo de pílula, tais como: idade superior a 35 anos, hábitos tabágicos, obesidade, problemas cardiovasculares, histórico familiar de problemas circulatórios e mulheres que já tenham tido cancro ou que sofram de Lupus.

Quanto à eficácia, as pílulas combinadas possuem uma percentagem de falha de 9% para uma utilização habitual (considerando a possibilidade de utilização incorrecta) e de 0,3% para uma perfeita utilização.

Minipílulas
A contrário das pílulas combinadas, as minipílulas contêm apenas uma hormona (um progestagénio) na sua composição, numa dose inferior à que é encontrada nas pílulas combinadas. O mecanismo de acção principal destas pílulas não é o de suprimir a ovulação, mas sim o de impedir a nidação (implantação do óvulo fecundado) e o de dificultar a deslocação dos espermatozóides até ao óvulo, ao tornarem mais fina a camada interna do útero (endométrio) e aumentarem a viscosidade do muco cervical.

No entanto, é sabido que em muitos ciclos as minipílulas acabam também por impedir a ovulação. Estas são as consideradas “pílulas fracas” e são as recomendadas durante o período de amamentação. A sua toma é continuada podendo, ou não, haver hemorragias que não são possíveis de prever.

O facto de conterem apenas um progestagénio numa dose não muito elevada, não torna estas pílulas isentas de efeitos secundários, sendo que os mais comuns são: alterações de humor, aumento de peso, acne e tensão mamária. Quanto à eficácia, as minipílulas têm uma percentagem de falha de 9% para uma utilização habitual (considerando a possibilidade de utilização incorrecta) e de 0,3% para uma perfeita utilização.

Anel vaginal
Ao contrário do que muitas mulheres pensam, o anel vaginal, tal como as pílulas combinadas, actua através de um estrogénio sintético (etinilestradiol) e um progestagénio (etonogestrel), ou seja, o seu mecanismo de acção é igual ao das pílulas combinadas – a supressão da ovulação. Desta forma, os seus efeitos secundários também não diferem dos das pílulas combinadas. Existe até um estudo publicado em 2010 que refere haver um risco maior de coagulação sanguínea em relação ao anel vaginal, quando comparado com a pílula ombinada.

Este aumento do risco deve-se à localização do anel vaginal, que por se encontrar numa zona altamente vascularizada, liberta as suas hormonas directamente para o sangue, ao contrário da pílula que tem que atravessar parte do aparelho digestivo antes de entrar no sangue. Quanto à eficácia, o anel vaginal tem uma percentagem de falha de 9% para uma utilização habitual (considerando a possibilidade de utilização incorrecta) e de 0,3% para uma perfeita utilização.

Adesivo
À semelhança do anel vaginal e das pílulas combinadas, o adesivo alia duas hormonas: um estrogénio sintético (etinilestradiol) e um progestagénio (norelgestromina). Desta forma o adesivo também suprime a ovulação. Relativamente aos efeitos secundários, o adesivo tem um risco acrescido de coagulação sanguínea, tal como o anel vaginal, uma vez que as hormonas entram mais facilmente na corrente sanguínea. Quanto à eficácia o adesivo tem uma percentagem de falha de 9% para uma utilização habitual (considerando a possibilidade de utilização incorrecta) e de 0,3% para uma perfeita utilização.

Implante
O implante, tal como a minipílula contém apenas uma hormona – um progestagénio (como por exemplo o levonorgestrel ou o etonogestrel). O mecanismo de acção do implante é igual ao da minipílula - diminui a espessura do útero para que o óvulo fecundado não se consiga implantar e torna o muco cervical mais espesso para dificultar o alcance do óvulo pelos espermatozóides. E, portanto, tal como a minipílula, o implante também suprime a ovulação em muitos ciclos. Os principais efeitos secundários associados ao uso do implante são as hemorragias irregulares e o aumento de peso. Quanto à eficácia, o implante tem uma percentagem de falha de 0,05%.

Injecção
A injecção contém um nível elevado de um progestagénio - o acetato de medroxiprogesterona – e é administrada via intramuscular a cada 3 meses. Os elevados níveis deste progestagénio suprimem totalmente a produção das nossas hormonas naturais (estrogénio e progesterona) gerando efeitos secundários mais acentuados, nomeadamente: aumento de peso, aumento do risco de cancro da mama, perda temporária da densidade óssea, podendo também originar estados depressivos. Quanto à eficácia, a injecção tem uma percentagem de falha de 6%.

SIU ou Sistema Intra-Uterino
O sistema intra-uterino é um pequeno dispositivo que se coloca no útero e que vai libertando localmente um progestagénio (levonorgestrel). Este progestagénio actua com base no mesmo mecanismo de acção que os outros – tornar mais fina a camada do endométrio e tornar o muco cervical mais espesso. Em Portugal uma das marcas comercializadas mais conhecidas é o Mirena®. É sabido que este sistema intra-uterino também suprime a ovulação em vários ciclos, mas isto acontece principalmente até ao primeiro ano de colocação. Depois disso a supressão das ovulações diminui, o que é claramente uma vantagem, dando à mulher a possibilidade de continuar a produzir as suas hormonas naturais - estrogénio e progesterona.

Uma das particularidades da utilização deste sistema é que a mulher deixa de ter hemorragias ou passa a tê-las de uma forma muito suave. Os efeitos secundários do SIU não são muito diferentes de outros métodos baseados em progestagénios, existindo ainda uma ligação com estados depressivos. Quanto à eficácia, o SIU tem uma percentagem de falha de 0,2%.

Depois de saber quais são os métodos hormonais, como é que actuam e as implicações que podem ter em aspectos gerais de saúde, vou agora mencionar alguns contraceptivos não hormonais. Quais são os métodos eficazes que não interferem com a nossa saúde geral e com o nosso sistema endócrino (hormonal) em particular?

Optei por seleccionar os que apresentam maior taxa de eficácia. Uns exigem mais compromisso, atenção e envolvimento da mulher (e por vezes do seu parceiro), enquanto que outros são mais práticos e não exigem grande atenção.

Preservativo masculino
O preservativo masculino dispensa apresentações, mas é sempre bom lembrar que para além de prevenir gravidezes não desejadas, ele protege contra doenças sexualmente transmissíveis. É para muitas pessoas uma forma de contracepção que não entusiasma por poder diminuir a sensação de prazer durante o acto sexual, no entanto, com a variedade disponível no mercado nos dias de hoje, já é possível encontrar preservativos que preservam a sensibilidade e a sensação de prazer.

Quanto à eficácia, o preservativo tem uma percentagem de falha para o uso habitual de 18% (considerando a possibilidade de utilização incorrecta) e de 2% para uma perfeita utilização.

DIU de Cobre
O DIU de cobre é um objecto de pequenas dimensões, composto por plástico e cobre, que, tal como o SIU, é inserido dentro do útero. Mas ao contrário do SIU, que liberta um progestagénio, este dispositivo não liberta qualquer tipo de hormona. O simples facto de estar posicionado no útero impede a implantação do óvulo fecundado e o facto de ser de cobre dificulta a deslocação dos espermatozóides para alcançar o óvulo. É imprescindível discutir junto do seu/sua ginecologista se este método se adequa ao seu caso, tendo em conta o seu histórico de saúde.

O DIU de cobre aumenta a intensidade do fluxo menstrual, pelo que, mulheres com tendência a menstruações intensas e abundantes, bem como a anemia, não reúnem as condições ideais para adoptar este tipo de método, pelo menos enquanto esses problemas de saúde não estiverem devidamente resolvidos e ultrapassados. Antes de inserir o DIU de cobre é importante testar os seus níveis de cobre para evitar valores muito elevados deste metal no seu corpo. Quanto à eficácia, o DIU de cobre apresenta uma taxa de falha de 0,6%.

Método de consciência de fertilidade
O método de consciência de fertilidade, ou, em inglês fertility awareness method (FAM), é um método extremamente eficaz quando aprendido e aplicado correctamente. No entanto, ainda é alvo de muito preconceito e desconfiança, não só por parte das pessoas em geral, mas também por muitos profissionais de saúde. Este método baseia-se em formas muito concretas de identificar o período fértil.

Não se trata de apontar as suas menstruações num calendário (o que também é muito importante e útil) e “prever mais ou menos” os seus dias férteis, não confunda. O método de consciência de fertilidade implica auto-consciência e auto-conhecimento e obriga a interpretar inequivocamente 3 sinais que o seu corpo lhe dá: a temperatura basal (temperatura do seu corpo ao acordar e antes de sair da cama), a aparência e características do muco cervical e as alterações no colo do útero.

Este é um método científico porque cada um destes sinais é interpretado à luz do que os factos mais recentes da ciência nos dizem a respeito da nossa fertilidade e dos nossos ciclos menstruais. É não só uma forma de aprender a evitar gravidezes não desejadas, mas também uma oportunidade de nos conectarmos ao nosso corpo e compreendermos o seu estado de saúde e equilíbrio. Se acha duvidoso é porque está simplesmente a duvidar da sua capacidade em aprender a ler o seu corpo.

O período fértil de uma mulher é de 6, no máximo 7 dias. Em todos os outros é impossível de ocorrer uma gravidez. Na realidade o que dá origem à gravidez é a fecundação, que é um evento relativamente rápido, no entanto, como os espermatozóides podem sobreviver no corpo da mulher por 5 dias, se a mesma tiver tido relações sexuais desprotegidas 5 dias antes da ovulação, ela poderá engravidar quando o óvulo for libertado. Sendo que o óvulo sobrevive por cerca de 24 horas depois de ser libertado, o período fértil aumenta para 6 dias. Se for liberado um segundo óvulo (é um acontecimento raro e é o que dá origem aos gémeos heterozigóticos (“falsos”) o período fértil estende-se por mais um dia.

Temperatura basal:
Corresponde à temperatura do corpo ao acordar, mas ainda antes de sair da cama. Deve ser medida debaixo da língua, com um termómetro digital com duas casas decimais. Medir a temperatura basal é um indicador da ovulação uma vez que logo após a ovulação a temperatura do corpo aumenta de 0,3 a 0,5°C. Se a sua temperatura sofreu este aumento durante no mínimo 3 ou 4 dias seguidos significa que já ovulou e por isso está livre de engravidar pelo menos até à próxima menstruação.


Muco cervical

A observação do muco cervical ajuda a identificar os dias férteis antes da ovulação. Com o aproximar da ovulação é normal haver uma descarga vaginal que se assemelha a clara de ovo. O muco cervical torna-se mais fluído e elástico de forma a facilitar a deslocação dos espermatozóides até ao óvulo.

Colo do útero

Durante o período fértil, a textura do colo do útero é mais suave e a sua posição é mais elevada (distante da vagina), enquanto que fora do período fértil ele apresenta-se com uma textura mais rígida e uma posição inferiorizada, mais próximo da vagina (cerca de um dedo de comprimento). Obviamente que se quer aplicar o método de consciência de fertilidade, terá de ser devidamente instruída para que o saiba fazer correctamente. Pelo meio é possível que se depare com algumas questões em relação ao equilíbrio da sua saúde e dos seus ciclos e que navegue no sentido de encontrar respostas para possíveis desequilíbrios e assim ganhe cada vez mais auto-conhecimento.

Isto é o que me fascina neste método, o facto proporcionar e possibilitar muito mais do que apenas identificar o período fértil, mas é muitas vezes este aspecto de exigência de compromisso e envolvência no processo que afasta muitas mulheres dele. Se quiser começar a explorar este método e tornar-se numa expert no assunto, aconselho-a em primeiro lugar a conectar-se com os sinais do seu corpo e com a sua fertilidade e para isso poderá ter como ajuda o meu livro “Saúde Feminina”, depois disso, para aprimorar o método, aconselho a leitura de obras como: “The complete guide to fertility awareness” e “Taking charge of your fertility”.

Quanto à eficácia, o método de consciência de fertilidade possui uma taxa de falha de apenas 0,6% para uma perfeita utilização, o que foi concluído através de um estudo feito na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, em 2007.

Monitor de fertilidade Daysy ®
O monitor de fertilidade Daysy® é, na minha opinião, a alternativa ideal para quem não quer ou não consegue comprometer-se a aprender a usar o método de consciência de fertilidade, mas por outro lado não quer utilizar nenhum dos outros métodos descritos. Este dispositivo médico electrónico tem a capacidade de calcular o seu período fértil com base na medição e registo diários da sua temperatura basal, através do mesmo.

Ao identificar de forma precisa e segura o seu período fértil, tem a possibilidade de utilizar métodos contraceptivos de barreira (como o preservativo, por exemplo) durante esses dias e assim de prevenir a gravidez. O dispositivo tem conexão com uma aplicação desenvolvida pela marca, que poderá ser instalada no seu smartphone e através da qual lhe é permitido consultar os dados resultantes das suas medições de forma bastante detalhada.

O monitor de fertilidade Daysy ® alia eficácia e sofisticação, a comodidade e simplicidade. Se quiser saber mais acerca deste dispositivo, aconselho-a a consultar o artigo que escrevi acerca do mesmo e que se encontra publicado no meu site. Este dispositivo oferece uma eficácia de 99,4% no apuramento do período fértil, aquando de uma perfeita utilização.

Se pretende informação mais detalhada acerca dos conteúdos que aqui exponho e outros relacionados com a saúde da mulher, poderá consultar o meu livro “Saúde Feminina”.

Para mais informações ou marcação de consulta, visite o meu site: www.dianapatricio.com.

Dra. Diana Patrício

Dra. Diana Patrício

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