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Diz quem sabe: Qual o interesse das algas marinhas na alimentação humana

A nossa especialista explica.

Inês Tavares/Nutricionista

Wiyada Arunwaikit

As algas marinhas dividem-se em micro e macroalgas. As primeiras, como o prefixo indica, são um grupo de algas microscópicas maioritariamente unicelulares. A spirulina (Arthrospira), talvez a mais conhecida, é uma cianobactéria que se insere neste grupo taxonómico.

Já as macroalgas são visíveis a olho nu e são as mais utilizadas directamente na alimentação humana: algas verdes, castanhas, vermelhas e hidrocolóides (obtidas a partir das duas últimas).

O interesse nutricional das algas marinhas está longe de ser menosprezável. Dependendo da espécie, são possuidoras de um elevadíssimo teor em cálcio, potássio, iodo, ácidos gordos Omega – 6 e Omega – 3. Apesar das microalgas possuírem um teor lipídico absoluto superior, as macroalgas são mais ricas em ácidos gordos essenciais Omega-3, nomeadamente em ácido eicosapentaenóico (EPA). São ainda fontes alternativas de fibra solúvel e proteína, potencialmente importantes em determinados regimes alimentares como o vegetarianismo.

Hidrocolóides

A carragena, os alginatos e o agar são obtidos a partir de algas castanhas e vermelhas e são chamados de agentes gelificantes pela capacidade em formar géis. São usados na indústria alimentar e em preparações culinárias como alternativa à gelatina de origem animal conferindo um efeito espessante.

Spirulina (Arthrospira)

É uma microalga ingerida como suplemento alimentar ou usada desidratada em sumos, batidos, papas ou sopas. Destaca-se o elevado teor em proteína, ferro, potássio, vitamina B6 e B-caroteno.

Terá um potencial antioxidante, anti-inflamatório, prebiótico e imunomodulador. É possível que tenha igualmente um efeito hipotensor, hipoglicemiante e um efeito benéfico no perfil lipídico apesar de estes mecanismos não estarem completamente esclarecidos. Apesar do seu interesse nutricional, são necessários mais estudos de qualidade que comprovem e expliquem

os seus efeitos benéficos assim como os potenciais efeitos adversos, pelo que é recomendável moderação no seu consumo.

Kombo (Laminaria digitata)

São um grupo de algas castanhas ricas em ácido glutâmico, um aminoácido intensificador do sabor dos alimentos e o responsável pelo sabor umami. São frequentemente usadas para aromatizar sopas e caldos ou cozinhadas com leguminosas ou pratos de arroz.

A Laminaria digitata contém um elevadíssimo teor de sódio, potássio, ferro e iodo, devendo ser consumida com especial moderação (ver cuidados a ter).

Dulse (Palmaria palmata)

É uma alga vermelha usada na confecção de sopas, pratos de peixe e como condimento. Destaca-se o elevado teor em potássio, iodo, fibra, hidratos de carbono e ácidos gordos Omega – 3, além de conter aminoácidos essenciais como a histidina, a leucina, a isoleucina e a valina.

Nori (Porphyra umbilicalis)

Utilizada na preparação de sushi ou adicionada a saladas e sopas miso, é uma alga vermelha com um teor proteico muito considerável e partilha a riqueza em minerais das restantes algas.

Wakame (Undaria pinnatifida)

Esta alga verde é maioritariamente utilizada como acompanhamento ou em saladas, sopas e pratos de arroz. Possui um elevado teor em cálcio, sódio, Omega - 3 e Omega – 6.

Cuidados a ter

Nos alimentos comumente descritos como “saudáveis” pode haver a tentação do consumo indiscriminado. Devemos ter bem presente que um alimento só é “saudável” dependendo da quantidade ingerida e da pessoa a quem se destina.

A presença de metais pesados ou pesticidas e o eventual potencial alérgico são riscos que devem estar claros na mente do consumidor de modo a prevenir excessos.

No que respeita às algas marinhas enquanto suplementos alimentares como a spirulina, e apesar do interesse nutricional, a dose segura para consumo humano e os respectivos efeitos não são consensuais, devendo o consumidor ser prudente na sua ingestão diária. O mesmo cuidado é aplicável às restantes algas, cujo teor em iodo, potássio e sódio é tão elevado em

algumas espécies, que pode ser prejudicial a determinadas condições de doença ou mesmo em indivíduos saudáveis que consumam de forma excessiva estes alimentos. O elevado teor em iodo pode ser desregulador do normal funcionamento da tiroide e o consumo excessivo de potássio é contraindicado na insuficiência renal crónica e em doentes em diálise. Quando ao sódio, é conhecida a sua influência no aumento da tensão arterial interferindo directamente na doença cardiovascular. Estes cuidados são particularmente importantes no consumo de Kombo (Laminaria digitata).

A inclusão de algas marinhas na dieta humana apresenta benefícios reais se a ingestão for integrada numa alimentação rica, variada e equilibrada e tendo sempre a moderação como princípio no consumo de qualquer alimento.

www.inestavares.pt

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