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Crónica: A problemática do piropo

A questão dos piropos tem estado  on fire nos social media e revistas online (sobretudo americanas) e ainda não atinei com a fonte. Se calhar isso é secundário, porque o assunto vem à baila de tempos a tempos - mesmo por cá, no ano passado.

Imperatriz Sissi

Assédio ou não? Devia dar direito a multa, ou não? A questão tem muito que se lhe diga e é claro que não ajuda à discussão que certas alas políticas (adivinhem quais) e certos movimentos tragam para cima da mesa a velha cassete de "acabar com a sociedade patriarcal e machista!" esse papão que ninguém sabe exactamente o que é.

Um portal americano até se deu ao trabalho de elaborar "respostas femininasàs desculpas masculinas para o direito a atirar piropos". Umas têm a sua lógica, outras são totalmente disparatadas e caem na lamúria do costume. Ora, as mulheres precisam de perceber que com lamúrias ninguém as leva a sério.

 Segundo consegui confirmar com uma pesquisa não- tão- rápida- como- issono Google - o que prova que a questão está pouco clara - no nosso País  o piropo é punido por lei se corresponder a "actos exibicionistas de importunação"(recordo-me de ter visto algo na Lei que proíbe olhar fixamente para as pessoas, mas lamentavelmente não encontro)....

E queiram desculpar as senhoras mais picuinhas, mas parece-me que  está razoável assim (a Lei, não a falta de informação sobre ela) e que enquadra aquilo que é realmente incomodativo.

Ponto um: é preciso separar uma brincadeira bem educada ou galanteiode intimidação, insulto, ofensa, injúria. Se formos seguidas na rua, assediadas com palavrões ou coisa pior, é legítimo dizer a um polícia "aquele indivíduo está a incomodar-me". O assédio no local de trabalho e outras formas de abuso estão igualmente contempladas. Quanto às consequências para quem prevarica isso já é outra história, mas o que importa é que tudo isso está previsto, que pode ser utilizado em defesa de quem passeia na rua, que a pessoa que ofendeu pode ser chamada à atenção pelas autoridades e pensar duas vezes para a próxima. Se não queremos dar-nos ao trabalho de perder tempo a denunciar o acontecido porque enfim, palavras leva-as o vento, aí o caso é outro. 

Ponto dois: aqui é que o bicharoco torce o rabo, porque a maioria das mulheres não gosta de ouvir isto e salta logo com o argumento revoltado"então agora a culpa é nossa??? Já não se pode andar na rua à vontade?" mas cá vai, de mulher para mulher. A modéstia impõem respeito. Quem não quer o tipo errado de atenção, evita uma apresentação que atraia atenção negativa. 

Quero dizer com isto que uma mulher merece ser atacada porque sai à rua vestida de forma provocante? Não, não merece. Ninguém tem o direito de invadir o espaço alheio. Mas vivemos num mundo imperfeito e temos de saber lidar com isso. A Polícia reconhece que as mulheres, só por o serem, são um grupo de risco e desaconselha as pessoas a andar na rua, ou em certas ruas e a certas horas sozinhas, ou com muito ouro, por exemplo. Se andarmos na Baixa carregadas de jóias, com dinheiro à vista, e formos vítimas de furto, o ladrão é menos culpado? Nada disso. É punido na mesma, se o apanharem. Porém, à vítima já ninguém a livra das consequências. Não tem culpa, é certo, mas foi imprudente. 
 

Leia aqui a continuação do texto e visite o blog.

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