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"O que aprendi com o meu divórcio": 7 conselhos para casamentos mais felizes

Sete mulheres partilham connosco o que de mais importante aprenderam com os seus (entretanto terminados) casamentos. Lições do passado de que todas podemos beneficiar.

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Richard Clark

“Não espero tanto do outro, acima de tudo estou eu”
“Não me separei por falta de amor, mas por excesso. Dezassete anos depois percebi que não me sentia feliz num casamento ‘tradicional’, com tudo de bom e mau que tinha. O mais difícil foi sempre olhar para os meus filhos e decidir que eu tinha que ser feliz. Hoje sinto que ter uma relação não é o mais importante da minha vida. Não espero tanto da outra pessoa. Acima de tudo estou eu. Claro que conta o facto de não pensar em voltar a casar ou ter mais filhos.” Mariana Sá, 46

Fora de cena quem não é de cena!
“Hoje tenho a noção de que um dos problemas do nosso casamento foi existir demasiada gente sempre por perto. A minha sogra estava lá sempre em casa e quando não era ela eram os nossos amigos. Adorávamos recebê-los e convidávamos toda a gente a ir até lá. E realmente tivemos muitos serões e fins de semana divertidos. Mas hoje, olhando para trás, arrependo-me de não termos passado mais tempo a sós. Parece que deixámos de saber como fazê-lo...” Sandra Antunes, 40

Confiar no parceiro e respeitar o espaço dele
“Não há conselhos perfeitos – se assim fosse os casamentos não terminavam, bastava ouvirmos a amiga, a vizinha, quem se tivesse divorciado, para não fazermos o mesmo.
O meu casamento durou 20 anos, mas tenho a certeza que outras pessoas na minha situação tinham posto um ponto final ao fim de 10! O meu ex-marido era a verdadeira definição do ciúme: se eu não atendesse o telemóvel à primeira ele ligava 20 vezes seguidas, se fosse preciso, mandava sms a perguntar onde estava e porque não atendia e depressa partia para o insulto. De seguida ligava para o meu trabalho. Fazia cenas na rua, queria saber a minha password do computador, do Facebook, controlava o meu telemóvel. Ao longo dos anos foi-se tornando também agressivo e então a coisa tornou-se intolerável.
Juro que não sei se aprendi alguma coisa, pois agora estou numa outra relação e a ciumenta sou eu. Mas só reclamo com ele por chegar mais tarde, jamais me passaria pela cabeça ir ver o telemóvel ou o PC dele (e nem um nem outro têm password). Se a relação um dia acabar não será por desconfiar dele ou ele de mim.” Maria Alves, 43

Livre-se dos fantasmas do passado
“Saí de um casamento falhado com muitos anos felizes e outros tantos absolutamente infelizes... e saí tão farta que o tempo que passei com os meus filhos e comigo mesma me soube pela vida. Primeiro porque nunca tinha estado sozinha, e depois porque foi a primeira vez que fui obrigada a perceber onde tinha errado, a perceber o que queria para a minha vida daí em diante.
Quando surgiu alguém na minha vida, neste caso alguém que já conhecia há 20 anos, dei por mim a perceber que afinal tinha sido ele (o atual) a definir o ideal de homem para mim. E como foi bom reencontrar esse grande amor e a pessoa que tinha estabelecido o meu padrão!
O meu conselho é que devemos livrar-nos dos fantasmas do passado, pôr uma pedra em cima das frustrações, angústias e incertezas e agarrar os ensinamentos, recordar e perpetuar as coisas boas que tivemos, gerir expectativas, dar um passo de cada vez, aproveitar o que a maturidade nos trouxe e... siga!” Ana Rebelo, 39

Ser independente e fugir ao mito da supermulher
“A primeira regra de ouro para que um casamento funcione é a independência económica. Para que funcione tens que ter a tua segurança, porque a partir do momento em que exista dependência económica já não é amor: é dependência. Se tivermos dinheiro para nos mantermos, a nós e aos nossos filhos, podemos fazer mil coisas. Caso contrário, vivemos submetidas. Conheço vários casos de mulheres que já não amam as pessoas com quem estão e que aturam essa situação porque são dependentes. Chamo a esta situação, na Europa, a ‘burka transparente’ – não se vê mas está lá, a dependência.
A segunda regra é fugir ao mito da supermulher. Hoje estava a ler um artigo (supostamente) escrito por uma mulher, que me revoltou muito. Dizia que todas as mães eram como deusas com superpoderes: supervisão, super-audição, superelasticidade, quando a criança está doente é a mãe que lá está para dar miminhos e curar. E ainda por cima, depois disso tudo, a mãe ainda tinha tempo para ‘ver um filme com o marido’, entre outras múltiplas coisas maravilhosas. Desde crianças somos preparadas para ser donas de casa, tratar das crianças, sermos perfeitas... e acabamos com uma carga brutal às costas. Somos grandes profissionais, mas sofremos a lavagem cerebral que temos de ser grandes donas de casa, cozinhar lindamente (e gostar disso, senão não és mulher). Só aos 40 te apercebes que te fizeram uma lavagem cerebral, quando levamos um pontapé no rabo porque o ‘príncipe encantado’ arranja uma mulher de 25. E ainda têm a pouca vergonha de vir dizer ‘já não és a mulher divertida que eu conheci; estás a ficar chata, estás sempre cansada, nem cuidas de ti’. Veem-te chegar a casa carregada de compras, sorriem e dizem ‘és fabulosa...’ Ou então perguntam se queremos ‘ajuda’. ‘Ajuda? Faz a tua parte! 50% da cozinha desarrumada também é tua. Isto não é território feminino. Se os dois trabalham fora de casa, terá de ser assim!” Mercedes Pedrosa, 44

Aprender a respeitar a diferença
“Tenho consciência de que gosto de ter tudo sob controlo e que sou muito crítica – posso ser mesmo chata. Enervo-me quando as coisas não saem como eu acho que devem ser... e isso também acontecia com o meu ex-marido, inevitavelmente. Levei muito tempo a perceber que tinha que controlar esse meu lado e ser mais descontraída. Hoje, sei que é importante aprender a respeitar a diferença do outro, ou seja, aprender a aceitar ajuda do parceiro e a maneira de ele fazer as coisas. É preciso focarmo-nos mais nas coisas boas que vão acontecendo e não pensar tanto nas chatices, não perder a cabeça por questões que, se virmos bem, não têm importância nenhuma.” Laura Castro, 42

Não espere que ele esteja sempre no estado de paixão
Estive casada pouco tempo, apenas um ano e meio, e já me divorciei há 19 anos. Mas aprendi que não há pessoas perfeitas, por isso não vale a pena idealizar completamente alguém, embora inconscientemente o façamos sempre quando escolhemos alguém para passar o resto da vida – é inevitável. Com os anos aprendemos a fazê-lo menos. Outra das coisas que acho importante é esperarmos o melhor do outro, não a perfeição. Não podemos esperar que ele faça tudo certo, mas que faça o seu melhor. E nunca humilhar ou ofender o outro naquilo que se espera socialmente dele, porque vai destruí-lo de alguma forma. Não podemos esperar que o outro esteja sempre no mesmo estado de enamoramento – nem as mulheres nem os homens. Há muitas oscilações ao longo do tempo e isso não quer dizer que não haja interesse – houvesse um interesse total e constante até seria sinal de obsessão; só tem piada nos primeiros tempos. Mas isso não quer dizer que não faça o parceiro sentir-se único – não é contraditório.”
Maria Ferreira, 47