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O sexo ao longo dos tempos: quem, como e com quê

Para que se inventou o vibrador? Que tinham Oscar Wilde e Flaubert em comum? Que punham os gregos no jardim para incentivar a fertilidade? Mergulhámos debaixo dos lençóis e fomos conhecer algumas das histórias mais picantes dos ‘vips’ descritas no livro ‘O Sexo ao Longo dos Tempos’.

Catarina Fonseca

Diego Velázquez: 'Vénus ao Espelho'

Diego Velázquez: 'Vénus ao Espelho'

A Grécia Clássica era um ótimo lugar para viver: se se fosse homem. Para uma mulher, nem tanto. As mulheres ficavam em casa enquanto os maridos se divertiam uns com os outros, e nem sequer jantavam com os respetivos. Não admira que as famílias numerosas fossem poucas… Muitos médicos tinham de aconselhar os maridos a dormirem com as mulheres ‘pelo menos três vezes por mês’ caso estivessem interessados em ter descendência. Não admira também que as suas ideias sobre a dita descendência fossem pouco de fiar. “Acreditava-se que, se um homem atingisse o orgasmo primeiro, seria concebido um rapaz. Se fosse a mulher, ‘infelizmente’ viria uma rapariga”, podemos ler no livro ‘O Sexo ao Longo dos Tempos’, de Karen Dolby.

No Egito, pelo contrário, as mulheres eram admiradas, tinham vários direitos, e nem depois de morta uma rapariga se via livre dos seus admiradores: era sabido que alguns embalsamadores se ‘entretinham’ com as suas ‘clientes’ horas depois da morte. Afinal, já não estavam em estado de protestar…

“Em Roma valia quase tudo: pelo menos para os imperadores. Calígula cometeu incesto com as três irmãs e selecionava as mulheres dos amigos para terem sexo com ele. Depois atribuía-lhes uma classificação”. Não admira que acabasse assassinado, aos 29 anos.

Caso não se fosse imperador psicopata (nem homem) outro galo cantaria: o adultério das mulheres era punido com a morte – mas não se fossem prostitutas. Adivinhem lá o que fizeram algumas delas: pois – registaram-se num bordel. Quanto aos homens ricos, tinham vários companheiros do sexo masculino sem que o facto fosse minimamente malvisto.

Imagine que era uma entediada matrona grega ou romana e não podia ter um divertido caso com o seu jardineiro porque acabaria morta, mas queria embelezar um bocado o seu quintal. Pois nada melhor que… um bonito pénis gigante em terracota. Príapo era o deus da fertilidade, reconhecido pelo seu pénis descomunal. Havia muitas estátuas nos jardins à entrada das casas, para… afugentar ladrões.

A história do monge e a da princesa portuguesa

Foi na Idade Média que o sexo se transformou numa coisa suja, e os padres foram proibidos de casar. O reformador da igreja, o monge Martinho Lutero, condenava estes votos de celibato, mas jurava que ele próprio nunca se casaria (basicamente, por não ter paciência). Mas, um dia, ajudou um grupo de freiras a fugir de um convento. Coitado, mal sabia no que é que se metia. Pouco depois, casou-se com uma delas. O monge e a freira foram tão felizes que tiveram 6 filhos, adotaram outros 4, e anos mais tarde Lutero escreveu a um amigo prestes a casar: “Quando dormires abraçado à tua Catherine, pensa: este fruto do homem, esta maravilhosa criatura de Deus, foi-me oferecida pelo meu Cristo. Que ele seja louvado e glorificado.” Nem mais.

Claro que os maiores amantes – ou pelo menos os que ficaram para a História – não eram monges, mas reis. “Carlos II de Inglaterra foi criado em França (o que explica muita coisa) e quando voltou não deixou de ter amantes. A preferida era Bárbara Villiers, uma mulher casada. Felizmente que tinha com o marido aquilo a que se chamaria hoje um ‘casamento aberto’. Tão aberto que Bárbara teve 5 filhos do rei. E Carlos concedeu ao marido dela o título de Conde. Bárbara conseguia tudo o que queria: inclusive ser nomeada para dama da rainha”: a pobre Catarina, princesa de Portugal.

Segundo dizem as más línguas, Carlos pôs os olhos na mulher e declarou: “Pedi uma mulher, mandaram-me um morcego” (mas parece que é mito). Mito ou não, escusado será dizer que Catarina, educada na mais profunda fé católica, não foi muito feliz com um homem que tinha todas as amantes que queria (nenhuma delas com cara de morcego). Mas Carlos teve um ponto a seu favor: mesmo depois de ter tido mais de 14 filhos com as amantes e nenhum da rainha, nunca repudiou Catarina pela falta de herdeiros, insistindo sempre, contra todos os seus 14 filhos, que o defeito era dele.

Outra das muitas amantes de Carlos foi Luísa de Kerrouaille, também dama da rainha Catarina. Teve azar – foi contaminada com uma doença venérea do rei e impedida de ter sexo – mas sorte – o rei manteve-a, mesmo sem sexo. Curiosidade: entre os seus descendentes incluem-se Diana, a princesa de Gales, Camila e Sara. É favor não tirar conclusões.

Perversidades vitorianas

O reinado de Vitória pode ter ficado para a história como a época dos pudicos, mas ninguém tem 9 filhos sem uma vida sexual ativa. “Também se diz que Vitória tinha uma tatuagem íntima (uma píton e um leão) e Alberto, o marido, um piercing no pénis (que tinha uma função prática: ajudava-o, através de uma fita passada pelo anel, a ‘aconchegar’ o membro nas calças muito apertadas, como era moda).”

Nem o seu próprio filho foi um exemplo de castidade. Problema: ao contrário de Luis XIV, Eduardo VII já não podia fazer desfilar as amantes (mais de 55) em público: a imprensa já andava em cima dos casos reais, e o povo não achava graça.

Claro que, pelos códigos da época, havia bastante pior que ser mulherengo: ser gay. A homossexualidade era condenada como perversidade, embora tolerada desde que fora da vista. Quando à vista, era considerada crime. Em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por ‘atos imorais com diversos rapazes’. Os anos na prisão resultaram num dos seus livros mais famosos, mas arruinaram a sua saúde e a sua vida social. Quando saiu da prisão, apenas um amigo esperava o homem que fora um dos mais influentes da sociedade inglesa.

Outro escritor, Flaubert, tinha como lema não negar à partida uma ciência que desconhecia, e não só fazia gala em experimentar tudo como relatava em pormenor as suas descobertas. “Aprendem-se tantas coisas num bordel!”, desabafou. No Cairo, perseguiu uma bailarina e frequentou os ‘banhos’, relatando como se ‘apanhavam’ jovens rapazes.

De regresso a França, escreveu ‘Madame Bovary’, que em comparação com os seus relatos eróticos é o ‘Baby Tv’. Mesmo assim, foi acusado de imoralidade pelo governo francês. Teve sorte: ao contrário de Oscar Wilde, foi absolvido. Mas também não lhe serviu de muito: morreu de sífilis, aos 58 anos.

Trate-me, doutor

Os vibradores não foram inventados pela Samantha do ‘Sexo e a Cidade’: de facto, foram dos primeiros aparelhos a serem eletrificados – bem antes dos aspiradores. O primeiro vibrador elétrico foi testado em França, em 1873, para tratar casos de ‘histeria feminina’, e parecia-se mais com um Black&Decker do que com um pénis.

‘A histeria’ estava muito na moda no século XIX, e mostra apenas uma coisa: como as mulheres, o seu corpo e a sua mente eram completas desconhecidas para os homens.

As mulheres eram educadas para serem castas e submissas, forçando-as ao sentimento e não à razão. Na popular ‘condição’ de ‘histeria’ cabiam praticamente todas as doenças do mundo, mas numa época em que as mulheres decentes não deviam saber o que era o desejo sexual, não admira que muitas recorressem aos médicos de modo a atingirem o ‘paroxismo histérico’, principalmente quando muitos deles levavam horas no divã até que as suas ‘pacientes’ estivessem devidamente consoladas. Quer dizer, curadas.

De uma maneira ou de outra, mais ou menos reprimidos, a verdade é que os apaixonados sempre arranjaram forma de se satisfazerem.

Como dizia a atriz inglesa Mrs. Patrick Campbell, quando lhe vieram contar sobre o relacionamento homossexual de dois amigos, “não me interessa nada o que as pessoas apaixonadas fazem, desde que não o façam na rua e assustem os cavalos”.

Sabia que...

A palavra prostituta vem da Roma Antiga:

As raparigas ficavam (‘stare’) em frente (pro) dos possíveis clientes, que as observavam. Já ‘puta’ vem da palavra latina igual, que queria dizer simplesmente ‘menina pequena’ (aliás, curiosamente mantivemos o significado literal para ‘puto’…) Quanto à palavra inglesa ‘hooker’ apareceu durante a Guerra Civil Americana, entre 1862 e 1867, quando o general Joseph Hooker ficou fã de uma sequência de bordéis em Washington, desde aí conhecida como ‘a Linha

de Hooker’.

Casos com animais não faltavam no Novo Mundo

Talvez por falta de candidatas humanas: em 1642, um rapaz de 16 anos foi apanhado em flagrante com uma égua, e executado. Outro homem foi acusado de ser pai de um leitão. Apresentaram-se como provas as notáveis parecenças do homem com o animal. Vá lá, desta vez foi só condenado a chicotadas e trabalho forçado. Não se sabe

o que aconteceu ao leitão.

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