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Há vida (sexual) para além dos filhos

Numa coisa todas as mulheres concordam: ter um bebé não consta em nenhum manual de preliminares sexuais e a sensação de que nada vai voltar a ser igual é comum a todas. Perguntámos a recém-mães quais eram os seus maiores medos e descobrimos que para tudo há solução.

Catarina Fonseca

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*artigo publicado na revista ACTIVA de junho de 2018

“Confesso: não quero sexo. Quero é dormir!”


Principal queixa: o sono. É oficial: escusa de se sentir culpada. Segundo uma pesquisa do site inglês para mães Mumsnet, 38% das mais de mil mães que responderam preferiam uma boa noite de sono a uma boa noite de sexo (uma boa refeição e uma saída com as amigas também tiveram algumas adeptas). “Ninguém tem vontade de sexo com sono, nem depois do parto nem nunca”, confirma o sexólogo Fernando Mesquita. “Por isso é que é tão importante a partilha de tarefas e sobretudo de noites.” Se já está a dizer “Está bem está”, temos mais sobre isso lá à frente. Uma dica: se quer mesmo ação no quarto, não a deixe para o fim do dia. É uma receita segura para estarem os dois estoirados.

“Ninguém me avisou que o meu corpo ia mudar tanto!”


Mesmo quando se faz uma cesariana, o corpo muda tanto através de uma gravidez que é normal a mulher ter de ‘reaprender’ a lidar com ele. Boas notícias: o corpo recompõe-se, temos é de lhe dar tempo para isso e ter paciência. “Claro que quando há um parto normal há sempre distensão da vagina”, explica a obstetra Patrícia Pinto Teixeira. “Mas tranquilize-se: o corpo vai voltar ao normal. E aquilo que eventualmente não fique igualzinho ao que era, não vai afetar em nada a vida sexual.”

“Estou a amamentar e o meu desejo caiu a pique...”


Depois do parto é normal que o desejo diminua, porque… o próprio corpo lhe ordena isso. A culpa? É das hormonas. Principalmente da prolactina, que estimula a produção de leite mas que em excesso vai inibir o desejo sexual. “As alterações hormonais a seguir ao parto vão inibir a libido: a prolactina sobe, e todas as outras hormonas baixam”, explica Patrícia Pinto Teixeira. “Isto, depois de uma gravidez em que todas as hormonas estiveram em ‘alta’, vai causar grandes alterações na libido feminina. É uma espécie de ‘menopausa’ (risos).” Porque é que isto acontece? “Pensa-se que é uma forma natural de afastar as mulheres de uma nova gravidez quando têm um bebé recente. Só três meses depois é que o nível de hormonas recomeça a normalizar.”

“Sempre achei que ia ser a pessoa mais feliz do mundo quando fosse mãe. Mas dou por mim tão em baixo que nem tenho vontade de nada, quanto mais de sexo...”


Somos um pack de cansaço e stresse no pós-parto, a juntar a uma criatura que depende de nós para tudo e não fala connosco (pronto, duas se juntarmos o Zé Manel). E os distúrbios de humor podem ser vários: desde o ‘baby blues’ (uma transição de humor entre o terceiro e o quinto dia depois do parto, que passa por si) às depressões pós-parto que requerem acompanhamento médico. Estima-se que a depressão pós-parto afete cerca de 13% das mulheres portuguesas, principalmente mães de primeiros filhos (nos Estados Unidos este valor sobe para 20%!) “A depressão causa uma desmotivação total e isto vai afetar também a vida sexual”, nota Patrícia Pinto Teixeira. “A mulher fica completamente desligada, e é natural que a parte sexual sofra.”

“O meu marido até está disposto a partilhar tarefas, mas tenho medo de lhe confiar o bebé...”


O nosso filho é precioso, deu-nos muito trabalho e não confiamos totalmente numa criatura que nem sobrinhos teve e que parte todos os copos na cozinha… Certo? Parece que não é bem assim. Vamos lá então saber quem faz o quê: “Claro que ainda há muitos homens pouco dispostos a deixarem a cama de noite quando o bebé chora”, confirma Fernando Mesquita, coisa que já bastantes mulheres descobriram ao longo dos milénios. Quando alguém tem de se levantar, o homem pode não se levantar, a mulher não pode não se levantar. É tão simples e tão injusto quanto isto. Mas (há sempre um mas) “Também há muitas mulheres que preferem não partilhar o bebé em vez de terem o trabalho de ensinar o marido”, lembra Fernando Mesquita. “E essa partilha do bebé tem de ser feita logo desde que a criança nasce. O pai tem de mostrar que quer mesmo partilhar estes momentos. O que acontece muitas vezes é que o pai diz que quer participar, e a mãe diz ‘Tu não tens jeito’ e ele aceita isto. Não deve aceitar, deve forçar, a bem do filho. Porque não fazer nada é muito mais confortável…”

“Tive um bebé há 8 meses 
e ainda não tornámos
a ter sexo. É normal?”


Não há ‘receitas’. O período sem sexo depois do parto é muito variável. “A partir de um mês, se não houver contraindicações, a mulher já pode voltar à sua vida normal”, explica Patrícia Pinto Teixeira. “O problema é o medo: o corpo mudou, se foi um parto normal houve pontos, as mulheres têm medo que lhes doa, os maridos têm medo de as magoar…” Um em cada 5 casais não tem relações depois de ter filhos durante um a dois anos, segundo Fernando Mesquita. Não deve forçar o sexo, mas também não deve deixar que a situação se arraste, porque aos poucos vão-se criando barreiras difíceis de quebrar. O que fazer: “Reconheçam que, embora sejam pai e mãe, não deixaram de ser amantes. Não se percam como casal no papel de pais.” Hummm. É bonito, mas é mais fácil de dizer do que de fazer. Lições práticas: “Esforcem-se para passarem algum tempo juntos, mesmo que não tenham sexo, estejam um com o outro. Podem fazer massagens, tocar-se, beijar-se.” Isto, claro, partindo do princípio de que o bebé não foi uma tentativa para melhorar um mau casamento. Más notícias: nunca funciona.

“Faz-me impressão achar que o bebé vai acordar e ver aquilo (risos). É habitual este ‘fantasma’?”


É. Aliás, vai ter de se habituar à presença de um filho durante ainda muitos anos... “Um terceiro elemento muda toda a dinâmica do casal”, reconhece Fernando Mesquita. Como é que havemos de encontrar um momento para namorar a sós quando há outra pessoa que está lá sempre? “É importante que o casal se reorganize ainda antes do parto, de maneira a que não seja apanhado desprevenido. Há que ter em conta que a criança vai sempre ser a prioridade de ambos, mas organize-se para criar momentos a sós, a dois.”

“O desejo chega de forma natural, ou é preciso dar um empurrãozinho?”


‘Então tira lá a tua agenda: eu posso aqui entre o dia 2 e o dia 5, mais ou menos entre as 15h e as 16.10, e tu?’ “Achamos que se é preciso planear é porque as coisas não estão bem”, ri Fernando Mesquita. “É mito. O sexo funciona de forma diferente da fome: se temos fome, procuramos comida. Mas quanto menos sexo tiver, menos vontade tenho de o ter. Ou seja, quanto mais o casal se afasta, menos vontade tem de estar um com o outro.” Agora adivinhem de que é que vamos falar: pois – os fins de semana românticos. Odiamos a ideia de deixar a Mariazinha com a avó, que de certeza lhe vai pôr chocolate dentro do biberão! Mas é um favor que faz ao bebé. “Quanto melhor estiverem os pais um com o outro, melhor estará o filho.”

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Alguém já usou alguma desculpa para não ter sexo?


Resposta: sim! Muita gente, mesmo. De acordo com uma pesquisa do site Mumsnet sobre sexo depois do parto, 60% 
das mulheres já inventou desculpas para não haver mais
‘ação’. As desculpas mais apresentadas foram, por ordem 
de ‘preferência’, o cans

3 Ideias para voltar à ação mais depressa

- Respeitar o tempo para a recuperação física. Aceitar que 
esta é uma fase de transição e que é normal estarem cansados e que não estão a falhar em nada;


- Consultem o obstetra antes de iniciarem a atividade sexual, 
para verificarem se está tudo bem;


- Moderem as expectativas, porque é natural que existam mudanças, quer para o homem quer para a mulher, e 
que não esteja tudo como dantes. Saibam aceitar isso.

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