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Tipos de casal: descubra o seu

Depois de 40 anos a estudar casais, o psicólogo John M. Gottman chegou a estas interessantes conclusões. Pronta para descobrir o futuro da sua relação?

Catarina Fonseca

ANDOR BUJDOSO\012

*artigo publicado originalmente na revista ACTIVA de fevereiro de 2018

O psicólogo dominicano John M. Gottman tornou-se famoso por duas razões: conseguir ‘adivinhar’ que casais recém-casados sobreviveriam e os que acabariam separados e decretar uma ‘lei’ segundo a qual um casal sobreviveria se, por cada coisa desagradável que acontecesse no casamento, houvesse cinco coisas boas. Gottman decidiu depois usar os seus 40 anos de estudo de casais para os agrupar em cinco ‘tipos’. Os três primeiros pertencem ao grupo dos Casais Regulados, ou os que são capazes de manter a regra dos ‘cinco-para-um’. Os outros dois tipos representam o grupo dos Casais Desregulados, ou seja, não se percebe por que é que ainda estão juntos.

1. Os Calmos


Nome de código: os Sócios. Lembram-nos que há casais estáveis, o que nos desconcentra, porque somos uns românticos incuráveis e ainda achamos que o Romeu e a Julieta têm de morrer no fim, mesmo que nesta era de telemóveis isso seja bastante improvável [“Tou, Romeu, olha. Vou-me fingir de morta com uma cena que me orientaram, mas é a fingir, ok, é só moca, se te atrasares, estaciona aí perto e espera que eu acorde e depois a malta baza, bj” (smile daqueles a deitar coraçõezinhos pelos olhos).] Este casal é pouco dramático e bastante funcional: não perde tempo com picuinhices, não briga em público, não se põe a perguntar um ao outro “ó Constança, a menina ama-me mais do que à sua própria vida?” e tem uma causa em comum: filhos. São pais despachados e pouco dados ao drama, o que é essencial quando se tem cinco crianças. Andam sempre num circo de “ó Madalena, não se bate no Salvador, ó Mateus, tire o cotovelo do olho da Maria e não mate a Benedita, se fizer favor”.

Prognóstico: Para sempre ou até os filhos saírem de casa. Mas quando os filhos saem de casa entram os netos, cada filho tem para aí oito filhos, e os avós continuam, por assim dizer, e desculpem a palavra, algemados um ao outro.

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2. Os Voláteis


Nome de código: Montanha Russa. Têm um único objetivo na vida: fazerem a cabeça em água um ao outro. Ora se amam, ora não se podem ver, ela atira-lhe com a Bimby à testa e ele sai de casa, ela diz-lhe que não consegue viver sem ele (e sem a Bimby, que pifou) e ele volta, ele diz-lhe que devia era ter casado com a Mónica do marketing, que não tem Bimby, e ela sai de casa, etc. Qualquer pormenor é pretexto para uma discussão e ninguém dá o braço a torcer. “Tu andas-me no Tinder, ó Raquel Maria?”, “eu?! E diz-me lá com quem estavas a falar no Facebook que eu bem te vi a teclar que nem um louco?”, “no Facebook? Mas eu nunca vou ao Facebook, tu é que passas a vida a amigar gandulos que andaram contigo na pré-primária”, “e como é que sabes isso se não vais ao Facebook?”, “só lá vou ver os resultados do Benfica”, “e para que é que te serve a Benfica TV?”, “não me serve de nada, porque me obrigaste a desativar os canais temáticos”, etc., etc., etc., até alguém ligar ou um deles tiver de sair.

Prognóstico: Até um deles morrer de exaustão e surdez aos 89 anos.

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3. Os antiConflito

Nome de código: os Relaxados. São felizes, mas não andam agarradinhos em público a chamar ‘kiducho’ e ‘fofinha’ um ao outro. São o casal que damos sempre como exemplo quando se fala de casais que irão estar juntos para sempre. Para eles, uma relação é demasiado preciosa para perderem tempo com discussões sobre quem lava a louça ou quem vai buscar as crianças à avó. Verdade se diga que isto acontece, não por uma grande dedicação à vida de casal, mas porque o destino, o Facebook, a escola ou o melhor amigo juntou duas almas muito parecidas.

Prognóstico O mais provável é que seja mesmo para sempre. Uma separação dá muito trabalho.

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4. Os Hostis

Nome de código: os Generais. Aqui não há meias-tintas, a guerra estalou. Estão sempre à defesa, furiosos um com o outro, com o mundo que os juntou, com os filhos que os seguram, contra a casa que os (agora sim) algema, contra o tempo que passa e não os liberta, contra a tia Norberta que os apresentou algures nos anos 2000 e contra o Euromilhões, que não lhes sai e teima em contribuir para os manter em estado de sítio. Há uma data de razões que os prendem, mas que não os unem.

Prognóstico: Curiosamente, diz Gottman, costumam continuar casados (e infelizes) para sempre. Uma explicação parece ser a de que exteriorizam a sua fúria.

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5. Os Afastados

Nome de código: os Guerrilheiros. A guerra aqui tem dias. Ele chega e manda uma indireta, e ela chora (às escondidas). Ela chega e manda-lhe um insultozinho (velado) à mãezinha dele, e ele fica danado. Têm discussões brutais e depois ficam dias a lamber as feridas e a tomar balanço para outra discussão. O ar torna-se irrespirável. Andam encolhidos como se estivessem cheios de frio, nos restaurantes entretêm-se a observar a mesa do lado, mal abrem a boca, e partilham um mal-estar constante.

Prognóstico: Costuma ser um estádio pré-divórcio.

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6 PRINCÍPIOS PARA UMA RELAÇÃO RESULTAR

Segundo Gottman, há muita coisa que se pode fazer para manter um casamento:
•Respeitar as diferenças
do outro e elogiá-lo;
•Funcionar em equipa e não em separado;
•Deixar-se influenciar sem perder individualidade;
•Fazer compromissos sem cobrar de volta;
•Ajudar o outro a realizar
os seus objetivos e sonhos;
•Encontrar um sistema comum de significados: acontecimentos, símbolos, valores, tradições.

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