“Psoríase é mais do que Pele”. É esta a afirmação que dá nome à campanha da Novartis em colaboração com a Associação Portuguesa da Psoríase (PSOPortugal) e que pretende alertar para as manifestações associadas à psoríase que vão muito além da pele. Entre elas, a artrite psoriática, as doenças cardiometabólicas e as do foro psicológico. O objetivo é também sensibilizar para a importância de se estar atento aos sinais e referir ao médico dermatologista absolutamente todos os sintomas. Mesmo que não sejam na pele.

Tiago Torres,
médico dermatologista

Estima-se que, em Portugal, a psoríase afete cerca de 250 mil pessoas. Esta é uma doença inflamatória sistémica que se manifesta sob a forma de placas avermelhadas ou esbranquiçadas que podem causar desconforto ou comichão. Afeta as palmas das mãos, as plantas dos pés, as unhas, a face ou os genitais. Mas pode ter muitas outras manifestações associadas.

Mais do que pele
Atualmente é “amplamente reconhecido que a psoríase se associa a várias comorbilidades”, explica o Professor Tiago Torres, médico dermatologista que se dedica há vários anos ao estudo, diagnóstico e tratamento da psoríase.

Nestas manifestações “incluem-se as doenças cardiometabólicas, como a diabetes, obesidade, hipertensão arterial e doença cardiovascular”, que se destacam “não só pela sua gravidade, mas também mortalidade”, explica Tiago Torres. A obesidade, em particular, é “extremamente prejudicial, não só por agravar a doença, como por diminuir a resposta aos diversos tratamentos”.

As manifestações podem ser também do foro psicológico. A ansiedade e depressão incidem em até 62% dos doentes psoriáticos. Em Portugal, a pontuação média de felicidade dos indivíduos que vivem com psoríase é de 5,68 numa escala de 0 a 10.

Mas uma das comorbilidades mais prevalentes é mesmo a artrite psoriática. “Em muitos doentes, a pele pode ser apenas a ponta do iceberg”, garante Tiago Torres.

Carlos Poiares, 64 anos, Artrite Psoriática
Carlos é professor e vem de Lisboa. Sempre se considerou saudável, embora aos 20 anos tenha notado que lhe apareceram algumas manchas no rosto e no pescoço. Mais tarde, as manchas agudizaram-se e começou a ter dores articulares.
Apesar do incómodo, Carlos ignorou os sintomas. “Achei que tinha alergias e não dei importância . Agora sei que o devia ter feito desde cedo”, relata Carlos, que foi diagnosticado com psoríase há apenas 3 anos.
“Mas tenho sorte, a minha psoríase é muito ligeira e por isso tenho qualidade de vida. Com o passar do tempo, aprendemos a prevenir”, conta.
Ciente da importância do diagnóstico e do acompanhamento das comorbilidades decorrentes da psoriase, Carlos deixa um conselho a quem tem a doença: “o passo mais importante é ir ao médico. É muito importante não se deixar ir abaixo, e se for necessário, procurar acompanhamento psicológico”.  

A artrite psoriática
É uma das manifestações mais frequentes. A artrite psoriática surge normalmente alguns anos após o diagnóstico de psoríase. Manifesta-se em sintomas como sensibilidade ou dor nos tendões, rigidez ou inchaço nas articulações, restrição de movimentos e mudança no aspeto das unhas, que podem mesmo descolar-se ou apresentar-se amareladas e corroídas.

A artrite psoriática pode causar danos severos e permanentes nas articulações se não houver um tratamento precoce. “Cerca de 30% dos doentes desenvolvem esta forma de doença articular. O seu diagnóstico e tratamento precoce é essencial para se diminuir o risco de progressão e deformidade articular”, esclarece o Professor Tiago Torres.

A qualidade de vida
“O impacto na qualidade de vida dos doentes é superior ao de muitas outras patologias habitualmente consideradas mais graves, como o cancro, a diabetes ou a doença cardiovascular”, afirma mesmo Tiago Torres. Este impacto físico e psicológico “deve-se essencialmente à visibilidade das lesões, assim como aos sintomas associados como o prurido”, explica.

“A extensão e gravidade da psoríase é muito variável”, explica. Pode apresentar “desde formas ligeiras e controladas com terapêuticas tópicas, até casos muito extensos, por vezes associados a comprometimento articular que necessitam de terapêutica sistémica oral ou injetável.”


Tânia Pereira, 43 anos, Artrite Psoriática
Tânia sofre de psoríase desde a infância mas cresceu sem saber que tinha a doença. Só mais recentemente descobriu que as dores que tinha há anos estavam relacionadas com a psoríase. “Eu sentia-me como se estivesse com uma grande constipação, daquelas em que ficamos de cama com o corpo todo dorido, mas não estava constipada e as dores eram muito mais fortes e em articulações específicas”, frisa.
“O meu médico ajudou-me muito através do aconselhamento da medicação mais adequada para mim”, continua.
Da sua experiência como doente psoriática retira o conselho para quem acaba de ser diagnosticado: “procurar o médico o quanto antes e falar sobre os sintomas, mesmo que não se ache que exista relação com a psoríase. É importante que se entenda que para um médico não há perguntas estúpidas”.

Abordagem multidisciplinar
É por isso que a abordagem do doente psoriático “não deve ser direcionada apenas à pele, mas global e muitas vezes multidisciplinar, tratando não só a componente cutânea, mas também as doenças associadas, promovendo um estilo de vida saudável, incluindo atividade física, emagrecimento e cessação tabágica e o correto rastreio e tratamento das diversas comorbilidades”, adianta Tiago Torres.

Válter Vidas, 35 anos, Doença Cardiometabólica
Válter nasceu em Valongo e desde que se conhece como gente que sofre de excesso de peso. Aos 16 anos foi diagnosticado com psoríase, mas só mais tarde percebeu que o excesso de peso estava diretamente relacionado com a doença. “Desconhecia a ligação entre o excesso de peso e a psoríase, mas assim que soube tentei ajustar o meu estilo de vida de forma a conseguir melhorar o estado da doença em si, através da prática de exercício e alimentação adequada”, recorda.
Nem mesmo depois de dois confinamentos Válter se desviou dos seus objetivos. Manteve as preocupações com a alimentação, não prescindindo também da prática de exercício físico regular.
A todos os psoriáticos deixa um conselho: “Ainda que a psoríase não nos dê a melhor imagem estética, se o nosso foco for a manutenção de um estilo de vida saudável e deixarmos de lado o sedentarismo, vai ser mais fácil aceitar as marcas físicas provocadas pela doença. Mas, mais importante que tudo: quem tiver psoríase e tiver excesso de peso, hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares associadas, deve falar com o seu dermatologista, pois pode influenciar a evolução da doença”.

A iniciativa da Novartis com o apoio da PSOPortugal quer sensibilizar para as manifestações que lhe estão associadas. Para isso, contou com a participação do especialista Professor Tiago Torres e também com o testemunho na primeira pessoa de doentes afetados pela psoríase e pelas suas manifestações.

Para apoio, consultar: https://psoportugal.pt

Maria Helena Guia, 30 anos, doença do foro psicológico
Um choque psicológico, com a perda de um familiar, aos 13 anos, foi a causa apontada para a primeira manifestação de uma comorbilidade ligada à psoríase de Helena, natural de Torres Novas. A origem da doença é incerta, mas sabe-se que os fatores emocionais têm um enorme peso no desenvolvimento da psoríase.
“Esta doença tirou-me qualidade de vida. Vestuário escuro era impensável graças à pele seca que caía do couro cabeludo para os ombros. As peças brancas também eram evitadas em alturas de maior prurido, porque as feridas em sangue ficavam visíveis. Não havia saias no armário, ou calções ou vestidos, porque mesmo usando collants escuras ou mais resistentes, a pele seca acabava sempre por soltar-se e surgir como pó. Evitava locais públicos, ouvi coisas menos agradáveis de desconhecidos, e cheguei a chorar sozinha”, recorda.
Hoje reconquistou alguma qualidade de vida. “Não descuro uma alimentação equilibrada, procuro ter uma vida ativa e, acima de tudo, busco por tranquilidade, através de meditação e perscrutação pessoal. É importante sabermos ouvir-nos e aprender a dar valor ao que realmente tem valor. Não somos todos iguais nem nunca seremos e é aí que tem de residir a nossa riqueza individual”.

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