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Getty Images/iStockphoto

Em 1999, Céu Guarda tinha 40 anos e uma filha de seis. Trabalhava como editora de fotografia no jornal ‘A Capital’ e engravidar não estava apenas fora dos seus planos, estava fora de questão. Felizmente, era também pouco provável. Tinha demorado dois anos para conseguir engravidar da filha, apesar dos testes de fertilidade que fez na altura não indicarem nada de anormal. Descobrir que estava grávida novamente foi um choque, mas o Rafael nasceu saudável no ano 2000, tinha ela 41 anos.
Como Céu há outras mulheres a engravidar por meios naturais em idades tardias, veja-se a atriz Hale Berry que teve o primeiro filho aos 42 anos e o segundo aos 47, ou Geena Davis que teve o primeiro aos 46 e dois gémeos aos 48, ambas alegadamente sem recorrer a tratamentos de fertilidade (recorrendo a estes são muito mais)…
A infertilidade está a aumentar nos países industrializados – a  Organização Mundial de Saúde diz que se trata mesmo de um problema de saúde pública, como se pode ler no estudo ‘Afrodite’ publicado em 2009 e referência na matéria em Portugal. Uma das razões apontadas é a diminuição de condições económicas. Com menos dinheiro, os casais vão adiando a decisão de ter filhos e quando tentam mais tarde não conseguem. Um estudo da Universidade de Boston, de 2013, diz o mesmo, temos menos filhos porque temos menos dinheiro, mas faz uma ressalva: se há cada vez mais mulheres a ter filhos perto dos 40, mesmo que por razões económicas, é porque a sua fertilidade o permitiu. No estudo verificou-se que entre os 30 e os 34 anos 87% das mulheres conseguiam engravidar num ano, entre os 35 e os 40 anos a percentagem foi de 72%, menor mas ainda bastante boa. Ou seja, apesar das probabilidades de engravidar diminuírem, a fertilidade pode manter-se até tarde. 
Por outro lado, nunca como hoje houve tantas ajudas médicas para as mulheres com dificuldade em engravidar. Se continua a ser um mistério saber o que faz com que uma mulher consiga engravidar facilmente e outra não (por que é que há mulheres que têm de recorrer à fertilização in vitro para ter um filho e depois engravidam naturalmente sem estarem à espera, por exemplo), apesar de tudo sabemos hoje mais sobre este assunto do que nalguma outra altura da história.  

O MEU DECLÍNIO NÃO É IGUAL AO TEU
A diminuição da fertilidade que ocorre com a idade a idade é um processo gradual. Não há uma idade específica a partir da qual se fique repentinamente incapaz de conceber. Até aos 37 a maioria das mulheres consegue manter um nível de fertilidade aceitável, dizem os autores do estudo de Boston, verificando-se uma queda mais acentuada apenas por volta dos 40. A especialista em medicina reprodutiva Daniela Sobral explica melhor: “A diminuição da fertilidade começa muito lentamente por volta dos 32, é mais significativa após os 35, mas muito mais acentuada depois dos 37 anos. Quando não existe um problema de fertilidade, a probabilidade de conseguir uma gravidez num ciclo menstrual anda por volta dos 20%. Nos casais inférteis essa probabilidade é menor, mas, felizmente, os casos em que uma gravidez espontânea é impossível são muito raros.” 
Alguns estudos sugerem que as mulheres que já têm filhos têm menos dificuldade em engravidar novamente, embora não seja claro se isto se deve a uma maior fertilidade ou a estilos de vida favoráveis. Da mesma forma, uma mulher que chega aos 40 sem filhos pode simplesmente ser menos fértil ou ter hábitos que aceleram o declínio da fertilidade, como fumar ou sofrer de doenças sexualmente transmissíveis. 
Muito genericamente, a probabilidade de uma mulher engravidar depois dos 40 anos, por ciclo, é de aproximadamente 5%. “Claro que se for fértil terá mais hipóteses, mas é preciso não esquecer que a taxa de aborto também aumenta com a idade, sendo superior a 30% nas mulheres com mais de 40 anos e a 50% nas mulheres com mais de 45 anos”, alerta Daniela Sobral.
E também há casos de mulheres em idade fértil já com um filho que não conseguem ter o segundo, o que acontece não só porque a fertilidade diminui com a idade mas porque “com o aumento da idade há mais probabilidade de surgirem problemas ginecológicos, como endometriose, pólipos endometriais ou fibromiomas uterinos, situações clínicas que afetam negativamente a fertilidade. A possibilidade de surgirem doenças oncológicas, como o cancro da mama, também vai aumentando com a idade”, explica a médica, tudo fatores que não ajudam a conceber. 
E há outros: ter ciclos irregulares, por exemplo, pode significar que não está a haver ovulação; ciclos curtos podem ser um indicador de que a reserva de óvulos está na fase descendente; ter uma mãe com menopausa precoce aumenta a probabilidade de se ter também um declínio precoce da fertilidade. A reter: cada caso é único, e mesmo quando as probabilidades são más, há muito a fazer antes de lançar mão de um prognóstico fatalista. Mantenha-se em campo.

NOVOS TESTES 
De ano para ano surgem novos testes que permitem avaliar a fertilidade, o que pode ser útil para decidir se é melhor avançar já porque a sua fertilidade está a diminuir ou se ainda pode esperar algum tempo.
– Teste da hormona anti-mülleriana: É um teste sanguíneo que se pode fazer no ginecologista e que avalia o nível de uma hormona produzida pelos ovários que está associada à fertilidade. Desvantagem: o teste serve de marcador para a reserva de óvulos nos ovários mas não consegue dizer se são óvulos bons. Pode haver óvulos suficientes e não serem de qualidade.
– Ecografia ginecológica, para contabilizar folículos antrais nos ovários. A presença destes folículos está ligada à fertilidade e quanto maior o seu número maior a fertilidade. Desvantagem: também não dá indicação da qualidade dos óvulos.

CONTORNAR A INFERTILIDADE
Além dos testes para avaliar a fertilidade, existem outras técnicas para aumentar as hipóteses de engravidar com sucesso:

– Congelar óvulos. Idealmente congelam-se aos 30 ou antes, para usar mais tarde. Custa cerca de 2 mil euros e é recomendado a doentes oncológicas que queiram preservar a fertilidade, por exemplo. Desvantagem: não dá garantia de gravidez.
– Recorrer a óvulos doados. Se já tentou inseminação artificial mas os seus óvulos não cooperaram, pode recorrer a óvulos doados por mulheres jovens. O número de dadoras em Portugal tem aumentado e a procura também. A taxa de sucesso ronda os 60%. Faz-se no Centro Público de Gâmetas, na Maternidade Júlio Dinis, no Porto.
– Além destes, os tratamentos mais usados para tentar engravidar são a inseminação intrauterina, a fecundação in vitro e a micro injeção intracitoplasmática de espermatozoide. Em média, estas técnicas têm um êxito de 30 a 40 por cento.

MANTENHA-SE FÉRTIL MAIS TEMPO
“Ter um peso correto, não fumar, ter uma dieta equilibrada, fazer exercício moderadamente, não consumir em exagero álcool nem café, não ingerir drogas, são fatores sem dúvida benéficos em termos de fertilidade. O uso do preservativo para evitar as infeções sexualmente transmissíveis também é fundamental na preservação da fertilidade futura”, afirma a especialista Daniela Sobral. E há mais.
– Tome a pílula. Os contracetivos orais diminuem as hipóteses de ter cancro uterino e dos ovários e podem preservar a fertilidade em casos de endometriose, uma situação em que o tecido uterino cresce fora do útero.
– 
Controle o stresse. A ansiedade e o stresse elevados podem interferir na ovulação, chegando ao ponto de a impedir por completo.
– 
Fuja dos químicos. Os químicos utilizados nos produtos alimentares e libertados na atmosfera também contribuem para o aumento da infertilidade nos países industrializados, lê-se no ‘Manual do Casal Infértil’, de Mário de Sousa (Edições Afrontamento). 

Por fim, é bom lembrar que apesar de sabermos cada vez mais, a fertilidade mantém áreas de mistério. Há 10 por cento de casos de infertilidade de causa desconhecida. Muitas delas poderão vir a ser desvendadas pela ciência nos próximos anos.

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