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Em primeiro lugar, é normal estar cansada. Quando se trabalhou muito, o cansaço é mesmo uma ‘recompensa’, o direito ao sossego, uma forma de obrigar o corpo a andar mais devagar para recuperar aquilo que gastou. O problema é quando temos a sensação de nunca conseguirmos recuperar totalmente. Quando o despertador toca, achamos que, se não tocasse, podíamos dormir cem anos, como a Bela Adormecida, e não haveria Príncipe que nos arrancasse daquele sono. Arrastamo-nos durante o dia como se carregássemos uma mochila de pedras às costas. E à noite, quando finalmente caímos na cama, permanecemos de olhos abertos madrugada fora a stressar porque o tempo para dormir é cada vez menos: e é precisamente o medo de não dormir que nos impede de dormir!

Também há quem entre no ciclo vicioso de tomar comprimidos para dormir e depois passar o dia a cafés ‘para acordar’…

Como é que se sai desta, como dizem os telejornais, ‘espiral de violência’? Afinal, não é fácil abandonar uma linha de montagem onde o mais importante é ser-se ‘produtiva’. O cansaço é o preço de uma maior actividade. Não é fácil deixarmos de fazer coisas ou andarmos mais devagar numa sociedade que valoriza acima de tudo a eficiência e o movimento. Somos mais válidas quanto mais actividades conseguirmos realizar num curto espaço de tempo.

E às vezes, o nosso pior patrão somos nós próprias: não nos apercebemos disso, mas o cansaço também nos faz sentir válidas: ai temos tanto para fazer, ninguém pode passar sem nós, somos tão indispensáveis… Estão a ver a armadilha? Solução: há várias, conforme a causa. Mas antes de mais, temos de perceber o que é que nos puxa desta maneira para o centro da terra.

Leve o seu cansaço a sério

Anime-se: pode estar cansada, mas não está sozinha. “O cansaço, ou astenia, é dos sintomas mais comuns em medicina”, confirma o Dr. Carlos Ferreira, médico de clínica geral da Clínica de Todos os Santos. Mesmo assim, leve sempre a sério a sua ‘astenia’, especialmente quando for prolongada, porque pode ser sintoma de qualquer doença mais séria. Nos dias de hoje, é tão normal estar-se de rastos que corremos o risco de nos habituarmos a viver assim. Se esse cansaço não for ‘normal’ – o lógico resultado de um dia em que se trabalhou muito ou se dormiu pouco – investigue.


“As doenças que podem desencadear cansaço são a anemia, qualquer doença infecciosa como uma simples gripe ou constipação, mas também o hipertiroidismo, doenças do aparelho digestivo como a doença de Crohn, a insuficiência cardíaca, a hipotensão arterial e alguns tipos de cancro,” explica Carlos Ferreira. “Algumas doenças muito ‘na moda’ actualmente, como o cansaço crónico ou a fibromialgia, também incluem este sintoma. E digo ‘na moda’ porque estas doenças apresentam um conjunto de queixas mal definidas. Muitos médicos acreditam trata-se de um misto de sintomas que terão por base factores psicossomáticos.”

Quando a culpa é das emoções

Pensamos no cansaço como um mal físico, mas o mais interessante é que, segundo Carlos Ferreira, 80% das queixas de cansaço mal explicado são psicológicas. Ou seja: “Quando temos aquele tipo de cansaço que aparece logo de manhã ao levantar e não após qualquer tarefa ou ao fim do dia, quando será normal que se esteja cansado, esse sintoma é geralmente de origem psicológica.”

Ou seja: muitas vezes, são os nossos pensamentos que se transmitem ao nosso corpo e que nos cansam. Por exemplo, às vezes não é o trabalho em si que nos cansa, mas a falta de reconhecimento. Podemos passar o dia inteiro à secretária sem mexer uma palha, e acabarmos tão de rastos como se tivéssemos vindo da maratona. O que é que se passa? O sentimento de impotência deprime-nos, baixa-nos as defesas, e acentua o cansaço físico. Paradoxalmente, uma vida muito monótona e sem desafios pode cansar-nos mais do que se vivermos afogadas em adrenalina.


Como saber se o nosso cansaço é físico ou psíquico? “Se sofre de astenia há já algum tempo, convém consultar o seu médico,” aconselha Carlos Ferreira. “Tem de fazer exames para eliminar qualquer causa física tratável. Se não tiver nada, faz parte do grupo do cansaço psíquico.”

Aí, está por sua conta, quer dizer, tem de perceber o que angustia: se o casamento já teve melhores dias, os filhos nos preocupam, o dinheiro custa a ganhar – tudo isso nos cansa. Outras vezes, até podem ser coisas comezinhas. Sabe como é? Aquela sensação de que fazemos sempre as mesmas coisas, de que chegamos a casa e ainda falta arrumar as compras, lavar a roupa, contar a história à criança, preparar o almoço do dia seguinte… Aquela ‘moínha’ do dia-a-dia, acumulada ao fim de muitos dias, pode rebentar numa enorme bolha de fadiga.

Guia da Bela Adormecida

A causa da fadiga pode ser mais simples do que tudo isso. Pois é: falta de… sono. Se vai para a cama e 15 minutos depois ainda está acordada a pensar na sua missão nesta vida, então faz parte das pessoas com dificuldade para adormecer. “Nem todos nós precisamos de oito horas de sono,” defende o investigador australiano Ginni Mansberg, autor do livro ‘Why Am I So Tired?’ (Porque Estou Tão Cansado?). “Toda a gente fala nessas oito horas, mas isso é mais um mito que outra coisa, e faz mais mal do que bem. A maioria de nós precisa de mais. Se a pessoa dormir oito horas e acordar cansada, isso quer simplesmente dizer que precisa de nove!”

Problema: a grande maioria de nós nem oito horas consegue dormir, quanto mais nove. Aliás, a maioria dos portugueses não tem vida que dê para encaixar oito horas de sono, e além disso, por ignorância, ainda despreza as horas que passa a dormir. Consideramos o sono uma perda de tempo, sem sabermos que representa uma importante fase no processo de aprendizagem e memória, e mesmo no controlo da obesidade e da diabetes…

Há factores que podem ajudar a dormir melhor. Não salte já esta parte! De certeza que não os cumpre a todos: Não bebeu chá nem café desde as cinco da tarde? Tem o quarto arejado? A almofada não é demasiado firme nem demasiado mole e não lhe entorta o pescoço? Deu um passeio de manhã? Pode acontecer que, se não apanhámos suficiente luz de manhã, o nosso cérebro ainda continua a achar que a noite vem muito longe. Como em tudo o resto, somos mais pré-históricos do que pensamos: aproveite a desculpa para ir dar uma volta ao ar livre de manhã ou à hora de almoço.

Use a mente, use o corpo

E a sua velinha, já acendeu? Uma técnica que ajuda a centrar a mente e ‘esvaziar’ o cérebro é fazer meditação: durante 20 minutos, contemple uma vela, concentre-se na respiração e não pense em mais nada (pormenor: é mais difícil do que parece). Soa uma patetice new-age, mas não é: funciona como uma espécie de screen-saver do cérebro e ajuda a baixar o ritmo cardíaco e a preparar o corpo para o sono.

Problema: todas as técnicas nos incitam a acalmar e a centrar a mente. Mas, e quando aquilo que nos impede de dormir não é o exagero de estímulo mas a falta dele? Se o nosso dia foi um ‘branco’ igual a todos os outros dias, o cérebro mantém-se vigilante como se procurasse até ao fim da noite uma razão para trabalhar….

Se continua com insónias, experimente… aprender uma língua nova. Procure estímulos fora da sua vida normal, encontre algo por que valha a pena viver… e dormir.

Da mesma maneira, pode ser a falta de exercício que nos cansa, mais do que o excesso dele. É lógico: quanto menos usamos o corpo, mais ele se habitua a não ser usado, e mais depressa se fatiga. Curiosamente, os médicos dizem que devemos acabar um exercício menos cansados do que na altura em que o começámos…O importante é não ir para o ginásio como quem vai para a tropa: habitue-se a retirar prazer do esforço, e a sentir a vida activa como um desafio diário.

Os alimentos pró-energia

Outra causa ‘banal’ para o nosso cansaço: o que (não) comemos. Segundo todos os dietistas e nutricionistas do mundo, uma enorme fatia da nossa fadiga deve-se aos ingredientes que o nosso corpo já não anda a receber para se defender das agressões.

Então anote: vai precisar acima de tudo de magnésio e potássio (encontra-se nas bananas), ferro e ácido fólico (nos vegetais verdes, feijões e lentilhas), vitamina C (nos kiwis e brócolos) e de água suficiente para manter a urina clara.

Vai precisar ainda de hidratos de carbono (massa, cereais e pão), as principais fontes de energia, e de fruta pela vitamina e pela hidratação. Carne vermelha, o organismo tem dificuldade em digerir – o que também pode ser fonte de cansaço – por isso não abuse: mais do que uma vez por semana, já é demais.

Conclusão: o cansaço crónico é sempre uma indicação de que algo na nossa vida não está bem. Resta descobrir o que é. “Tente levar uma vida mais calma e equilibrada,” resume Carlos Ferreira. “Pratique desporto, tenha uma alimentação mais correcta e tire algum tempo para si, para fazer aquilo de que gosta.”

Pois é: o problema nem sempre está em não sabermos o que nos aflige. Na maior parte das vezes, conhecemos perfeitamente as causas do nosso cansaço. A dificuldade está em correr o risco de perturbar um equilíbrio que, melhor ou pior, conseguimos na nossa vida. Mas vale a pena tentar mudar: ser mais egoísta, tirar uma noite para namorar sem as crianças, saber quando pode dizer ‘agora não posso fazer esse trabalho’, saber a quem pedir ajuda quando for preciso em vez de carregar tudo aos ombros, escolher de que amigos queremos mesmo ser amigos em vez de nos dispersarmos por todos os corações, perceber o que é que sempre quisemos fazer e nunca fizemos, organizar melhor a vida para tirar melhor partido dela. E quando estivermos cansadas, ao menos que tenha valido a pena o cansar-nos…

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