Tendo como pano de fundo o Dia Mundial da Saúde Feminina, que se assinala esta quarta-feira, dia 28 de maio, mas sabendo que esta é uma temática que faz sentido independentemente de datas, entrevistámos a Dra. Fátima Palma, Ginecologista/obstetra e Presidente Sociedade Portuguesa de Medicina Reprodutiva e Contracepção. O objectivo era descobrir quais as patologias que mais afectam as mulheres e as formas de as prevenir e tratar.

  • Com que regularidade as mulheres devem ter consulta um ginecologista?

A periodicidade das consultas de ginecologia depende da faixa etária da mulher em questão e da existência ou não de patologia associada, mas de uma forma geral deve ser feita anualmente ou de ano e meio em ano e meio.

  • Quais os procedimentos padrão e os objetivos dos exames feitos em ambiente de consulta?

Na consulta de ginecologia deve ser feita avaliação de sintomas e sinais suspeitos de patologia ginecológica e deve ser realizado o exame ginecológico e o exame da mama. Se for indicado deve também ser feita a colheita para citologia. Claro que estes tipos de procedimentos podem não ser necessários em todas as consultas.

  • Relativamente aos rastreios do cancro da mama, com que regularidade devem ser resultados e quais os fatores de risco que podem levar a uma calendarização mais apertada?

O rastreio do cancro da mama em Portugal deve ser realizado dos 50 aos 69 anos (segundo a Direção Geral de Saúde) e com periodicidade bienal na ausência de fatores de risco.

São fatores de risco para o cancro da mama: a idade (daí os rastreios iniciarem aos 50 anos). O cancro da mama é menos comum antes da menopausa; histórico pessoal de cancro da mama (quem já teve um cancro numa das mamas tem mais risco de ter cancro na outra mama); histórico familiar de cancro da mama, especialmente em idades mais jovens; alterações genéticas (algumas alterações nos genes BRCA1eBRCA2 aumentam o risco); primeira gravidez depois dos 30 anos e obesidade depois da menopausa; consumo de tabaco ou álcool. Na presença de fatores de risco deve iniciar-se o rastreio em idades mais precoces.

  • Quais as principais patologias que afetam as mulheres portuguesas?

As patologias que afetam as mulheres portuguesas dependem da faixa etária que estamos a considerar. Habitualmente os registos são das patologias mais frequentes como causa de morte e a patologia oncológica. Em relação às mulheres mais jovens a destacar o cancro do colo do útero (cada vez menos frequente com a implementação da vacina), nas mulheres mais velhas temos as doenças cardiovasculares (principalmente pós-menopausa) e o cancro da mama. Em relação à patologia benigna e na área da saúde sexual e reprodutiva são as alterações relacionadas com o ciclo menstrual as mais frequentes e as hemorragias uterinas.

  • Tendo em conta as três principais patologias, quais os sinais a que é importante estar atento?

O conhecimento do funcionamento do corpo é o fator mais importante para detetar alterações ao habitual e desencadear a procura do médico na busca de patologias.

  • No caso da menopausa, ou do período que antecede esta fase, está provado que um bom acompanhamento ajuda a reduzir em muito o impacto das mudanças físicas e psicológicas relacionadas com este período. A que partir de que idade as mulheres devem estar atentas?

Não existe uma idade mágica para estar atenta aos sintomas e consequências da menopausa. Uma boa relação médico-doente e uma correta informação sobre o que se está a passar ajudam a reduzir o impacto desta fase da vida

  • Há muita polémica relativamente à terapia de substituição hormonal. Podemos afirmar que neste momento pode ser realizada com segurança?

Apesar de haver muita controvérsia relativamente à terapia de substituição hormonal, hoje em dia estão mais ou menos definidas as indicações para a sua realização – os sintomas e os efeitos físicos da diminuição dos estrogénios, nomeadamente, os afrontamentos e a atrofia vulvovaginal. Esta deve ser sempre prescrita pelo médico que deve avaliar se existe indicação para a sua realização e a inexistência de contraindicações.

  • Quanto aos meios anticoncecionais, quais os mais aconselhados do ponto de vista médico?

Não existe o método contracetivo ideal. Existem, sim, critérios de elegibilidade que avaliam o risco/beneficio para a utilização dos diferentes métodos contracetivos em cada mulher e em cada situação clínica.

Temos em Portugal praticamente todos os métodos contracetivos modernos: podemos então dividi-los em:

– Contraceção hormonal combinada: oral (mais conhecida por pilula), anel vaginal e adesivo

– Contraceção hormonal com progestativo (oral, injetável, implante subcutâneo e os sistemas intrauterinos com libertação de levonorgestrel – DIU)

– Dispositivos intra-uterinos com cobre

– Métodos Barreira (preservativos masculinos e femininos)

– Métodos naturais (calendário, muco cervical, temperatura basal)

– Esterilização masculina (vasectomia) e feminina (laqueação tubária)

  • Já a decisão de engravidar implica também um processo de preparação prévia. O que deve fazer a mulher fazer antes de pensar em engravidar?

A realização de uma consulta pré concecional é o fator chave para a preparação da gravidez. Nessa consulta será avaliada a saúde da mulher/ casal; o estilo de vida, a presença ou não de hábitos aditivos, o peso, existência ou não de doenças concomitantes que possam interferir na futura gravidez. Habitualmente são também pedidos alguns exames complementares de diagnóstico.

  • Engravidar depois dos 35 continua a ser considerada uma gravidez de risco ou a perspetiva alterou-se nos últimos anos?

A fertilidade feminina vai diminuído com a idade principalmente a partir dos 35 anos. Também se houver uma gravidez a partir dos 35 anos a probabilidade de haver um aborto espontâneo no 1º trimestre vai aumentando com a idade, bem como a probabilidade de malformações do feto. Dai que pode considerar-se que os riscos de algumas ocorrências na gravidez vão aumentando com a idade.

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