O medo apodera-se de nós, o coração acelera, a respiração torna-se ofegante, os pensamentos ganham vida própria e são negativos e mesmo catastróficos. Reconhece estes sinais? Falamos de ansiedade, uma perturbação que afeta cada vez mais portugueses e que cresceu com o cenário de pandemia. As mais recentes notícias dão conta que só neste primeiro trimestre do ano foram vendidas um total de um total de 5.277.144 embalagens de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, antidepressivos – ou seja, claramente algo não vai bem com os portugueses

Rosa Bastos. licenciada em Psicologia e que trabalha como hipnoterapeuta, escreveu o livro certo, na altura certa. Chama-se Comece a Viver Agora – Tudo o que precisa para lidar com a ansiedade. e ajuda a reconhecer e a lidar com os sinais de ansiedade, mas não só. A depressão, as fobias, as crenças limitantes e a baixa autoestima são alguns de outros temas abordados pela especialista. que apresenta também exercícios simples que pode realizar no dia a dia e que são ferramentas úteis para baixar os níveis de ansiedade. Fique com a nossa entrevista à autora.

O que a motivou a escrever este livro?

Ao longo de muitos anos de trabalho verifiquei que a maior parte das pessoas que procuram as minhas clínicas sofrem de distúrbios de ansiedade. Achei que seria importante escrever um livro para ajudar um maior número de pessoas. Em primeiro lugar, achei necessário esclarecer as pessoas sobre o que é a ansiedade e em segundo lugar, ensinando exercícios para libertar deste flagelo que tanto condiciona a vida das pessoas. Através do livro qualquer pessoa pode-se interrogar o que é que está a fazer com a sua vida para chegar ao ponto em que chegou. O que me motivou essencialmente foi mostrar às pessoas que se pode mudar para construir uma vida mais saudável.

Como é que uma pessoa identifica que sofre de ansiedade?

Quando as pessoas começam a ter muitos mais medos do que alguma vez já tenham experienciado. O medo de ter medo é muito comum e os evitamentos são, em geral, a consequência mais evidente. Deixam de fazer muitas coisas com receio de perderem o controlo.

Quais as “desculpas” mais comuns que temos tendência a usar para não aceitarmos que a ansiedade é um problema nas nossas vidas?

São muitas as desculpas. Normalmente as pessoas não se apercebem que a ansiedade vai entrando e vai condicionando. Vão atribuindo esse estado aos outros, desculpas externas para poderem avançar na vida. Frases como “consigo controlar isto”,” isto não é nada”, “tudo isto é só uma fase”, “se não fosse esta situação eu andava mais calmo”, “se me tratassem bem e me respeitassem eu estaria bem”.

A que partir de que momento/fase é importante perceber que não somos capazes de lidar com o problema sem ajuda?

Quando os sintomas são paralisantes e não deixam a pessoa viver. Normalmente as pessoas que nos procuram vêm pedir ajuda quando estão no limite. Têm palpitações, falta de ar, sudorese, hiperventilação, náuseas, tremores, dor e aperto no peito, tonturas, dores de barriga, desorientação ou confusão, entre tantos outros. Nesta fase, onde muitas vezes a ansiedade já está generalizada e a vida limitada, as pessoas tomam consciência que a situação afinal de contas não é passageira e que precisam de ajuda.

Num grau de ansiedade considerado normal, este livro pode funcionar como um “manual de autoajuda”?

O livro serve efetivamente para esclarecer e ajudar quem sofre de ansiedade. Sem dúvida que vai servir de manual. Quando ficamos esclarecidos podemos agir sem demora. A ideia é ajudar as pessoas a prevenirem e não remediarem. Ter um livro sempre à mão com exercícios e estratégias para libertar a ansiedade é muito útil para todos.

As limitações que a ansiedade coloca em termos de qualidade de vida são enormes. Pode indicar algumas das mais comuns?

São muitas as limitações, mas quando as pessoas têm ansiedade acompanhada de ataques de pânico tudo fica mais complicado para os ansiosos. Evitam ao máximo de sair de casa, muitos deixam de andar nas pontes, deixam de andar no metro, deixam de ir a grandes superfícies com muita gente… muitos evitam o contacto pessoal trazendo enormes limitações nas relações laborais e pessoais.

Podemos afirmar que há uma grande pressa em medicar, e pouco tempo para ir à raiz dos problemas?

Sem dúvida. Como todos sabemos os ansiosos passam a vida a correr, tentando fazer em 24h o que duraria no mínimo 72h. A tendência é arranjar uma solução rápida para remediar a situação e, por isso, a ida ao médico para tomar um fármaco. Mas sabemos que o fármaco só trabalha o sintoma e não a verdadeira fonte do problema. Nos casos onde a ansiedade já está profundamente instalada e a provocar muitos estragos na vida de uma pessoa a ajuda do fármaco pode ser necessária para aliviar os sintomas, mas é de todo importante perceber o que causou tudo isto. Daí a terapia ser extremamente necessária.

Que tipo de terapia é prescrita no caso da ansiedade?

São várias as terapias e todas elas serão válidas se ajudarem. Eu utilizo a hipnose clínica no meu protocolo. Esta técnica ajuda mais rapidamente a trabalhar as emoções do paciente. O transe hipnótico deixa as pessoas muito tranquilas e, desta forma, podem ver o problema sobre outro ponto de vista para o resolverem. Acima de tudo, podem viajar na linha do tempo e levarem recursos poderosos para a situação que criou ansiedade da primeira vez. Imagine que alguém teve um ataque de pânico quando atravessava a ponte porque estava com extrema ansiedade. Em transe hipnótico, em estado de tranquilidade, podemos levar a pessoa a voltar lá através da memória e da imaginação com muitos mais recursos para atravessar a ponte. O cérebro por sua vez vai gravar essa nova experiência e tudo será mais simples da próxima vez que lá passar. 

Fala de muitos casos que passaram pelo seu consultório. Algum que a tenha marcado particularmente?

São muitos os casos que me marcaram ao longo da minha vida e todos eles com igual importância. Mas, lembro-me de um caso de uma paciente que foi comigo à rubrica que tenho na TVI. A senhora em questão tinha ansiedade generalizada e precisava de fazer uma cirurgia urgente. Tinha pânico de entrar no bloco operatório, chegando mesmo em pleno processo a desistir várias vezes da cirurgia com medo de morrer com a anestesia geral. O médico disse-lhe que tinha mesmo que a fazer pois corria risco de vida. Fez o tratamento e a sua alegria foi contagiante quando entrou no bloco operatória e disse ao médico que estava muito calma e que desta vez não ia fugir. Estive ao lado dela antes de entrar e tudo correu lindamente. Senti que naquele momento o meu tratamento salvou uma vida.

Falar de prevenção é essencial e isso começa nas crianças. Que tipo de “ferramentas” podemos dar aos nossos filhos para criar adultos menos ansiosos?

 Os ansiosos são por natureza pessoas que carecem de muita proteção. É importante que os pais estejam atentos aos níveis de autoestima e carência afetiva dos filhos. Não estou a dizer que os estraguem com mimos, mas que os valorizem e os ensinem a serem seguros e confiantes. É bom lembrar que os pais são os modelos para os filhos. Pais tranquilos dão filhos tranquilos! Para isso uma das estratégias será reforçar positivamente os seus bons comportamentos. É também importante uma educação com regras, mas sem rigidez exagerada. Ensiná-los a serem responsáveis e flexíveis perante a vida. Explicar sempre às crianças o motivo por que os estão a chamar à atenção, mostrando-lhes o ganho ao terem o comportamento mais certo. O importante é que a criança sinta estabilidade em estar em família. Ter tempo para brincar com os filhos é fundamental. Desde cedo as crianças podem aprender com os pais a meditar, a fazerem exercícios de relaxamento. Acredito que depois de uma brincadeira exaustiva um exercício de 2 minutos de relaxamento seja delicioso.

 

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