A gravidez é uma autêntica montanha russa. Vista por muitas mulheres como um momento de grande felicidade, é também encarada por outras com enorme angústia. Há, um pouco por todo o lado, a romantização desta fase, ficando para segundo plano todos os riscos.

Exemplo deles é o aborto. Estima-se que 1 em cada 4 gravidezes terminem em aborto. Isto é, 25% das mulheres que engravidam, acabam por passar pela perda gestacional. E esta é uma realidade muito pouco falada, levando ao sentimento de solidão e culpa da mulher quando a vive.

Ora, e é precisamente o risco de que algo corra mal – sobretudo no primeiro trimestre – que se estabeleceu a “regra” de que só se deve anunciar a gestação passado este período. Isto é, nos primeiros três meses, a mulher “deve” esconder a boa nova.

E aqui surgem logo os primeiros dois problemas. Primeiro, se esta for uma gravidez desejada, 12 semanas revelam-se um período muito grande para esconder toda a felicidade. Segundo, além de feliz, o período inicial surge cheio de dúvidas e, muitas vezes, há a necessidade de as partilhar com alguém próximo e que, quiçá, já tenha passado pelo mesmo.

Então, quando contar?

Esta é uma questão sem resposta definida e que vai depender da personalidade de cada mulher. Porém, apesar do medo da perda, há quem prefira partilhar a notícia mesmo antes de completar as 12 semanas, até para se sentir mais apoiada, caso algo corra mal.

Em conversa com a revista CRESCER, a psicóloga perinatal Raquel Jandozza revelou ter acompanhado várias mulheres que enfrentaram a perda sozinhas. “Essas mulheres não se dão nem o direito de se sentirem mãe daquele feto, elas não têm voz. É muito confuso ver que se sufoca a alegria para anular a possibilidade da dor”, reflete.

Nesse sentido, a especialista acredita: “A espera é uma recomendação técnica, mas a gestação é emoção. No campo afetivo, é quase como dizer: ‘guarde tudo isso numa caixinha. Lide sozinha ou lide minimamente’. E isso é de uma crueldade imensa”.

Do ponto de vista médico, os primeiros três meses são de grande risco. Porém, a mulher já é mãe. Está a viver a experiência da maternidade, mesmo havendo a possibilidade de algo não correr como esperado e o bebé não nascer. E, para todos os efeitos, nenhum trimestre é 100% seguro.

Em resumo, a escolha do momento certo para revelar a notícia deve ser da mulher ou do casal. Há que refletir sobre os prós e contras da decisão, baseando-a não numa convenção, mas sim na forma como se sentem ao fazê-lo. “Se ficar na dúvida sobre o que fazer, vá sempre pelo caminho do coração“, remata Raquel.

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