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Lev Dolgachov

Era o único hospital público em Portugal a oferecer a opção do parto na água às grávidas que o desejassem e reunissem condições para o efeito. Depois de cinco anos, em julho a prática foi suspensa no seguimento de um parecer negativo da Ordem dos Médicos. Um grupo de mães que fez parto na água naquela instituição reuniu mais de 4 mil assinaturas numa petição e promete levar o assunto ao Parlamento. A Ordem dos Enfermeiros já disse ser a favor. Por detrás dos argumentos científicos está também uma disputa antiga entre enfermeiros e médicos relativa às competências e autonomia de cada uma das classes no que toca aos partos.

CONTRA
João Bernardes, membro do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos

1. Não há evidência científica, nomeadamente ensaios clínicos randomizados, que validem a segurança e eficiência deste procedimento, sobretudo no que respeita ao recém-nascido. Há evidências de alguns benefícios para a mãe na fase inicial do parto, mas no período expulsivo pode aumentar o risco de asfixia e infeção do bebé. Não sei em que evidência se baseou a OMS. Seguimos a linha do colégio americano de obstetrícia, que é contra.

2. O parto na água existe noutros países, mas se Portugal tem dos melhores indicadores no que toca à assistência perinatal e taxa de mortalidade neonatal é porque faz algo bem. Não foi à custa destas filosofias que chegámos onde chegámos. Não devemos importar modelos só porque funcionam lá fora. A taxa de cesariana continua alta, mas está a descer. 

3. O parto aquático não se enquadra na prática dos médicos obstetras, que em Portugal não têm formação específica nesta área. Não podemos implementar uma prática destas sem mais estudos de confiança, formação e acreditação por instituições credíveis. Deve ser considerado experimental e feito apenas no contexto de ensaios clínicos. De outra forma é uma irresponsabilidade.

4. Independentemente das competências dos enfermeiros especialistas, que são fundamentais nas equipas e prestam os primeiros cuidados, os médicos é que são responsáveis hierárquicos pelas equipas.

A FAVOR
Dolores Sardo, presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras

1. Há evidência científica de que é benéfico para a mãe na primeira fase do parto, diminuindo a dor, necessidade de anestesia e o tempo de trabalho de parto. Não há ainda estudos que mostrem que é benéfico para o bebé mas também não há estudos que provem que faz mal. Há estatísticas que mostram que a taxa de admissão nas urgências dos bebés de parto na água é menor. E está de acordo com as recomendações da OMS, que alerta, desde 2006, para a necessidade de mudar práticas habituais, como a excessiva intervenção médica no parto.

2. Em Inglaterra, Espanha, Itália, Holanda, Suécia, Finlândia, Dinamarca, o parto na água é prática corrente. 

3. O parto na água surgiu em 2009, em Setúbal, como um projeto para aumentar as taxas de parto normal e combater as altas taxas de cesariana. O sucesso foi tal que apresentaram os resultados em congresso mundial: uma taxa de cesarianas abaixo dos 10%. Não houve nenhum caso que corresse mal. O Hospital organizou dois cursos 
de formação específica de parto na água. 

4. As equipas trabalham em conjunto, mas o profissional de referência no parto normal é o enfermeiro obstetra, que tem uma especialização em saúde materna e obstetrícia. Assim diz a lei. É assim porque o parto não é doença. Só se houver complicação é que passa para a alçada do médico. 
Neste caso, faz-se o que se faz nos outros, interrompe-se o parto normal e passa a haver intervenção médica. 

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