Testemunhos: “Eu sou bissexual








A bissexualidade sempre existiu ao longo da História, sendo assumida como natural entre os gregos e os romanos. Sarah Bernhardt, David Bowie, Marlon Brando, William S. Burroughs, Lord Byron, Emily Dickinson e Marlene Dietrich são alguns bissexuais famosos. Mas, apesar disso, sempre surgiu a dúvida: existe mesmo a capacidade de sentir atracção por ambos os sexos ou é esta uma falsa questão e na realidade tudo se resume a comportamentos hetero ou homossexuais? Nós fomos falar com quem se assume como "bi" e partilhamos consigo as suas histórias.





"Foi uma espécie de revelação"





"Posso me sentir atraída por um homem ou uma mulher. Para mim é a mesma coisa. O que conta é a pessoa."





Lena, 30 anos, designer de moda, descreve assim a sua orientação sexual, assumida desde que teve a sua primeira experiência sexual com uma mulher. "No meu caso ocorreu como uma artimanha para seduzir o sexo oposto. Toda a minha adolescência foi virada para os homens. A ideia surgiu já era casada, tinha 19 anos, tratava-se de encontrar alguém para termos sexo a três, o que nunca aconteceu. Porém, foi então que comecei a ver as mulheres de uma forma diferente, mais sexual."





Foram precisos mais uns anos e um divórcio para Lena passar da teoria à prática, sempre com o objectivo de criar mais interesse junto do namorado da época, ou não fosse esta uma das fantasias mais comuns do sexo masculino. "Este meu namorado tinha numa prima heterossexual, mas que manifestou interesse em experimentar relações com uma mulher e eu achei graça. Fomos apresentadas, envolvemo-nos e foi completamente inesperado, como uma espécie de revelação. Deixei de ver este tipo de experiência como um acto isolado e tive a certeza que ia acontecer o resto da minha vida. O prazer é completamente diferença, mas não subscrevo a ideia que conhecemos melhor o outro corpo. As pessoas são diferentes e vivem a sexualidade de forma distinta, independentemente do sexo, e não posso ver no corpo da outra mulher um espelho do meu."









"Sou infiel aos homens com mulheres"





Depois desta primeira experiência, o namoro acabou. "Envolvi-me muito com esta rapariga, talvez por ter sido a primeira. E depois ela trocou-me por outro. E isso é a grande dilema das mulheres e dos homens bissexuais: é que rivalizam com todo o espectro dos seres humanos", salienta Lena.





Lena sempre teve relações duradouras com homens, à excepção de um relacionamento de três meses com uma rapariga, mas que não funcionou: "também não funcionaria se fosse um homem porque ela era muito controladora, sendo que pode voltar a acontecer, porque tem mais a ver com ser a pessoa certa do que ser uma mulher ou um homem." Por isso mesmo, Lena gosta mais de falar de plurissexualidade do que de bissexualidade. "Acho que todos nós temos várias sexualidades, que devolvemos ou não consoante os factores sociais e ambientais que nos rodeiam ou por uma questão de coragem ou decisão pessoal. A sexualidade é muito pessoal e devemos explorá-la no grau em que o desejamos."





Actualmente, continua a estar com pessoas de ambos os sexos, mas a namorar com o sexo oposto. "Os homens são um vício, estão na minha carga genética. O problema é que, quando estou numa relação com um homem, continuo a sentir atracção por mulheres. Fica sempre um resto de desejo por concretizar. Normalmente, acabo por ceder e sou-lhes infiel com raparigas. E se ele fica à partida muito agradados com a ideia de uma mulher ser "bi", a partir do momento em que há envolvimento emocional, ainda não conheci nenhum que achasse engraçado, o que também é explicável porque os homens são finitos em termos sexuais e as mulheres não!"





Lena optou por não esconder a sua orientação sexual: "todos os meus amigos e colegas de trabalho sabem, não tenho tabus de qualquer espécie. Quando tive uma relação com uma mulher assumi-o da mesma forma como com um homem."









"Foi com ela que tive o primeiro orgasmo"





Marta, 33 anos, arquitecta, teve a sua primeira experiência sexual com uma colega da escola, quando tinha 15 anos."Uma noite ela ficou a dormir em minha casa, começámos a brincar aos beijinhos e quando demos por nós estávamos a trocar carícias. A verdade é que foi com essa amiga que comecei a explorar o meu corpo, o que se reflectiu inclusive na forma como depois me relacionei sexualmente com homens, porque já conhecia muito bem o meu corpo." Marta sempre teve consciência de que não era lésbica: "Apesar da minha sexualidade se ter iniciado com uma mulher, sempre me interessei por rapazes e quando tive o meu primeiro namoro o desejo estava lá." Apesar de apenas ter tido namorados, as relações com mulheres sempre estiveram presentes desde então na sua vida, de forma mais ou menos esporádica. "Com estas "amigas" acabo por partilhar uma série de interesses e, de vez em quando, quando nos apetece, também nos envolvemos sexualmente. Por isso mesmo, para mim a bissexualidade existe como orientação sexual distinta. Não sou hetero porque me sinto atraída por mulheres, nem homossexual, porque gosto de homens. Tem de existir uma palavra para me definir e até ao momento essa é a melhor."









"O que importa é a pessoa"





"A questão para mim não é o sexo. É a beleza, o interesse que a pessoa desperta, seja homem ou mulher." Filipe, 23 anos, estudante, assume-se como bissexual desde a adolescência. "Perdi a virgindade com uma rapariga, mas uns meses depois envolvi-me com um amigo do meu irmão, mais velho do que eu, e que achava muito atraente.Desde então, existiram fases em que me sinto mais atraído por mulheres e outras em que os homens predominam." Filipe sempre lidou com a sua orientação sexual de forma natural: "Nunca achei que houvesse alguma coisa errada comigo, mas também aprendi que é mais fácil ser visto como heterossexual. Poupa-me algumas dores de cabeça e por isso guardo as minhas experiências ‘homo’ só para mim." Nos planos futuros, Filipe planeia apaixonar-se e construir uma relação sólida, mas não sabe com quem. "Depende da pessoa por quem me apaixonar", diz com um sorriso.









"A bissexualidade existe"





A bissexualidade é definida como uma orientação sexual que pressupõem a atracção sexual e emocional por pessoas de ambos os sexos. Mas será real? Para Fernando Mesquita, psicólogo, não há dúvidas de que podemos falar de hetero, homo e bi: "Não podemos considerar que tudo é preto e branco. Porque é que não pode existir o cinzento? Daí fazer sentido falar de bissexuais, pessoas que podem viver esse desejo por fases ou em simultâneo."





A sua experiência clínica permite-lhe concluir que, de início, há uma grande confusão: "a pessoa começa a questionar se é ou não homossexual, até porque muitas nem sequer conhecem esse meio-termo. Quando conhece a noção de bissexualidade, enquadram-se nessa orientação sexual. A partir daí, tanto podem escolher uma pessoa do mesmo sexo como do oposto para terem relações mais sólidas, sendo que, no caso dos homens, existe uma questão a considerar: é que com outro homem não pode ter filhos, o que os pode levar a tentar sublimar a parte homo e a investir numa relação com o sexo oposto."









"É mais fácil para as mulheres"





Em comum, os bissexuais têm o facto de, mais do que o género, valorizarem a relação e a pessoa. Mas há diferenças quando se fala de homens e mulheres: "no caso delas, a fantasia tão comum entre os homens de estar com duas mulheres e a carga erótica que é atribuída a esse tipo de jogos, pode facilitar esse tipo de experiências. É mais fácil para as mulheres. Por exemplo, quase todos os filmes pornográfico têm uma cena entre duas mulheres, mas não entre dois homens. Por outro lado, há uma certa curiosidade, até porque já se tornou público que era bom, chegando algumas a dizer que não o fazem porque têm medo de não voltar. No caso dos homens, mais facilmente são apelidados de homossexuais."





Mas no fundo trata-se de completar diversas necessidades: "um homem quando está com uma mulher tem por tradição de assumir um papel dominante, enquanto se estiver com outro homem pode abandonar esse papel; já as mulheres sentem que a relação é muito mais afectuosa, assente sobretudo em carinho, quando estão com outra mulher".









Estará na moda?





"Cada vez mais há variantes da sexualidade, como é o caso do poliamor, uma relação entre três ou quatro pessoas, que vivem juntas. Vai sempre haver conjugalidade entre homem e mulher e procriação, mas hoje há uma maior abertura para outras formas de sexualidade. Por isso não acho que seja a bissexualidade que esteja na moda, mas sim a sexualidade em novas formas", esclarece Fernando Mesquita.













Os números mentem?





Na sociedade ocidental, o primeiro estudo que chamou a importância para o relevo que a bissexualidade tinha nos comportamentos individuais foi o Relatórios Kinsey, publicado em 1948 e 1953. Kinsey chegou à conclusão que um sector significativo da população americana possuía tendências bissexuais, mostrando que esta orientação sexual é, possivelmente, muito mais comum do que se pensa. O relatório media a atracção e o comportamento sexual numa escala de 0 a 7, sendo que 0 era exclusivamente heterossexual e 7 exclusivamente homossexual. Ora, muitas pessoas ficaram na escala entre 1-5, sendo que 46% da população masculina teria tido experiências sexuais quer com homens como com mulheres, ao longo das suas vidas.





Já em 2002, um estudo do National Center for Health Statistics chegou à conclusão que 1,8% dos homens entre os 18 e os 44 se consideravam bissexuais, 2,3% homossexuais e 3,9 como "outra coisa". O mesmo estudo apurou, quanto às mulheres, respectivamente 2,8, 1,3 e 3,8. The Janus Report on Sexual Behavior, de 1993, mostra que 5% dos homens e 3% das mulheres se considera bissexual e 4% de homens e 2% de mulheres se considera homossexual.













Prazer a dobrar?





Tudo parece indicar… que sim. Diversos estudos procederam à comparação entre bissexuais, homossexuais e heterossexuais e concluíram que os primeiros apresentam taxas mais elevadas de actividade sexual, alem de terem mais fantasias. Por outro lado, tem menos casamentos e relações felizes.









Será este o futuro?





Segundo Umberto Veronesi, um cientista italiano a espécie humana está a evoluir para a bissexualidade"como resultado da evolução natural das espécies, sendo que o homem está a perder as suas características e tende-se a transforma-se numa figura sexualmente ambígua, enquanto a mulher se está a tornar-se mais masculina. Desta forma, a sociedade evolui para um modelo único. Na opinião do cientista, o sexo no futuro será apenas um gesto de demonstração de afecto e não terá fins reprodutivos. A comprová-lo, aponta o facto de, desde o pós-guerra, a vitalidade dos espermatozóides ter registado uma diminuição de 50% .









Apenas uma fase?





De acordo com um estudo publicado no jornal do American Psychological Association, a bissexualidade entre mulheres não é apenas uma fase. Neste estudo foram seguidas 79 mulheres que se definiam como não heterossexuais durante dez anos, tendo-se chegado à conclusão que as experiências com outras mulheres não se restringem à adolescência, mas continuam a ocorrer ao longo dos anos. Desta forma, a bissexualidade é uma orientação sexual e não um estádio temporário.









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