Crianças

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1. Não responderem quando os chamam

Foi o Hábito Irritante mais votado, o que prova que as mães andam mesmo a sofrer com isto. E não é para menos. “Ó Pedro, apanha o teu casaco do chão. Pedro apanha o teu casaco do chão. Pedro já te disse dez vezes que apanhasses o casaco do chão….” “Parece que a sua criança desenvolveu um caso de surdez seletiva”, comenta Elizabeth Bangley, “treinadora de pais” e autora de 8 livros sobre educação infantil, no livro ‘The Dictionary of 1000 Parenting Tips’ (Dicionário das 100 ideias sobre educação’). “Parece que tem algodão nos ouvidos, mas se lhe sussurrar ‘vamos comer gelado’, é espantoso como fica logo curado!’

Como resolver: Em primeiro lugar, prevenção: toque-lhe no braço, olhe-o nos olhos e diga ‘quando chamo, quero que venhas’, sugere Elizabeth. “Não lhe grite à distância de três salas ‘vamos lá embora!’” Faça um pedido curto e grosso: à hora de deitar, se fizer um discurso de dez minutos sobre a importância do sono, não espere que ele fique imensamente sensibilizado e se ponha imediatamente de pé. “Pedro, cama” basta. E acima de tudo, se não quer repetir a mesma coisa dez vezes… não a diga dez vezes. Se ele souber que lhe vai pedir a mesma coisa dez vezes e o pior que lhe vai acontecer a ele é ouvir a sua voz, não se admire que o ar de aluado continue. Habitue-o a ouvir à primeira, fazendo saber que há consequências. Ele não ouve à segunda? Aplique-as imediatamente. Pode dar trabalho à primeira vez, mas à segunda pode crer que já fez o milagre de lhe curar a surdez. E não se esqueça de elogiar quando ele começar a responder à primeira…

2. Atirarem-se para o chão do hipermercado

Quem pensa que a birra típica estava fora de moda, enganou-se: voltou em força, tal como os anos 80, e alcançou logo o nº2 da tabela. Aqui todos os pediatras e psicólogos são unânimes: não lhe dê o que ele quer. Claro que a teoria também a sabemos, mas aqueles uivos são o resultado de milhares de anos de evolução especialmente pensada para fazer em marmelada o coração de qualquer pai ou mãe, e é muito difícil não ser atingida pelos estilhaços da ‘bomba’.

Como resolver: Em primeiro lugar, o que não fazer: não encetar conversações com o Inimigo, porque, como qualquer general lhe dirá, nenhum Inimigo a meio da guerra  está em estado de dialogar. Não dar bofetada a Inimigo nem dizer “vês os outros meninos a chorar?”: só fará Inimigo chorar mais alto. Se puder, leve-o (com calma) para um canto onde passe menos gente (o dos artigos para animais costuma fazer sucesso, é sossegado e tem coisas com guizos). Se não puder, tente distrair Inimigo: se a guerra não for de mísseis, qualquer coisa funciona, até as chaves. Se tiver à mão, dê bolacha ou água a Inimigo. Se Inimigo já não estiver em estado de ser distraído nem alimentado, deixe-o espernear até se cansar. Não se envergonhe: já toda a gente fez uma birra na vida e os outros pais vão estar solidários. Enquanto espera, pode rever a lista de compras. Rezar ao deus das Trovoadas. Ligar à sua melhor amiga. Contemplar foto do Inimigo em estado normal para se lembrar como era. Quando o Inimigo acalmar, faça como se nada se tivesse passado. Não ralhe, não pregue sermões, não explique, e ande para a frente. Se for caso disso, arrume o corredor e pague os estragos.

3. Dizer que não gostam quando nunca provaram

A medalha de bronze vai para outro clássico, desta vez um clássico alimentar: mal olharam para as ervilhas e já estão a torcer-se todos. Um famoso pediatra e psicanalista inglês, Donald Winiccott, fez um dia esta experiência: colocou à frente de um bebé um objeto brilhante e chamativo. O bebé fez o que todos os bebés fazem: observou aquilo durante algum tempo, e depois meteu-o na boca. Em seguida, Winiccott pediu à mãe do bebé que lhe pusesse o objeto na boca sem o deixar observar primeiro: o bebé recusou-o imediatamente. Conclusão: as crianças têm de desejar primeiro.

Como resolver: Nem fale nisso. Se disser “Tens de comer cenouras, que fazem muito bem aos olhos” só vai causar mais stresse. Vá apresentando alimentos novos sem comentários, de preferência na refeição em que ele tem mais fome. Não stresse se ele não comer logo os brócolos à primeira, não obrigue a comer e não faça comentários sobre o nariz torcido: continue a pô-los na mesa e no prato. “Muitas vezes são fases passageiras em que as crianças nos estão a desafiar, e ganham normalmente, pois vamos dando outras coisas que elas querem”, nota o pediatra Luís Pinheiro. O ideal é manter a calma. Não a encha de bolachas e leite, e não a distraia a ler-lhe as aventuras do Noddy: “Termine a refeição não dando mais nada, e volte a tentar a mesma comida nas refeições seguintes”. Claro que, se disser ‘ai que bem que os espinafres fazem aos ossos’ mas depois a família inteira se atirar à pizza, ele vai concluir que de facto as palavras não se adequam à realidade. Daqui a 20 anos pode ter um filósofo na família, mas será um filósofo muito pouco dado ao mundo dos vegetais.

4. Não largarem a playstation

Outro clássico, ex-aequo com ‘não largam o telemóvel’. O pior é que é um clássico que nos dá jeito: tê-los quietinhos, sentadinhos e em sítio conhecido é o sonho de qualquer pai ou mãe desde a pré-história. Depois queixamo-nos que eles são uns cromos da playstation, ou preocupamo-nos porque podem andar a ser aliciados por membros da Liga Pedófila Belga no Facebook. Ninguém entende os pais…

Como resolver: Se ele já é pré-adolescente, mentalize-se: é normal que queira passar cada vez menos tempo com a mamã e o papá, mesmo que isto implique estar no quarto com o computador… “Para que esta tendência também não vá longe demais, não faz mal exigir-lhe que esteja presente em algumas refeições e atividades familiares”, explica a psicóloga Jean Walbridge, diretora do quase lendário site www.parentyouradolescent.com. “Se acha que ele passa demasiado tempo ao computador, estabeleçam juntos um limite, mas não estabeleça como alternativa que ele passe tempo com a família… Além do que já indicámos (tarefas caseiras, presença em algumas refeições, algumas atividades familiares) deixe-o fazer o que quiser com o tempo que não passa ao computador.” Claro que, se começar já desde pequenino a limitar o tempo internético (não mais que uma hora) depois será mais fácil. E ainda mais fácil se houver qualquer coisa divertida para fazer longe do computador…

5. Quererem vestir roupa inadequada

Estava mesmo à espera desta, não era? Claro que na palavra inadequada cabe um mundo de originalidades mais ou menos, enfim, originais: desde querem ir de manga curta e minissaia em pleno fevereiro até fazerem finca pé porque o seu sonho é aparecerem na escola vestidinhas de bailarinas dos pés à cabeça, até à maquilhagem que transforma uma rapariga absolutamente normal na mãe da Família Addams ou à t-shirt que já passou 15 dias no mesmo corpo, cabe tudo.

Como resolver: Segundo o pediatra francês Aldo Naouri (lembram-se dele?), na roupa das crianças mandam os pais, na roupa dos adolescentes mandam os adolescentes. Pronto. Agora façam o que quiserem, mas depois não digam que não avisámos… Enfim, o facto de os adolescentes mandarem na roupa deles não quer dizer que os pais não tenham o direito de dar a sua opinião, porque afinal estamos num país livre.

6. Imitar as nossas falhas

Ver uma cópia de nós com menos 7 palmos, de dedo espetado e sobrolho franzido, a ralhar num tom exatamente igual ao nosso: “Já-te-disse!” ou “Ai ai ai, não há pachorra para te aturar!” provoca-nos um misto de vontade de rir e vergonha. Ainda por cima porque sabemos que não há espelho mais fiel. Nós somos assim, afinal? Nós, que nos orgulhávamos de ser uma mãe perfeita, um modelo de virtudes, um exemplo de pedagogia? Nós, aquele dedo espetado, aquele tonzinho irritante? E assim de repente, além de nós, ela lembra-nos mais alguém… ahhhhhh! A nossa mãe!

Como resolver: Heeee…. Pois, aqui tem que resolver a coisa é consigo, não é…

7. Acharem que são o centro do mundo

Nenhum filho merece que a mãe viva para ele. “As mulheres mais infelizes são as que desistiram da sua felicidade e andam na vida como robôs, conseguindo levar a cabo um número inacreditável de tarefas, tanto em casa como no trabalho, sem disso retirarem grande alegria”, afirma Cathy Greenberg, autora de ‘O Segredo das Mães Felizes’ (Academia do Livro). Se reconhece o retrato, não é a única. Ainda vamos muito a tempo de fazer mais uma resolução de princípio do ano: ser uma mãe mais virada para si própria. Como dizia o Rui Zink, “os filhos precisam de pais egoístas”. E quando eles se tornam o centro absoluto do nosso mundo, é sinal de que o nosso mundo se tornou, de repente, demasiado pequeno… Além disso, nenhum filho aguenta esse peso às costas.

Como resolver: Mais uma vez, aqui o trabalho é nosso e não deles. Mas temos absolutamente de tirar algum tempo por dia para nós, e essa não pode ser a prioridade nº1472. Como, se o dia já está esticado ao máximo da sua resistência? Cada pessoa é que vê aquilo que é e não é imprescindível. Imagine que vai carregada com um peso que não pode suportar. O que é que pode deixar cair pelo caminho? O que é que pode deitar à água para o barco flutuar? A casa arrumada? A roupa engomada? E se puser as crianças a ajudar? Investigue. Encontre outra vida que não os filhos. E não deixe que lha tirem.

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