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– O cabeleireiro

É um clássico. Não há ninguém que não saia de lá uma nova mulher. Para o melhor ou para o pior, mas geralmente para o melhor. Claro que promete aparar-nos as pontas e saímos de lá com as farripas a pairar algures por cima da orelha, diz que nos fez um despenteado artístico e nós só vemos a parte do despenteado, e é um bocado como os cremes anti-celulite, quando descobrimos que estamos talvez ligeiramente melhor mas continuamos a mesma pessoa do costume, a vida retoma o seu curso de sempre. Mas não há nada que nos tire a parte da lavagem. As massagens ao couro cabeludo. É espantoso o que umas massagens no couro cabeludo podem fazer pelo nosso bem-estar.

– O Repara-Tudo

Há quem tenha marido/namorado/concubino dado a reparar canos e desentupir sanitas, mas como o mais provável é que eles fiquem a olhar para a torneira que pinga com um ar ainda mais reverente do que nós, quem nos salva é sempre o Sr. Ricardo. Geralmente, o número dele está na nossa lista de telemóvel juntamente com o dos nossos amados, amigos e irmãos. O Sr. Ricardo vem a correr quando a prateleira cai, o esquentador pifa, o varão da banheira desaba, o fusível rebenta, o computador avaria ou o cano desencana. O Sr. Ricardo é uma espécie de anjo na Terra: ele chega e com uma simples guita/elástico/prego/ “a senhora por acaso não tem um bocado de pastilha elástica mascada?” resolve a coisa, remenda, segura, conserta, aperta. Poucas vezes alguém é tão abençoado como ele.

– O empregado do café

É o que mais se aproxima de um ‘gueixo’ moderno. Não nos faz massagens tailandesas nem nos espalha pétalas de rosas nas omoplatas nem toca bandolim chinês, mas ainda a gente vem ao fim da rua a dobrar a esquina e já ele nos avistou pelo canto do olho e pôs um café e um croissant em cima do balcão. Resultado: somos obrigadas a comer todas as manhãs um café e um croissant porque mesmo que nos apeteça um chá de limão e um bolo de arroz, já não há nada a fazer, era preciso ter mandado um telegrama antes de sair de casa e mesmo que o tivéssemos feito, mudar de gosto é uma ofensa a quem já o decorou. E comove-nos tanto saber que há alguém que se interessa o suficiente por nós para decorar o nosso gosto, que engolimos o croissant e o café sem uma palavra.

– O colega das fotocópias

É o mais perto a que se pode chegar do Homem Invisível. Não é alto nem baixo, nem careca nem cabeludo, nem gordo nem magro. É o Luís. Ou o Horácio. Ou o Paulinho. A gente encontra-o sempre ao pé da máquina das fotocópias e geralmente estamos passadas com qualquer coisa e geralmente ele diz outra coisa qualquer de que segundos depois já não nos lembramos mas que, não sabemos porquê, nos anima a vida. Ou nos desencrava a máquina das fotocópias. Ou nos ajuda a dar socos na máquina de chocolates que engoliu a moeda e nos ficou com o chocolate.

– O dentista

Há vários: há os que não dizem uma palavra e olham para nós sem pestanejar como um mocho de bata, há os que falam o tempo todo e nos dão palmadões nos ombros e falam dos resultados do Benfica e nos fazem perguntas a que a gente responde uns “hã hã” aparvalhados porque estamos com a boca a transbordar de molde verde como o Incredible Hulk e não conseguimos dizer muito mais. Também há os cultos que dizem: “sabe que a rainha Vitória estava crivadinha de cáries?” e a gente a pensar que se calhar tinha dado em mística, se calhar o antibiótico activou-nos o neurónio das vidas passadas e tínhamos sido a rainha Vitória. E então, perguntamos, o que é que fazia a rainha Vitória com uma cárie?, e ele responde, a rir-se imenso: “Sofria.” Tudo para que a gente aprecie devidamente a presença dele na nossa vida. A gente aprecia. Mas assim que deixa de nos doer o dente, passa a doer-nos a carteira.

– O amigo do computador

“Ó Zé! Ele está outra vez a dizer-me que não encontra a file! Ele diz-me que eu fiz um ‘grave error’ mas eu nem lhe mexi… Por que é que me aparece tudo em mandarim? Olha agora pendurou… Por que é que ele não me aceita a password? Por que é que está a fazer uns apitinhos esquisitos? Ó pá, não sei descrever melhor, são uns barulhinhos assim como um ninho de cobras-bebé, uns apitinhos como aquelas chaleiras mas também em bebé, um ninho de chaleiras-bebé… Olha DESAPARECEU TUDO!” O Zé é uma versão do Sr. Ricardo mas em técnico de computador. A gente telefona-lhe a qualquer hora do dia ou da noite, como ao pediatra. Ele chega de mala, como os médicos, olha para aquilo tudo com um ar gravíssimo enquanto a gente pensa: “bolas, lá empancámos esta coisa toda”, abre aquilo, remexe as entranhas do bicho, substitui uma pecinha, e pronto. Está pronto para outra.

– O George Clooney

O facto de ele estar em Hollywood ou quando muito no Museu de Cera da Madame Tussaud não nos desanima, afinal a distância nunca foi obstáculo para o amor. Há quem seja fã do DiCaprio ou do Pitt ou do Depp, mas é porque nunca viram o George Clooney de smoking. Por causa dele, até começámos a beber aquele café que vem em potinhos com nomes de músicas clássicas. Por causa dele, até ligámos para a loja a pedir mais. Por causa dele, quando a menina nos perguntou se tinhamos algo que não fosse do nosso agrado, até dissemos: “Sim, é que nenhuma das vossas caixas traz o Clooney lá dentro”, por causa dele passámos três dias a rir quando a menina respondeu: “Ah, portanto, tem uma reclamação a apresentar?”

– O treinador

Geralmente não é pessoal, mas é sempre como se fosse. Vocês já repararam que, mesmo quando há 30 pessoas na aula, o professor de step parece que está sempre a olhar para nós? Devem ter aprendido aquilo alguma vez que foram ao Louvre e repararam que a Mona Lisa não despegava os olhos de quatro milhões de japoneses ao mesmo tempo, e começaram a pensar: que técnica fantástica para ensinar aos nossos personal trainers, cada aluno olhado ternamente nos olhos, cada treinador, desculpem, trainer, um apaixonado, desculpem, lover (porque lá é tudo em americano, a gente entra no ginásio e parece que está na América, que é para os americanos coitados não se sentirem desprotegidos). Mas pronto, basicamente a gente comove-se sempre quando apanha o tipo de olhos nos olhos connosco, mesmo que saiba que está de olhos nos olhos com mais 29 outros atletas.

– O co-atleta

É o que vai sempre connosco à mesma aula. Há o que não abre a boca e olha fixamente para o treinador como se fosse para o Afeganistão depois de amanhã, e o que passa a aula a dizer coisas encorajantes como: “Mas você corre que se desunha!”, há o que tem um ar deprimido e levanta menos peso que uma velhinha e o He-Man que de certeza que toma uma data de coisas probidas antes de dormir como nós tomamos chá de erva cidreira, o sorumbático e o chefe de turma, o que lhe dá a mão e puxa por si e o que passa uma hora  pendurado na passadeira como a sopeira e o magala, ele a falar e você a correr. Há os que levam aquilo a sério porque com a tropa não se brinca e os que vão para lá fazer palhaçadas porque têm empregos mais monótonos que o deserto de Gobi, há os que fazem tudo o que o instrutor diz e os que passam a aula de total condicionamento a mandar as almofadas de ioga uns aos outros e a fazer caretas ao espelho. Dos desconhecidos com quem nunca se fala aos que nos reconciliam com a vida, há de tudo. Mas passado um certo tempo, já não imaginamos a vida sem o nosso co-atleta.  A gente levanta a cabeça dos abdominais e ele está do outro lado, como o Pedro e a Inês. Não voltam a encontrar-se fora das aulas mas é reconfortante saber que há gente conhecida num lugar tão inospitamente povoado de máquinas para nos fazerem sofrer.

– O homem do sentido contrário

 Sabem qual é? Aquele tipo que vem sempre no sentido contrário quando vamos correr para o estádio, e que encontramos 9 vezes sempre na mesma curva, ele para um lado, nós para o outro. Ou o homem que arruma o carro sempre de frente para o nosso. Ou o que está sempre na mesa atrás de nós no café. O que está na toalha ao lado da nossa na praia. No step ao lado do nosso na aeróbica. No lugar em frente do nosso no autocarro. Nunca nos falamos. Mal nos olhamos. Sonhamos com ele de vez em quando vestido de bailarina entre o Barak Obama e a professora de Geografia do 8º ano, e fartamo-nos de rir e esquecemos, tal como o esquecemos todos os dias da nossa vida. Embora esteja tão próximo de nós.

– O melga do telefone

 “Está? É a senhora Dona Marta Dias? Boa noite, senhora dona Marta Dias, a senhora dona Marta Dias não está a pensar trocar de carro, senhora dona Marta Dias?” A gente tem vontade de lhes dizer que aquela técnica, que é suposta criar proximidade, só nos dá vontade de lhes bater. Queremos dizer: “Ouça, chame-me só Marta, eu até gosto da sua voz, vamos tomar um café a qualquer sítio, vamos casar e ter filhos, mas não me chame NUNCA MAIS senhora dona Marta Dias.” Nunca o fazemos. Tentamos convencê-lo que não, não queremos dar mais um irmãozinho ao nosso calhambeque, e desligamos com a sensação de que podíamos ter feito um amigo e não fizemos.

– O flirt seguro

Pode estar em qualquer sítio. Pode ser o homem dos Correios (embora agora sejam quase todas mulheres…), pode ser o carteiro, pode ser o vizinho do primo, o primo do vizinho, o caixa do supermercado. Às vezes enganamo-nos e vemos um flirt seguro onde ele não há, batemos a pestana para o lado errado e de repente o flirt seguro não nos larga. Às vezes achamos que é um flirt seguro porque é muito feio, ou muito velho, ou muito casado, e acabamos transtornadas com visões do flirt seguro de joelhos a pedir-nos em casamento. Mas enfim. São azares. Ou sorte conforme o ponto de vista.

– O amigo gay

 É a única pessoa que nos diz como estamos mais giras, mais magras e mais loiras. É a única pessoa que repara que o cor de rosa nos fica bem. Que mudámos de sombra de olhos. Que o relógio nos está largo. Que temos um sinalzinho por trás da orelha. É o único homem além do nosso que deixamos aproximar tanto que nota o sinalzinho atrás da orelha. É a única pessoa que nos diz que os homens devem estar todos cegos, e que nos faz crer que somos altas, poderosas e que se o Vasco não ligou, pior para ele.

– O amigo não-gay

Não é gay mas é seguro. Pode ser seguro de várias maneiras: ou porque é casado com a nossa melhor amiga, ou porque já foi casado com a nossa melhor amiga, ou porque andou connosco na primária. Pode levar-nos ao Domingo a passear porque percebeu que estávamos em baixo. Pode preencher-nos os papéis do IRS porque tirou contabilidade, ao contrário de nós, que tirámos grego antigo. Pode ficar-nos com a criança em casa enquanto a gente vai ao cinema. Pode mandar-nos piadas parvas por mail e alumiar-nos o dia sem ele saber.

– O teclista da Internet

O nick dele pode ser ‘Lobo Solitário’ ou placidamente ‘Rui24’. Não sabemos o seu verdadeiro nome, nunca o vimos nem tencionamos ver, também ainda não chegámos ao sexo virtual porque aquilo é um chat para gente decente. Quando o conhecemos, regra geral deixa de ter graça. Reparamos que ele tem o nariz empinado (ou torto) e os olhos ausentes (ou estrábicos) e uma namorada mais simpática do que ele (que nunca aparece no blog). Na net, estranhamente, tudo continua como dantes, como se cada pessoa tivesse duas identidades (e tem). É um mundo-bolha, como o do ginásio. Ele meio existe meio não existe, e é por isso que lhe dizemos coisas que não confessamos nem ao amor da nossa vida. Parte de nós é virtual e quer continuar virtual.

– O taxista conhecido

É o homem que se chama quando damos por nós num descampado longe de tudo, podíamos estar em Marte, são quatro e dez da madrugada, está escuro que nem breu, chove que se desunha e não há mais ninguém à face da Terra. O número dele também está no nosso telemóvel, a seguir ao do Sr. Ricardo, e quando nos afundamos no banco de trás e damos a morada de casa é um bocado como estar outra vez no carro do avô.

– O desconhecido

Há sempre na vida de toda a gente um desconhecido que nos resgata de qualquer coisa terrível. A gente vai a passar, cai num buraco, e mão amiga tira-nos de lá. A gente está perdida no meio de uma tempestade como aqueles furacões na América a levar chalés americanos pelos ares, e passa um jipe que nos resgata. Estamos no alto das escadas do metro com um carrinho de criança e o desespero escrito em tudo, até já na cara da criança, quando alguém nos ajuda a levar carro e criança até lá abaixo. Estranhamente, nunca mais os voltamos a ver. Quem acredita em anjos passa a acreditar ainda mais, quem não é crente em asas medita por momentos se devia passar a ser e depois decide que acreditar em gente boa já é crença suficientemente mística para os tempos que correm.

– O homem do sonho

É o mais perturbador, precisamente porque não existe. Mas parece-nos sempre tão real… Sabem qual é, não sabem? Não o conhecemos de lado nenhum, mas sonhamos com ele e percebemos imediatamente que é o homem da nossa vida. Tristemente, acabamos sempre por acordar. Quando acordamos somos capazes de racionalmente desmontar a coisa e perceber de onde vem cada um dos traços do homem do sonho. Mas ficamos sempre com a ideia de que ele existe, de que um dia o havemos de encontrar de verdade, ao virar da esquina ou em Veneza, à porta de casa ou no Nepal.

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