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Antigamente ainda era útil ter um homem em casa por três razões: fazer bebés, abrir frascos de pickles e ir comprar mirtilos às quatro da manhã quando estamos grávidas. Quatro, se soubessem qualquer coisa de canalização e cinco se soubessem e/ou estivessem dispostos a subir ao escadote para pendurar variadas coisas.

Mas isso era dantes: a nova geração ganhou em dotes intelectuais (enfim, alguns…) mas perdeu em funções práticas.

A maioria dos homens abaixo dos 30 sofre de vertigens acima de dois degraus. Tem o esperma danificado porque passa o dia sentado a sobreaquecer o material abaixo da cintura (pelo menos são o que os estudos científicos nos dizem… e nós acreditamos). Se o acordam às 4h da manhã murmura: “onde é que queres que eu vá encontrar uma coisa que nem sei o que é a estas horas da madrugada, dorme que isso passa”. Para já não falar naquelas alturas em que ficam a contemplar a torneira que pinga com um ar tão perplexo, reverente e desnorteado como o nosso, quando não desfaz a canalização à martelada para não dar parte de fraco, e quando já está num círculo de porcas e parafusos diz: “amanhã resolvo isto”.

Conclusão: basicamente, a única coisa para que muitos rapazes ainda servem é para abrir o tal frasco de pickles, mas mesmo assim a maioria das mulheres ou não come pickles ou já descobriu o truque de alargar as bordas da tampa com uma faca.

Em contrapartida, as habilidades que a maioria deles mantêm são estranhamente inúteis. Alguns percebem de carros e computadores, pois percebem. Mas conhecem alguém com menos de 30 anos que pare na estrada e nos ajude a mudar um pneu? (Conhecem? É a excepção que confirma a regra).

Alguns ainda sabem montar aquelas prateleiras suecas que vêm da loja com as tábuas de um lado e trinta parafusos do outro: quando não ficam a olhar para o plano ao contrário. Mas a maior parte desses ‘exemplares’ preciosos geralmente vivem fora de Lisboa.

Quando nem as qualidades os salvam

Pronto, é verdade, experimentem fazer uma mudança de casa fiadas nos vossos músculos e vejam com o que é que conseguem encher a sala: dois copos e quatro candeeiros (pequenos). Problema: agora, muitos deles têm tantos músculos como nós, para não dizer que ainda têm de carregar com a própria barriguinha de cerveja.

São muito bons a atirar lanças a mamutes, o que daria muito jeito há mais ou menos 40.000 anos. Pronto, sabem programar um vídeo. É pena que só o programem para os jogos da Super Liga.

Conclusão: a não ser que se chame o ‘room service’ ou ainda consigam encontrar livre alguém da geração anterior (ou a tal excepção à regra), as mulheres mais novas estão feitas.

Actualmente, eles servem mesmo é para fazer vista junto de outros homens. Ainda estamos num mundo machista: experimentem aparecer numa garagem sem acompanhante masculino, e vejam como é que vos atendem. Ou para efeitos sociais: experimentem aparecer sozinhas numa festa e vejam lá se não passam a festa inteira aos caídos porque toda a gente vai aos parzinhos…

O fim da raça?

Podíamos dizer que esta aproximação de sexos traria algo de bom ao sexo masculino. Podíamos dizer que, enfim, hoje em dia, ao contrário dos pais e avôs, já não sabem mudar um pneu nem fazer furos de berbequim mas que lavam lindamente a loiça e mudam as fraldas ao bebé com rapidez e eficiência. Mas não. Muitos ainda continuam a achar que ‘ajudar em casa’ é pôr o lixo lá fora, e acham que vão dar excelentes pais daqui a cinco anos, quando a criança tiver idade para insultar o árbitro.

Não só perderam as habilidades velhas como não aprenderam habilidades novas. Por isso não é estranhar que o futuro seja negro. A notícia já é velha e como nem nós nem os nossos trinetos cá vão estar nessa altura, também ninguém se preocupou muito com isso, mas a verdade é que nos espera um triste destino: o cromossoma Y, responsável por metade do nosso código genético e responsável ainda pela criação de bebés-rapazes, está tão debilitado que só se vai aguentar mais uns miseráveis 200.000 anos. Não é amanhã, pois não, e antes disso ainda podemos levar com um asteróide, o que acabaria com o problema, mas os cientistas já estão a matar a cabeça para encontrar soluções. Más notícias: a única solução que encontraram até agora foi um mundo em que, em vez de espermatozóide e ovo, os seres humanos seriam feitos de dois ovos. Problema: seríamos todos raparigas…

Agora imaginem um mundo cheio de raparigas e senhoras e velhinhas, todas a gastar o quádruplo em SMSs com coelhinhos, as bolas de Berlim extintas, os tampos das sanitas limpos, a tampa da pasta de dentes no sítio, a banheira sem pêlos… Imaginem intermináveis saídas com as nossas amigas, sem ninguém a protestar com o empregado, a dizer que o bife está frio e a programação televisiva preenchida só com telenovelas. Que tédio…

Podemos começar a treiná-los para…

– Nos trazerem o pequeno-almoço à cama. Um pequeno-almoço em condições, nada de tostas queimadas com leite frio.

– Serem eles a carregar com o bebé, o carrinho do bebé, as compras de Natal e os sacos do supermercado. Bem conversados, eles até acabam por fazê-lo.

– Ir connosco às lojas de decoração e carregar variadas prateleiras que nós nem conseguimos fazer deslizar da respectiva prateleira.

– Perceber como uma máquina de lavar roupa funciona e não se avaria só porque eles olharam para ela e disseram: “Ai tanto botão”.

– Saber que para chegar ao ponto G têm de passar primeiro pelo ponto A, B, C…

 

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