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O pedido de mais ‘espaço’ é, infelizmente, algo com que muitas de nós já nos deparámos por parte do nosso companheiro.”Segundo a psicóloga Madalena Alarcão, a predominância desta solicitação por parte do homem tem uma explicação: a mulher sobrepõem as necessidades familiares às individuais com maior à vontade do que o elemento do sexo masculino: “Na vida conjugal, há que articular desejos e objectivos individuais com necessidades e objectivos familiares, que são definidos ou sentidos como importantes e necessários pelo todo que a família ou o casal constituem.” Ora, a dificuldade assoma quando o peso de cada uma destas vertentes é divergente nos dois elementos.

Não existe, a priori, nada de ‘errado’ neste pedido, que pode ser tão-somente a solicitação de espaço individual que, como todos sabemos, também tem que existir numa relação de casal, sendo preciso, nesse caso, articular o ‘eu’ e o ‘tu’ (relativos às individualidades dos cônjuges) com o ‘nós’ do casal. Porém, como não deixa de frisar a especialista, “é verdade que, em certas circunstâncias, o pedido ‘dá-me mais espaço’ pode significar a necessidade de maior liberdade para ter uma outra relação ou, pura e simplesmente, para acabar com a primeira relação; são, de novo, as necessidades individuais a sobreporem-se às necessidades/compromissos conjugais e/ou familiares, mas havendo, agora, um terceiro elemento em jogo e/ou um desinvestimento da relação conjugal.”

Como avaliar a situação

Ora, o maior obstáculo com que a mulher se defronta é saber qual o motivo real desse pedido: se está em presença de uma maior necessidade do outro de traçar objectivos individuais, essenciais ao ser humano e que não colocam em causa a relação, ou se esconde um desinvestimento na relação ou a presença de um terceiro elemento.

“A única forma de avaliar a situação é através da capacidade do casal comunicar sobre essa mesma necessidade”, reforça Madalena Alarcão, “ou seja, é essencial que quem necessita do dito ‘espaço’ possa explicar por que motivo e para quê precisa dele e que quem se sente incomodado com tal solicitação consiga explicitar de que forma se sente mal ou incomodado e como poderia sentir-se melhor.”

É óbvio que, de modo a que este tipo de comunicação se processe de forma saudável, ambos os elementos “sintam que podem confiar um no outro, se disponham a entender as necessidades e pontos de vista do outro e a encontrar espaços e tempos para estarem juntos, fazendo coisas que sejam agradáveis para ambos e que possam alimentar o ‘nós’ conjugal.”

Onde colocar o limite

“O limite está na capacidade de cada um aguentar o pedido do outro e de o equilibrar com as suas próprias necessidades, ou seja, neste processo é fundamental que nenhum dos elementos se sinta perdedor, quer porque deu ao outro espaço individual, quer porque lhe deu espaço colectivo”, clarifica Madalena Alarcão.

E se um dos elementos considera que o pedido do outro reflecte a sua insatisfação face à relação, tem de enfrentar o assunto de frente. No fundo, “é importante que o casal compreenda que, principalmente hoje em dia, em que a individualidade é um valor socialmente tão valorizado precisa de se sentir uma totalidade (o dito sub-sistema conjugal, que abre o espaço para a vivência partilhada das coisas boas e más do quotidiano, dos sonhos, das necessidades, dos valores, dos afectos compartilhados), mas precisa, igualmente, de espaço para que cada uma das individualidades possa existir e desenvolver-se, seja no trabalho seja no lazer.”

O problema é quando esta articulação não se faz e o ‘todo’ anula as ‘partes’ ou estas (ou pelo menos uma delas) dificultam ou impedem a existência do ‘nós’ conjugal.

COLABORAÇÃO: Madalena Alarcão, Terapeuta familiar e de casal, Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra)

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