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Já havia o QI para testar a memória e o raciocínio lógico e a ‘inteligência emocional’ para avaliar a capacidade de lidar com os afectos. Agora também há que calcular o grau de maturidade com que se vive a sexualidade. Os autores do conceito de ‘QI sexual’ são dois professores de Psicologia da Universidade de Massachusets, Sheree Conrad e Michael Milburn, que depois de terem realizado um inquérito, em 2002, a mais de 500 pessoas (entre os 18 e os 64 anos) em todo o mundo concluíram que quase metade dos entrevistados considerava a sua vida sexual insatisfatória. A razão? Segundo os investigadores, era o fraco desenvolvimento da ‘inteligência sexual’.

OS SEGREDOS DOS CASAIS INTELIGENTES

E quais são as características das pessoas que têm um alto QI nesta matéria? Aqui ficam as principais:

Conhecem aquilo que dá prazer a ambos. A capacidade para reconhecer e aceitar o que nos satisfaz sexualmente pode parecer básico, mas muitas pessoas estão longe de ser honestas neste domínio. Isto implica possuir algum nível de autoconsciência, nomeadamente para conseguir distinguir os desejos próprios dos incutidos pelos filmes ou telenovelas.

Distinguem a realidade da ficção. Sabemos que o sexo não é como nos filmes, mas os mitos culturais podem ser difíceis de ultrapassar. E isto pode ser especialmente importante se eles estiverem a impedir o casal de viver o sexo em pleno.

Mantêm um diálogo franco um com o outro. Depois de se libertar do medo e da culpa e de descobrir o que a motiva, há que comunicá-lo ao parceiro e estar aberta a compreender também o que o motiva e dá prazer ou não. Isto implica capacidades de comunicação interpessoais. Se não conseguir passar a mensagem e se não houver uma comunicação franca e aberta, não adianta muito saber o que vos satisfaz ou não.

Conseguem ultrapassar as suas inibições. Pode ser um processo um pouco difícil mas é essencial, assim como o respeito pelas necessidades do outro. Não tente dar um passo maior que a perna, faça tentativas subtis e vai ver como algumas inibições lhe parecerão ridículas.

Sabem que pode haver sexo sem amor e amor sem sexo. A ‘inteligência sexual’ não está desligada da emocional, mas você até pode fazer sexo sem amor, motivada por carências emocionais ou com outra motivação qualquer. O importante é ter consciência disso e saber o que é que em cada altura é melhor para si e para o seu bem-estar físico e psicológico. Até porque os benefícios de uma vida sexual satisfatória se repercutem em todas as áreas da vida, mesmo no sistema imunitário.

PREPARE-SE PARA APRENDER MAIS AINDA

As razões para a insatisfação com a vida sexual que a maioria dos entrevistados demonstrou no inquérito realizado por Conrad e Milburn eram diversas, mas o estudo permitiu confirmar que a revolução sexual dos anos 60 não veio mudar a forma como o sexo é vivido tão radicalmente quanto se poderia pensar, pelo menos entre quatro paredes.

E, apesar da imagem difundida pela comunicação social actualmente ser a de uma sexualidade bastante mais livre do que antigamente, o inquérito mostrou também que, na verdade, os adolescentes de hoje não lidam com a questão sexual melhor do que os seus pais ou avós. Outros estudos feitos nos EUA têm vindo a revelar até que há mais disfunções de cariz sexual entre os jovens do que nas pessoas de meia-idade, por exemplo.

O conceito de ‘inteligência sexual’ pode, por isso, servir de mote de reflexão para estas questões, mas os autores fazem questão de salientar que esta não é uma capacidade estática. Ou seja, pode ser melhorada e desenvolvida independentemente da beleza, dotes físicos ou sex appeal inatos que se possua. Investir no conhecimento do ‘eu sexual’ é meio caminho andado para viver o sexo em pleno, mas não só. Também é a via para ser uma pessoa globalmente mais integrada e saudável.

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