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As exigências e pressão não afectam a apenas os adultos no seu quotidiano louco. As crianças também se vêem a braços, todos os dias, com novos desafios, matérias mais complicadas na escola e com a necessidade de tirarem boas notas. Para que o stresse não comece a pesar-lhes demasiado cedo, há que dar-lhes rotinas e até ensiná-los a relaxar. Ana Paula Reis, psicóloga clínica no NUPE (Núcleo de Psicologia do Estoril), especializada na área cognitivo-comportamental e em questões pedagógicas, dá aos pais algumas pistas úteis.

 

Modere as suas expectativas

A tentação de querermos que os nossos filhos sejam os melhores é grande. Mas quando soa o alerta de que estamos a ser demasiado rígidos e exigentes com eles? “As crianças aprendem por modelagem, ou seja, absorvem, de forma quase inconsciente, os padrões de comportamento paternos. Pais muito ansiosos e com uma postura muito exigente face a resultados e perfeccionismo, transmitem essa mensagem até através da sua linguagem corporal”, explica Ana Paula. “Uma ansiedade moderada é positiva, porque serve para a criança aprender a lutar pelos seus objectivos. Mas se for demasiado grande, o jovem sente-se incapaz de atingir esse patamar de exigência e acaba por entrar num nível de ansiedade grande. Isto pode definir o seu sucesso ou insucesso escolar. Por vezes os pais misturam as suas próprias necessidades com as dos seus filhos.” Ou seja, não projecte nele os sonhos e expectativas que tinha para si mesmo. Pode estar a fazê-lo inconscientemente.

A ansiedade pode ser ainda pior se a criança já teve experiências anteriores de insucesso, nem que seja uma nota negativa que não foi bem recebida em casa. “As pessoas tendem a sobrevalorizar a falha em vez do sucesso. Quando os pais o fazem, a criança interioriza um quadro de falta de competência e a mensagem ‘eu não sou capaz’. Isto gera baixa auto-estima e faz com que a criança não se valorize”, aponta a psicóloga. Mas, no meio de tanta disciplina, existem, de certo, aquelas para as quais ele tem mais inclinação. “As crianças com notas baixas em ciências são, geralmente, boas em letras, e vice-versa. Mas há disciplinas em que, geralmente, todas são boas e gostam: o Estudo do Meio (no primeiro ciclo) e Área de Projecto.”

Competitividade, sim… mas com limites

Competir é saudável. Põe-nos a fasquia sempre um pouco mais acima e obriga-nos a querer mais e a aspirar à excelência. Mas numa época em que ser o melhor ganha importância cada vez mais cedo, também pode ser uma faca de dois gumes. “É importante valorizar o sucesso e os jovens que se empenham em tirar boas notas. Mas a competitividade só é saudável se for partilhada”, observa a Ana Paula Reis. “Os bons alunos devem ser motivados a ajudar os que não são tão bons e aprenderem a não ficar numa plataforma de superioridade que inferiorize ou humilhe os colegas. Aqui há uns tempos voltou-se a falar dos Quadros de Honra. Acho óptimo que existam mas devem ter uma adenda: estes jovens devem ser premiados mas também educados na partilha da sua competência com os colegas.”


Boas soluções anti-stresse

– Fale com o director de turma logo no início do ano, sobretudo se o seu filho for mais introvertido e se escapa sempre às perguntas sobre como vai a escola com um evasivo ‘Normal…’ ou ‘Vai bem…’. Estas conversas regulares dão-lhe, não apenas a noção de como vai ele de aproveitamento escolar, mas também se faz amigos ou como evoluiu emocionalmente. Fale, ainda, com o professor se o seu filho tiver demonstrado alguns sinais de ansiedade, em casa (ver caixa).

– Procure um psicólogo. “É difícil avaliar um filho imparcialmente, por isso há que pedir ajuda a um técnico”, aconselha Ana Paula Reis. “Por mais boa vontade que tenham, muitos pais transformam um problema pequeno numa grande tempestade.” Ao mesmo tempo, um técnico pode ajudar o seu filho com técnicas de relaxamento físico e mental para ultrapassar a ansiedade.

– Cuidado com as suas palavras!: “Os pais devem ter cuidado com o que dizem e fazem, a sua linguagem não verbal. É totalmente diferente ouvir uma mãe dizer, perante uma nova matéria ‘olha que desafio interessante’ ou ‘que problema!'”

– Viva a rotina!: Nós, adultos, habituámo-nos por vê-la como uma vilã, mas a verdade é que as rotinas são essenciais para o desenvolvimento das crianças e jovens. “Quando é respeitada rigorosamente, a rotina dá-lhes segurança e tranquilidade”, explica. A repetição e as rotinas fazem-nos poupar tempo e energia mental que, de outra forma, gastaríamos nos improvisos diários. E essa energia é essencial para estudar. Um jovem em fase de exames, pode ter uma agenda, horário ou tabela com as rotinas do seu dia-a-dia, encaixado no seu estilo de vida.”

– Não esqueça as pausas: Ana Paula Reis advoga uma pausa de meia hora por cada três horas de estudo, para o corpo recuperar, sobretudo para aquelas maratonas de estudo para exames que o seu faz no ensino secundário e superior.

–  Estimule-o a fazer exercício: “É óptimo porque provoca uma maior oxigenação cerebral e liberta toxinas”, diz a psicóloga. Por outro lado, a ansiedade é canalizada para o esforço físico e a mente fica mais liberta: “Como nos concentramos no esforço físico, a parte emocional – e, logo, a ansiedade – fica para segundo plano.”

– Mantenha um diário: “É muito importante. Na abordagem cognitivo-comportamental trabalhamos com um caderno onde apontamos os sentimentos negativos e positivos. Ao fazê-lo, o jovem escreve a forma como se relaciona, pensa e sente a realidade”, explica Ana Paula. Este diário acaba por ser essencial para quem está a ser seguido por um psicoterapeuta: o seu conteúdo é partilhado com ele, durante o processo de terapia, e serve para apontar causas e soluções para o stresse e ansiedade.

– Não esqueça a brincadeira: O organismo está programado para o equilíbrio, e ele próprio pede descanso, actividade, lazer. “Dentro das rotinas diárias deles tem de ser contemplado um horário para a brincadeira. O relógio biológico diz-lhes que, apesar de estudarem até às cinco, por exemplo, têm depois tempo de brincar. Quando os meus filhos eram pequenos, tínhamos aquilo a que eu chamava ‘a hora da asneira’. E era sagrada! Quanto mais cedo se introduzirem estas rotinas nas crianças, mais depressa ela as interioriza de modo a que façam parte do seu relógio biológico.”

– O problema pode não ser falta de estudo: O seu filho parece não atinar com a leitura, a professora queixa-se de que ele parece estar sempre nas nuvens? “Pode não ter a ver com preguiça de estudar. O problema pode estar relacionado com dislexia, défice de atenção, problemas auditivos ou visuais.” Se não forem diagnosticados logo de início, podem desencadear na criança a sensação de que está atrás dos outros contribuir para uma baixa de auto-estima.

– Elimine o seu próprio stresse: “Pais stressados criam crianças stressadas”, observa Ana Paula. O primeiro passo para ensinar o seu filho a combater a ansiedade é ele poder ver em si um bom exemplo disso.



Detecte os sinais de ansiedade no seu filho

A ansiedade é saudável e normal em todos: ela ajuda-nos a preparar-nos para desafios difíceis. Mas, quando ultrapassa as fronteiras, pode interferir negativamente com a estabilidade emocional do seu filho. Eis alguns dos mais comuns:

– Recusa em ir para a escola

– Expressão triste, calada ou taciturna quando regressam a casa

– Comportamentos de isolamento e introversão

– Vómitos

– Noites mal dormidas ou alterações do sono

– Febres e erupções

– Recusa em comer ou perda de apetite

– Irritabilidade


Contactos úteis:

Nupe – Núcleo de Psicologia do Estoril

Tel. 21 467 10 97 / 96 500 89 29

http://www.nupe.pt/

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