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As mentiras das mães

1 – O teu hamster foi para o céu

Está bem, a gente percebe que se calhar era demasiado brutal pegar na bolinha de pêlo imóvel que até há pouco tempo andava pela casa aos pulinhos de alegria (enfim, a gente achava que era de alegria, mas se calhar, pensando em retroactivo, deviam ser as cólicas do cancro de estômago que o matou) e dizer: “Olha, minha filha, o Manel Chico teve um ataque fulminante que o arrancou sem dó nem piedade àqueles que o amavam e o levou em menos de nada”. Mas a verdade é que, enfim, um Céu para os hamsters, não seria esticar um bocadinho a metáfora? Que um avô vá para o Céu, a gente percebe. Mas como seria o céu dos hamsters? Cheio de hamsters com asinhas a saltar graciosamente de nenúfar em nenúfar, como o elefante no Rossio?

– O Pai Natal existe

Pode parecer inocente, mas a partir do momento em que descobrimos que o senhor de barbas é o Tio António e que a família inteira andou a rir-se às nossas custas durante uma batelada de anos, todo o nosos universo se torna de repente paralelo. O insondável abismo da desconfiança abre-se aos nossos pés: desconfiamos de toda a gente. Da mãe. Do pai. Do (traidor do) Tio António. Das mulheres. Dos homens. Dos hamsters que vão para o Céu sem avisar ninguém. Como fomos burras a ponto de pensar que um trenó podia dar a volta ao mundo numa noite? E uma rena voar? E um velho gordo com artrite reumatóide e Índice de Massa Corporal acima dos 114 descer por uma chaminé? A gente nem nunca viu uma rena! A casa nem tem chaminé, por amor de Deus! Ai e Deus? Será que também não existe?!!! Será que também é o Tio António mascarado?

3- ‘Quando viermos para baixo’

Ai lembram-se? Bastava a gente apontar com o dedito para uma montra qualquer, que a resposta era sempre a mesma: “Sim querida, a mãe compra-te isso quando viermos para baixo.” Claro que nunca vinhamos ‘para baixo’, não é. Ou vinhamos por outro caminho. Ou a loja já estava fechada (“Olha que pena!”). Ou estávamos a dormir. Ou já não nos lembrávamos. A verdade é que funcionava sempre. Grrrrrr….

4 – O Príncipe Encantado há-de chegar

É a maior e a mais dramática e a mais imperdoável das mentiras maternas. É verdade que a culpa não é apenas das mães: também é de Walt Disney. Mas enfim, Walt Disney não é nossa mãe e por isso não se podia esperar que quisesse o nosso bem e a nossa felicidade. Não só nos garantem que vamos encontrar um Príncipe Encantado como ficamos com a impressão de que haverá Congressos de Príncipes Encantados com tipos louros e de coroa todos à cacetada pela honra de um olhar nosso. Depois crescemos e achamos estranho que, por mais que se beijoque o Zé Manel, ele continue sapo, tadinho… Tão querido, mas pronto… Sapo…

E as mentiras das filhas

1 – Não fui eu

É o grande clássico. Não, não fui eu! Não fui eu que parti o vidro, que comecei a briga, que roubei o carrinho ao Tiago, que comi a tarte de maçã inteirinha, que devorei a tigela de musse, que entornei o pacote de leite! Não fui eu, gritamos cada vez mais alto e com caida vez mais fúria, e batemos o pé, transtornados com a injustiça do universo, e às tantas até já nós acreditamos que não fomos nós. O problema é mesmo esse: é que só nós é que acreditamos. Como todas as mães sabem, quanto mais se proclama a nossa inocência, mais culpados parecemos. Às vezes não fomos mesmo nós, mas aí já ninguém acredita.

2 – Fui dormir a casa da Rita

É verdade que a pobre da Rita não nos vê há quatro meses, é verdade que, se se ligar para casa da Rita, a ‘Rita’ tem uma voz um bocado grossa demais, mas pronto, é das hormonas que anda a tomar no, eh, ballet. Além disso, se se dissesse que iamos de facto deitar a cabecinha na almofada ao lado do Zé Manel (para fazer a sesta, evidentemente), a mãe tinha um ataque, portanto a gente mente é por amor. Não é para salvar a pele. É uma escolha por amor, como diria o Nicholas Sparks, que nunca deve ter mentido à mãezinha dele (mas também apostamos que nunca dormiu com o Zé Manel).

3 – Sim, comi dois pães com queijo ao lanche

 Não é que se seja anoréctica, mas francamente, por vontade das mães pesávamos todas 789 quilos, harmoniosamente distribuídos por 1,58m… É inevitável: na secção ‘comidas’ todas as mães encalharam na Pré-História, quando nunca se sabia se o jantar ia ser espetadas de mamute ou sopa- de-raíz-de-qualquer-coisa-que-até-te-pode-matar,-esperemos-que-não-mas também-se-matar-tenho-mais-14-filhos. Para as mães, nunca estamos miseravelmente obesas: estamos, quando muito, ‘benzinho’. Atenção que o patamar do ‘benzinho’ só se atinge acima dos 100 quilos. Até aí, estamos sempre desesperadamente a precisar de um mamute. Ou quando muito, uma pratada de bacalhau à Braz. Nem que seja congelado.

4 – Claro que não fumo charros

Há quem não fume, claro que há, mas essas geralmente vê-se logo que não fumam. As que juram por todos os santinhos que nunca levaram nada à boca que não fosse para comer (ai e croissant com doce de ovos só na Páscoa!) geralmente já sabem que nem todas as ervinhas são salsa e coentros.

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